Diabetes Gestacional: doença acomete até 25% das gestantes

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A diabetes é uma doença crônica causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população.

A diabetes é uma doença com muitas particularidades, como por exemplo, o surgimento durante a gravidez. A chamada diabetes gestacional (DMG) pode trazer sérias complicações à saúde da mulher e do feto, atingindo 3% a 25% das gestantes, dependendo do critério utilizado para o diagnóstico.

A diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer mulher. É uma doença assintomática (não apresenta sintomas) e pode ser detectada a partir de exames laboratoriais. A principal recomendação é seguir rigorosamente o calendário de consultas pré-natal. A partir da 24ª. semana de gestação é realizado o teste de curva glicêmica. Exame pelo qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar mais rigor na interpretação do resultado. Antes, a diabetes era diagnosticada se o resultado fosse igual ou maior a 95 miligramas por decilitro (mg/dl). Agora, a grávida já está oficialmente com o distúrbio se o nível for igual ou superior a 92 mg/dl.

Recentemente, foi lançado o documento “Tratamento do Diabetes Mellitus Gestacional no Brasil”, que ressalta a importância do controle clínico da doença, as repercussões no organismo materno e fetal, assim como métodos de tratamento. A publicação, realizada a partir de parceria entre a Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Ministério da Saúde, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), pretende prevenir desfechos adversos fetais e neonatais, trazendo sugestões para seguimento das pacientes.

Segundo o documento, o tratamento adequado do DMG está diretamente relacionado a:

  • Diagnóstico adequado e precoce da doença;
  • Início imediato do tratamento;
  • Rígido controle glicêmico na gestação;
  • Diagnóstico das repercussões fetais do DMG;
  • Momento da resolução da gestação;
  • Acompanhamento das medidas preventivas no pós-parto.

A mudança de estilo de vida é um passo importante e significativo para o tratamento da DMG. Como todas as formas de diabetes, a alimentação equilibrada e exercícios ajudam a ganhar vantagem. O profissional de saúde pode auxiliar a desenvolver um plano de refeições, assim como determinar o nível de atividades seguras para a gestante. Somente quando necessário, o profissional pode recomendar a terapia com medicações, associada para atingir as metas do controle glicêmico. A insulina é o medicamento de primeira escolha para o tratamento da hiperglicemia no DMG devido à segurança e eficácia comprovadas, além do fato de não atravessar a barreira placentária.

Fatores de risco

São considerados fatores de risco para o diabetes gestacional:  Idade materna mais avançada, ganho de peso excessivo durante a gestação, sobrepeso ou obesidade, Síndrome dos Ovários Policísticos, história prévia de bebês grandes (mais de 4 kg) ou de diabetes gestacional, história familiar de diabetes em parentes de 1º grau, história de diabetes gestacional na mãe da gestante, hipertensão arterial sistêmica na gestação e gestação múltipla (gravidez de gêmeos).

O pós-parto

Ainda que a tolerância à glicose se normalize rapidamente após o parto na maioria das mulheres que desenvolveram a doença, o risco de desenvolvimento de Diabetes tipo 2 ou intolerância à glicose é significativo. A avaliação no pós-parto tem como objetivo, além de diagnosticar precocemente, identificar mulheres que persistem com intolerância à glicose e que se beneficiariam de medidas para prevenção. Estima-se que em torno de 20% apresentem intolerância à glicose após o parto, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.

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No Brasil, a doença ganhou destaque após anúncio do diagnóstico da humorista, atriz e apresentadora, Tatá Werneck. A filha, Clara Maria, nasceu de uma cesariana, e após questionamento de uma seguidora no Instagram, respondeu: “Cesariana. Fiquei com diabetes gestacional e tive uns negócios aqui e tivemos que marcar :)” publicou. Após a resposta, o caso clínico entrou em discussão nas redes sociais, ganhando grande repercussão entre as mulheres.

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