Excesso de sal na dieta pode comprometer a capacidade de executar tarefas simples, aponta estudo

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Nutricionistas e profissionais da saúde sabem há muito tempo que uma dieta rica em sal aumenta os riscos de inúmeras doenças, principalmente cardiovasculares.

Comer sal em excesso pode comprometer a realização de tarefas simples e causar demência, segundo estudo feito por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, em parceria com a Universidade de Washington. Os resultados foram publicados na revista científica ‘Nature”.

No estudo, os pesquisadores buscavam compreender a série de eventos que ocorrem entre o consumo de sal e a baixa cognição e concluíram que reduzir a ingestão de sal e manter vasos sanguíneos saudáveis ​​no cérebro pode “afastar” a demência. 

A pesquisa foi realizada com camundongos. Os animais foram submetidos a dieta que continha entre oito e 16 vezes a quantidade normal de sal e depois os fizeram realizar testes cognitivos. Após dois meses de dieta, os camundongos não conseguiram reconhecer novos objetos com os quais foram apresentados e foram muito mais lentos ao encontrar um caminho para sair de um labirinto do que aqueles em uma dieta normal.

Os pesquisadores descobriram que o excesso de sal reduz a quantidade de óxido nítrico dos camundongos. Níveis mais baixos de óxido nítrico no cérebro levaram à redução do fluxo sanguíneo e também aumentaram a atividade de uma enzima nas células cerebrais chamada CDK5, que leva ao acúmulo de proteínas tau (proteína ligada à doença de Alzheimer) – que quando hiperfosforilada pode provocar problemas cognitivos.

No entanto, quando os cientistas restauraram a produção de óxido nítrico nos camundongos, sua capacidade cognitiva melhorou. Da mesma maneira, animais criados sem a capacidade de produzir proteína tau, ou aqueles que foram tratados com anticorpos anti-tau, não apresentaram comprometimento cognitivo.

Ou seja, os resultados indicam que existe relação entre sal na dieta, disfunção dos vasos sanguíneos no cérebro e problemas com a produção de tau no cérebro.

O novo estudo também desafia a ideia de que o fluxo sanguíneo mais baixo no cérebro pode desencadear demência, porque a pesquisa mostra que a neutralização da tau reverte a demência mesmo se o fluxo sanguíneo ainda estiver baixo.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo diário de sal abaixo de 5g (o equivalente a menos de 2g de sódio). A quantidade ajuda a prevenir a hipertensão e reduz o risco de doença cardiovascular e AVC entre a população adulta. Segundo a OMS, cerca de 2,5 milhões de mortes poderiam ser evitadas a cada ano se o consumo de sal em todo o mundo fosse reduzido ao nível recomendado.

Embora pesquisas sobre ingestão de sal em humanos ainda sejam necessárias, o estudo com camundongos torna-se um lembrete para as pessoas regularem o consumo de sal.

E o que é ruim para nós não vem de um saleiro, vem de alimentos processados ​​e de restaurante”, disse Constantino Iadecola, um dos autores do estudo, para a Weill Cornell Medicine.

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