250 milhões de crianças estão desnutridas ou com sobrepeso, segundo a UNICEF

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Uma em cada três crianças com menos de 5 anos – cerca de 250 milhões – está desnutrida ou com sobrepeso. Os dados, que alertam profissionais da saúde, foram divulgados no relatório da Situação Mundial da Infância 2019: Crianças, alimentação e nutrição, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Dados de 2018 mostram que 149 milhões de crianças menores de 5 anos sofrem de déficit de crescimento ou estão muito baixas para a idade. E 50 milhões delas estão com baixo peso para a sua altura.

Além disso, o documento aponta que quase duas em cada três crianças entre 6 meses e 2 anos de idade não recebem alimentos necessários para crescimento adequado de seu corpo e cérebro. A situação prejudica o desenvolvimento, causando dificuldades de aprendizagem, baixa imunidade, aumento de infecções e em muitos casos, a morte.  

O relatório da UNICEF explica grandes mudanças que se relacionam com a situação e o comportamento alimentar atual do mundo. A globalização mudou a maneira das pessoas se alimentarem. O transporte de alimentos do campo para as famílias, como são colhidos e até mesmo exibidos no mercado, tudo isso foi afetado. Assim como surgiu rapidamente um mercado expandido de fast-food e junk-food – além do marketing de alimentos direcionados a crianças. A condição favorece dietas modernas, muitas vezes prejudiciais, que incluem alimentos processados, ricos em gorduras saturadas, açúcar e sódio e baixos em nutrientes e fibras essenciais.

Até 2050, 70% dos adolescentes do mundo viverão nas cidades, mais expostos à comercialização de alimentos não saudáveis ​​e mais vulneráveis ​​a doenças relacionadas à dieta

Um dos principais motivos da dificuldade de crianças não comerem alimentos corretos ou mais saudáveis é o ambiente alimentar. Os ambientes alimentares são, em outras palavras, todos os fatores que influenciam a escolha alimentar de uma família, como por exemplo, o que está disponível em sua área, qual a situação financeira e quais alimentos são mais convenientes. Outro aspecto importante é a grande influência do marketing de alimentos na dieta de uma criança. Embalagens, anúncios, campanhas digitais direcionadas estão aumentando a demanda por junk-food, fast-food e bebidas açucaradas.

O relatório mostra que 42% dos adolescentes em idade escolar em países de baixa e média renda consomem refrigerantes com açúcar pelo menos uma vez por dia e 46% comem fast-food pelo menos uma vez por semana. Essas taxas sobem para 62% e 49%, respectivamente, para adolescentes em países de renda alta.

Má nutrição no Brasil

No Brasil, embora a prevalência da desnutrição na infância tenha caído nas últimas décadas, as tendências globais também se confirmam. O país passou por uma rápida transição demográfica, epidemiológica e nutricional que afetou o padrão de consumo alimentar e a saúde da população. Segundo o Manual de Atendimento da Criança com Desnutrição Grave em Nível Hospitalar, o percentual de óbitos se mantém em torno de 20%, muito acima dos valores recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que são inferiores a 5%.

A desnutrição crônica ainda é um problema em grupos mais vulneráveis, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2018, a prevalência de desnutrição crônica entre crianças indígenas menores de 5 anos era de 28,6%. Os números variam entre etnias, alcançando 79,3% das crianças ianomâmis. 

Ao mesmo tempo, aumenta progressivamente o consumo de alimentos ultraprocessados (alimentos com baixo valor nutricional e ricos em gorduras, sódio e açúcares) e a prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil. Uma em cada três crianças de 5 a 9 anos possui excesso de peso, 17,1% dos adolescentes estão com sobrepeso e 8,4% são obesos. Apesar da Política Nacional de Alimentação Escolar, a escola ainda é considerada um ambiente que contribui com a situação, com lanches de baixo teor de nutrientes e alto teor de açúcar, gordura e sódio.

A má nutrição no mundo, em números

>>  149 milhões de crianças têm déficit de crescimento, ou estão muito baixas para a idade;
>> 50 milhões de crianças estão com baixo peso para a sua altura;
>> 340 milhões de crianças – ou uma em cada duas – sofrem de deficiências em vitaminas e nutrientes essenciais, como vitamina A e ferro;
>> 40 milhões de crianças estão acima do peso ou obesas.


 

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