O tempo desde a menopausa é associado ao aumento do risco de osteoporose

Um estudo brasileiro, pela primeira vez, concluiu que o tempo desde a menopausa está associado ao aumento do risco de osteoporose, e não a idade da paciente.

As informações associaram o tempo transcorrido desde o início da menopausa e o índice de massa corporal (IMC) das pacientes à doença, sugerindo que a deficiência de estrogênio – e não a idade – seja a principal causa de osteoporose entre mulheres após a menopausa.

A pesquisa, realizada com mulheres atendidas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), foi coordenada pelo ginecologista e obstetra, Dr. Selmo Geber, também professor titular da Universidade.

No total, foram avaliadas 938 mulheres na pós-menopausa submetidas à densitometria mineral óssea. Foram coletados dados como idade, grupo étnico, IMC, tabagismo e tempo desde a menopausa.

O resultado foi 37,8% de prevalência de osteoporose. O grupo étnico e o tabagismo não se associaram à doença. No grupo de mulheres com osteoporose, a idade média foi significativamente maior, o IMC médio foi significativamente menor e o tempo desde a menopausa foi significativamente maior do que no grupo de mulheres sem a osteoporose.

Após a análise, as únicas variáveis que permaneceram independentemente associadas à doença foram o IMC e o tempo desde a menopausa.

Concluiu-se, portanto, que o tempo desde a menopausa representou um fator de risco para osteoporose. Quando dividido em categorias, o risco aumentou após 20 anos de menopausa e gradualmente a cada 5 anos.

Nenhuma das participantes do estudo reportou uso de terapia hormonal prévio, indicando, segundo os autores, que o estrogênio exógeno não interferiu nos resultados.

A osteoporose

A osteoporose afeta 200 milhões de pessoas no mundo, sendo 10 milhões somente no Brasil, de acordo com o estudo The burden of osteoporosis in four Latin American countries: Brazil, Mexico, Colombia, and Argentina, publicado na revista científica Journal of Medical Economics.  

A doença é uma condição clínica associada à diminuição da massa óssea (da densidade do osso), o que se traduz em uma maior fragilidade dos ossos. Ou seja, os ossos ficam mais sujeitos a fraturas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que o número anual de fraturas de quadril em todo o mundo passará de 1,7 milhão em 1990 para cerca de 6,3 milhões em 2050. As mulheres sofrem 80% das fraturas de quadril; o risco ao longo da vida de fraturas osteoporóticas é de pelo menos 30% e provavelmente mais próximo de 40%. Por outro lado, o risco é de apenas 13% para os homens.

Quais são os sintomas?

Conhecida como uma doença silenciosa, a osteoporose não provoca sintomas. Em geral, o problema é detectado já em estado avançado, com a deformação de ossos que provoca dor crônica ou quando aparece alguma fratura.

Caso ocorram fraturas, elas podem causar dor e incapacidade, o que costuma ser os primeiros sinais da doença. Essas fraturas acometem principalmente:

Fraturas do quadril e da coluna estão relacionadas com maior mortalidade e podem incapacitar o indivíduo, provocando um enorme impacto na qualidade de vida.

O diagnóstico

Por ser caracterizada como uma doença silenciosa, o profissional da saúde inicia a investigação levando em conta dados como idade, peso, altura, histórico de fraturas na família, uso de cortisona e hábitos como fumar e beber.

No entanto, a confirmação vem a partir do resultado do exame de densitometria óssea, que é feito por um aparelho de raio X que se move sobre os ossos analisados. Essa avaliação permite ver o osso por dentro e medir sua densidade mineral, prevendo até o risco de fraturas. Comparam-se os valores encontrados com os de uma pessoa normal com o mesmo peso, sexo, altura e idade.

É importante destacar que o médico pode solicitar outros exames que auxiliem no diagnóstico da doença.

No geral, existem uma variedade de profissionais que podem realizar a identificação da osteoporose, tais como:

  • Reumatologista;
  • Endocrinologista;
  • Geriatra;
  • Fisiatra;
  • Ginecologista.

Existe tratamento?

A osteoporose é uma doença que não tem cura, portanto, o tratamento é estabelecido com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da pessoa, também diminuindo o risco de fraturas e de doenças associadas.

IMPORTANTE: Somente médicos devidamente habilitados podem diagnosticar a doença, indicar tratamentos e receitar remédios.

Isadora Osório
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta pelas boas energias da vida e seus aprendizados. Em constante busca por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar

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