HIV: 135 mil pessoas vivem com o vírus no Brasil

Há quase 40 anos, em 1982, o primeiro caso de AIDS no brasil é oficialmente diagnosticado, em São Paulo. A doença já assustava países como Estados Unidos, Haiti e África Central, que notificavam novos casos rapidamente. Desde o início da epidemia até o final de 2018, cerca 32 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS em todo o mundo.

Ao longo dos anos, a epidemia de HIV tem sido compreendida e estudada através da coleta, análise e disseminação de dados, ajudando os programas a alcançar pessoas já diagnosticas e aquelas que poderiam ser alvo da doença. Ter dados sobre a AIDS permitiu que metas fossem criadas, campanhas, além de outras medidas que garantissem maior responsabilidade e conscientização na sociedade.

A primeira imagem do HIV-1 obtida no Brasil e na América Latina.

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos Estados Unidos, a partir da identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de San Francisco, que apresentaram sintomas e comprometimento do sistema imune, além de outras características, hoje conhecidas como típicas da AIDS.

Ao lado, a primeira imagem do HIV-1 obtida no Brasil e na América Latina.

A AIDS é a doença causada pela infecção do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV). Esse vírus ataca o sistema imunológico, atingindo principalmente as células Linfócitos T CD4+, que tem o DNA alterado. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo, ou seja, se multiplica. Após isso, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.

Ter o HIV não é a mesma coisa que ter AIDS.

Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas podem transmitir o vírus a outras pessoas pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.


Embora muitos pensem que a epidemia de AIDS é uma lembrança do passado, o problema em questão não é tão simples assim.

Os avanços em pesquisas e na medicina auxiliaram na diminuição da taxa de transmissão, além de tranquilizar quando diagnosticado o HIV, visto que antes era considerado uma sentença de morte. Os tratamentos, remédios e atendimento público auxiliam a população sobre a doença, mas ainda é caso sério para a saúde pública.

Atualmente, cerca de 37,9 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com HIV, conforme o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, UNAIDS.

No dia 1º de dezembro comemora-se o Dia Mundial da luta contra a AIDS, a doença, e o Ministério da Saúde do Brasil lançou a Campanha de Prevenção ao HIV/Aids. O foco é incentivar pessoas que não se preveniram em algum momento da vida a procurar uma unidade de saúde e realizar o teste rápido. Com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável, ou seja, não pode ser transmitido por relação sexual, e a pessoa não irá desenvolver AIDS.

Entre os anos de 2014 e 2018, o Brasil conseguiu evitar 2,5 mil mortes por AIDS. Embora os dados tenham sido positivos – nos últimos cinco anos, o número de mortes caiu 22,8%, de 125 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018 – a pasta acredita que 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e ainda não sabem.

A infecção por HIV cresce mais entre os jovens. De acordo com o último boletim epidemiológico, a maioria dos casos de infecção no país é registrada na faixa etária de 20 a 34 anos, com 18,2 mil notificações (57,5%). Em 2018, 43,9 mil casos novos de HIV foram registrados no país. A notificação para infecção pelo HIV passou a ser obrigatória em 2014.

“A gente antevê várias lutas contra o preconceito, contra a doença e precisamos trabalhar para que jovens parem de se infectar com o HIV. Precisamos trabalhar mecanismos de mobilização para conscientizar esse público e informar das consequências da doença, da necessidade de fazer o teste e buscar tratamento. É uma luta da ciência pela vida”, enfatizou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante o lançamento da campanha.

Em relação aos casos de AIDS, quando a pessoa desenvolve a doença, o Ministério da Saúde estima que 12,3 mil casos foram evitados no país, no período de 2014 a 2018. Nesse mesmo período houve queda de 13,6% na taxa de detecção de casos de AIDS, sendo 37 mil casos registrados em 2018 e 41,7 mil em 2014. Em toda série histórica, a maior concentração de casos de Aids também está entre os jovens, em pessoas de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.

Vídeo da campanha do Ministério da Saúde.

Use camisinha!

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

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