Saúde e envelhecimento

Na velhice, o brasileiro tem poucas opções para garantir segurança no acesso à saúde: mudar hábitos de vida, tornando-se cada vez mais saudável, ou desde cedo poupar dinheiro para arcar com custos de internações, remédios e outras cobranças.

Embora a primeira opção seja praticamente uma obviedade, nem sempre as pessoas levam a sério. “Todo mundo quer envelhecer, mas não quer ficar velho”, é o que disse o médico geriatra Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Para ele, o processo de envelhecimento mudou, no entanto, as instituições, faculdades e profissionais ainda não estão acompanhando estes movimentos. “A população idosa tem crescido muito rápido, e as graduações, por exemplo, não nos prepararam para isso. Faltam profissionais que tenham aprendido isso na faculdade, faltam profissionais especializados, faltam equipamentos públicos, políticas que tenham condições de acolher e atender essa população que cresce rapidamente”, afirma. 

O presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara.
Foto: Leila Fugii

Envelhecimento é um processo constante. A partir do nascimento, inicia-se também o envelhecimento. A única maneira de interromper este processo é a morte precoce. A velhice é uma construção social, pois modifica conforme os anos e se revalida ao longo do tempo. Por exemplo, hoje, uma pessoa de 60 anos não tem as mesmas características – doenças, incapacidades e perda de autonomia – de um velho de 30 anos atrás. Hoje, já é diferente. A qualidade de vida aumentou, as condições melhoraram, o autocuidado tornou-se mais amplo e importante para a sociedade. Ou seja, ter 60 anos ou mais, atualmente, não significa impotência ou inatividade. Muito pelo contrário. 

Então, a partir de que idade uma pessoa é considerada idosa?

Na legislação brasileira, é considerada idosa a pessoa que tenha 60 anos ou mais de idade. Para comprovar a idade, basta apresentar um documento oficial com foto, como a carteira de identidade ou a carteira nacional de habilitação.


Carlos André Uehara ainda destaca que a sociedade precisa enxergar o idoso como um ser potente e que tem um papel social importante, podendo inclusive ser protagonista e fazer outras atividades. “Preparar-se para velhice, para tornar-se velho é um planejamento para a vida toda. Por isso é preciso ter hábitos saudáveis, pensar na saúde, para que a gente consiga avançar muito mais na vida”, salienta. 

A longevidade foi possibilitada a partir da melhora das condições de saúde. Isso vem, por exemplo, do saneamento básico e da introdução de vacinas, que tiveram um papel importante para diminuir a mortalidade infantil. E o que possibilita as pessoas viverem por mais tempo é a diminuição da mortalidade ao longo dos anos, na mortalidade infantil e mortalidade nos adultos. Atualmente, de 15% a 20% dos fatores genéticos estão relacionados à longevidade. Todo o restante está relacionado a fatores externos, a hábitos de vida. E os hábitos de vida estão relacionados às doenças crônicas não transmissíveis ー obesidade, diabetes e pressão alta, entre outras.

“Por isso, é preciso ter hábitos e pensar no envelhecimento como um processo para a vida toda. Evitar essas doenças é alimentar-se bem, manter seu corpo ativo, sua cabeça, mentalidade saudável também”

ー indica o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Carlos André Uehara.

A tecnologia 

O médico alerta para a nova onda tecnológica para a população idosa, pois, ainda que existam soluções inovadoras e que ajudem num melhor controle, ressocialização e tratamento de pacientes, também podem levar a isolamento social e depressão. “Tecnologia é uma coisa muito nova, tudo o que é usado em excesso pode ser bom e ruim” 


Envelhecendo com saúde

  • Tome água! Mantenha-se sempre hidratado.
  • Beba leite e coma seus derivados diariamente.
  • Tome banhos de sol todos os dias, antes das 10h e após as 4h da tarde.
  • Use sempre protetor solar nas áreas expostas ao sol.
  • Faça exame periódico de sua visão e use sempre seus óculos.
  • Informe ao seu médico todos os remédios que está usando.
  • Tome apenas os remédios que foram receitados pelo seu médico.
  • Faça exercícios físicos diariamente sob orientação da equipe de saúde.
  • Mantenha-se ativo!
  • Se você sentir tonturas, desequilíbrio ou fraqueza, conte para seu médico.

Como prevenir quedas?

A maioria das quedas de idosos ocorre dentro de casa. Com medidas simples, você pode tornar o ambiente em que vive mais seguro.

  • Mantenha os ambientes bem iluminados.
  • Ao subir escadas, use o corrimão para se apoiar.
  • Instale barras de apoio no banheiro, próximas ao vaso sanitário e no box do chuveiro
  • Mantenha os pisos secos e evite encerá-los
  • Mesmo dentro de casa, evite usar chinelos e pantufas. Prefira calçados fechados, com sola de borracha e salto baixo. Nunca ande descalço ou só de meias.
  • Não deixe fios de luz, roupas, sapatos e outros objetos espalhados nos trajetos por onde você anda.
  • Guarde seus objetos de uso frequente em locais onde você possa alcançar facilmente. Nunca suba em banquinhos ou cadeiras para alcançá-los.

Estatuto do Idoso

O Estatuto do Idoso, instituído em 2003, prevê a regulamentação dos direitos assegurados às pessoas de 60 anos ou mais. Para visualizar o Estatuto do Idoso, clique aqui.

  • Lei 8842/94 – Política Nacional do Idoso.
  • Portaria GM/MS n°280/1999 – Acompanhante Hospitalar de Idoso.
  • Lei 10048/00 (promulga) Decreto n° 5296/04 (regulamenta) – Dá prioridade de atendimento a pessoas que especifica e estabelece normas gerais de critérios básicos para a promoção de acessibilidade.
  • Portaria GM/MS n°703/2002 – Programa de Assistência aos Portadores de Doença de Alzheimer.
  • Lei 10741, de 1º de Outubro de 2003 – Estatuto do Idoso.
  • Lei 399/06 – Pacto pela Saúde 2006 – Consolidação do SUS e suas Diretrizes Operacionais.
  • Portaria 2.528/06 – Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.
  • Portaria 2.529/06 – Institui a Internação Domiciliar no âmbito do SUS.
  • Lei 11433/06 – Dia Nacional do Idoso.

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

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