Nutrição personalizada por testes genéticos

Lembro bem das aulas da faculdade há 8 anos, quando a professora de Genética falava que estávamos caminhando para um momento em que a Genética nos ajudaria a escolher as melhores estratégias para o estilo de vida dos pacientes. Reduzir a atividade de genes “ruins”, ativar genes responsáveis pela longevidade… Naquela época já existiam algumas informações.

Nos últimos 5 anos, essas informações aumentaram. Grandes estudos começaram a fornecer informações essenciais para que a genética do indivíduo seja também um dos tópicos da consulta nutricional.

Nesse contexto, a nutrigenética é uma ciência que investiga a associação dos genes à resposta de cada indivíduo à ingestão de alimentos. Com a Nutrigenética conseguimos entender o que é melhor para o paciente associando essa informação com a informação das características físicas (ex: idade, gênero, etc.) e com a informação comportamental (ex: hábitos alimentares, atividade física, etc.).

E muita gente curiosa pergunta: como é possível ter essas informações? Graças a tecnologia, a partir da amostra de DNA presente em nossa saliva, conseguimos extrair informações preciosas, como: qual a predisposição genética para nossa informação nutricional, qual dieta é adequada para o nosso corpo e até as ações comportamentais necessárias para que tenhamos mais qualidade de vida. E o melhor, os testes genéticos voltados a nutrição e exercício só precisam ser feitos uma vez na vida e é uma informação que será aproveitada a vida toda.

O teste genético identifica os polimorfismos em um único nucleotídeo, os famosos SNPs, essas pequenas alterações estão presentes de formas diferentes em todos nós e junto com a influência do meio ambiente é responsável por nos tornar únicos. O mais engraçado é que somos 99% iguais, geneticamente falando, esse 0,1% diferente corresponde aos SNPs e é isso que nos torna diferentes na cor da pele, nossos cabelos e até hábitos bem personalizados como quantas horas precisamos dormir, se precisamos tomar suplementos como ômega 3 e antioxidantes.

Como nutricionista, me deparo diariamente com pessoas que já fizeram diversos tipos de estratégias como jejum intermitente, low carb, cetogênica e muitas outras. É bem desafiador construir estratégias, dieta, suplementação sem conhecer a genética do indivíduo, principalmente sabendo que a genética contribui fortemente para muitas coisas como o gosto por alimentos de sabor mais doce, a vontade de comer mais a noite e até o quanto o exercício pode ajudar no processo de emagrecimento. Principalmente quando sabemos que já existem 700 regiões cromossômicas relacionadas à obesidade, mais de 80 genes relacionados ao metabolismo. Compostos alimentares como a cúrcuma presente no açafrão, o resveratrol presente na uva roxa e os polifenóis presentes no cacau são alimentos que colaboram fortemente para ativar o que há de melhor na nossa genética.

A informação genética do paciente me permite criar uma estratégia que é mais responsiva, consigo entender quais as maiores propensões dos pacientes e onde a genética pode levar ele no que se refere a doenças crônicas como resistência a insulina e hipercolesterolemia. Também é possível saber se a restrição de calorias e dietas ricas em gorduras são boas estratégias a longo prazo.

A suplementação alimentar também é outra área que a genética pode colaborar fortemente. Ao invés de necessitar de um suplemento vitamínico de A a Z, famosos por ter inúmeras vitaminas, a partir da informação genética é possível entender qual a propensão genética a carência de nutrientes e a partir disso poder formular suplementos e compostos bioativos baseados no que realmente o paciente precisa reduzindo custos e direcionando a melhor suplementação alimentar ao que o paciente precisa.

A genética como ferramenta nutricional não é mais futuro, já é presente no atendimento nutricional e é uma ferramenta que está chegando em muitos consultórios e clínicas do mundo todo com o objetivo de tratar o paciente como ele é: único. E assim como únicos, cada um merece a melhor estratégia para acionar o que há de melhor em nossa genética.

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