Pela primeira vez, pesquisadores descobrem que a gordura pode obstruir os pulmões e as vias aéreas

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Adicione mais um local que a gordura pode se acumular no corpo humano: os pulmões. Um novo estudo mostra, pela primeira vez, que a gordura pode se acumular nas paredes das vias aéreas dos pulmões. Os dados comprovam que o acúmulo de gordura foi maior entre as pessoas com sobrepeso ou obesidade, em comparação com as de peso normal.

O acúmulo de gordura nas artérias é um dos mais importantes fatores de risco para desenvolver problemas cardíacos. Neste ano, até às 11h desta sexta-feira (25/10), mais de 323 mil pessoas morreram por doenças cardiovasculares no Brasil, de acordo com o Cardiômetro, plataforma da Sociedade Brasileira de Cardiologia. No entanto, com o novo estudo publicado na revista científica European Respiratory Journal, o acúmulo de gordura tornou-se uma preocupação ainda maior, podendo afetar ainda mais o corpo humano.   

Os pesquisadores, inclusive, descobriram que esta condição pode estar relacionado à asma. Ou seja, os dados podem explicar, em partes, o motivo de a obesidade ser um fator de risco para a asma. Anteriormente, pensava-se que a relação entre o sobrepeso e o maior risco de asma era causada pela pressão extra nos pulmões ou inflamação adicional no corpo. Com os resultados, existem evidências de que os depósitos de gordura também podem desempenhar outro papel.

O objetivo do estudo foi determinar a relação entre o tecido adiposo na parede das vias aéreas e o índice de Massa Corporal (IMC) em indivíduos com e sem asma, o que foi positivamente correlacionado. 

A pesquisa mostrou que o tecido adiposo está presente na parede das vias aéreas e está relacionado ao IMC, à espessura da parede e ao número de células inflamatórias.

O autor principal do estudo é John Elliot, oficial de pesquisa no Hospital Sir Charles Gairdner


Como descobriram? 

A equipe de pesquisa examinou amostras de pulmão post mortem (após a morte), doadas para pesquisa e armazenadas no Airway Tissue Biobank ー uma loja de tecidos respiratórios e secreções respiratórias. Assim, eles estudaram amostras de 52 pessoas, incluindo 15 que não relataram asma, 21 que tiveram asma, mas morreram de outras causas e 16 que morreram de asma. 

Utilizando corantes para auxiliar a visualização das estruturas de 1.373 vias aéreas sob um microscópio, eles identificaram e quantificaram qualquer tecido adiposo presente. A partir disso, compararam esses dados com o IMC de cada pessoa. 

Pela primeira vez, portanto, concluiu-se que o tecido adiposo se acumula nas paredes das vias aéreas. A análise revelou que a quantidade de gordura presente aumenta de acordo com o aumento do IMC. A pesquisa também sugere que esse aumento de gordura altera a estrutura normal das vias aéreas e leva a inflamação dos pulmões. Assim, os investigadores propõem que a acumulação de gordura pode levar a um engrossamento das vias aéreas, o que limita o fluxo de ar. 


A equipe está procurando novas maneiras de estudar e medir o tecido adiposo nos pulmões. Eles querem confirmar a relação com doenças respiratórias e descobrir se o efeito pode ser revertido pela terapia para perda de peso.

Fonte da pesquisa: European Respiratory Journal


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