Internet 5G e saúde

Muito provavelmente entre o fim deste ano e março do ano que vem, a depender da Nokia e Huawei, além dos esforços governamentais, teremos os primeiros leilões da tecnologia 5G no país, tanto para as bandas menores, como as maiores de baixa latência. Na prática, o primeiro piloto já ocorre em Florianópolis, Santa Catarina, e deve ser realidade acessível para o cidadão comum a partir de 2021, visto que as companhias ainda falham na cobertura do 4,5G.

Fato é que a tecnologia tem potencial enorme, muito mais do que as pessoas pensam. Como em baixar filmes e fazer streaming rapidamente em seus celulares e gadgets, a tecnologia terá impacto forte em vários setores da indústria e logística (carros autônomos e nanochips em produtos da produção à casa do consumidor), energia, economia criativa, automação das cidades e forte impacto na saúde. Entraremos, de fato, na era da IoT (Internet of Things – internet das coisas). Nossas roupas, objetos, carros, casas e tudo mais estará plugado e gerando dados, milhares de dados. Na área da saúde, como dito, haverá impacto acentuado.

Haverá uma aceleração do que chamamos de Point of Care, onde gadgets e produtos específicos farão testes de maneira barata e eventualmente contínua, de todos nós. Nesses gadgets, além de relógios inteligentes (smartwatches), teremos nossas roupas (como a Hexoskin) e uma infinidade de outros sensores, avaliando e gerando dados para decisões mais inteligentes em saúde, tudo isso conectado à rede 5G. Exames mais complexos poderão ser feitos em casa, com kits simplificados, facilitando a vida das pessoas. No Brasil, já temos uma tecnologia Point of Care para consultório, a HiLab.

Além disso, a 5G trará a possibilidade de uma melhora da Telemedicina que hoje ainda engatinha no Brasil, tendo como primeira empresa a TelDoctor, além de iniciativas como do Hospital Albert Einstein em várias áreas, como nos pacientes críticos.  Por último, mas não menos importante, teremos a possibilidade de realização de cirurgias realizadas remotamente, com o auxílio de robôs (como o DaVinci). 

Até a chegada do 5G as cirurgias remotas não eram factíveis, dado ao atraso e latência, o que poderia trazer riscos para os pacientes e insucesso nos procedimentos. Mas a partir desse ano, alguns procedimentos já foram realizados com sucesso na China. Uma propaganda da companhia telefônica Italiana TIM foi sucesso no último mês, onde um cirurgião é convocado durante um casamento para resolver um caso numa hora difícil. Pouco tempo depois, volta à cerimônia com tudo resolvido, como no vídeo abaixo.

É desse mundo que estamos falando, que mais tardar em 2 anos já estará a disposição da população brasileira.

O 5G vai causar uma verdadeira revolução, que pode ser até maior do que quando a internet começou e se popularizou. Uma mistura explosiva será a chegada do 5G com computação quântica e o aumento expressivo de usuários entre esse e o próximo ano, o famoso “next billion users”.

A onda está chegando e é grande, cabe a nós construir a prancha e surfar, ou morrer afogado, literalmente. Prefiro que surfemos juntos!

Alexandre Parmahttps://infohealth.com.br
Médico radiologista e entusiasta de tecnologia. Fundador da hygia bank

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