Sífilis: epidemia da doença no Brasil preocupa

Transmitida pela bactéria Treponema pallidum, a sífilis não escolhe idade, sexo ou classe social. A doença é transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas, mas gestantes também podem passar para o bebê na gravidez. Apesar do diagnóstico e tratamento serem relativamente rápidos, os casos aumentaram drasticamente no Brasil.

Em 2018, foram notificados 158.051 casos de sífilis adquirida, ou seja, contraída em relações sexuais desprotegidas com pessoas contaminadas, no Brasil. Entre 2010 e 2018, a taxa de infecção pela doença aumentou de 2,1 para 75,8 casos pra cada 100 mil pessoas. No ano passado, a maior parte das notificações de sífilis ocorreu em indivíduos entre 20 e 29 anos (35,1%).

Segundo o médico infectologista Renato Cassol, é importante que as pessoas percam o medo de consultar e expor o problema. “A recomendação é que procure atendimento com a maior breviedade, pois o tratamento e as possíveis sequelas são menores em quem trata precocemente a doença. Por ter transmissão sexual outras DST’s devem ser rastreadas, mesmo que o paciente não tenha sintomas”, explica.

A cada dia, há mais de 1 milhão de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse número equivale a mais de 376 milhões de novos casos anuais de quatro infecções – clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis.


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O que é a sífilis?

Sífilis — ou lues — é uma doença infecto-contagiosa, sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode também ser transmitida verticalmente, da mãe para o feto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado. Se não for tratada precocemente, pode comprometer vários órgãos como olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso.


Como prevenir?

O uso de preservativos durante todas as relações sexuais é a maneira mais segura de prevenir a doença.

Além disso, evitar entrar em contato direto com o sangue de qualquer pessoa, sendo recomendado não fazer reutilização de materiais descartáveis, como por exemplo, agulhas.

A prevenção acontece também a partir da comunicação e informação para a população em geral sobre o curso da doença e meios de se proteger.


“O que percebemos é que se a gente perguntar para a população sobre a importância da camisinha, todos eles dirão que é muito importante, que previne doenças, HIV, sífilis, etc. Mas, se perguntarmos se eles utilizam o preservativo, notamos que, entre a informação e a ação existe uma lacuna. Então, o desafio que foi colocado é como que a gente faz com que essa informação que a maioria já tem, se torne uma ação”, destacou o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante o lançamento da campanha exclusiva para prevenção contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).


Quais são os sintomas?

Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença, que se divide em três fases principais: primária; secundária e latente. Além dessas fases, existe também a sífilis terciária, menos recorrente.

De acordo com o Ministério da Saúde, a fase primária tem como sintoma uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria — pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele —, que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Normalmente não dói, não coça, não arde e não tem pus, podendo estar acompanhada de ínguas (caroços) na virilha.

Os sinais da fase secundária aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Nesse estágio podem aparecer manchas no corpo, que geralmente não coçam, febre, mal-estar, dor de cabeças e ínguas.

Já a fase latente é assintomática, ou seja, não aparecem sinais ou sintomas. “A sífilis latente é uma das mais comuns, a pessoa não sabe quando teve, não sabe se teve, e necessita obviamente ser tratada igual”, destaca o médico infectologista Renato Cassol.

Na terciária, os sintomas podem surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Costuma apresentar principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.

É importante destacar que uma pessoa pode ter sífilis e não saber, porque a doença pode aparecer e desaparecer, mas continuar latente no organismo. Por isso, é necessário se proteger, fazer o teste e, se a infecção for detectada, tratar da maneira correta com o profissional de saúde. O não tratamento da sífilis pode levar a várias outras doenças e complicações, inclusive à morte.


Como é feito o diagnóstico e o tratamento?

Há um teste rápido, disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), capaz de diagnosticar a doença em 30 minutos. O tratamento é feito com os antibióticos, especialmente a penicilina.

O tratamento consiste em antibióticos e acompanhamento da sorologia RPR ou VDRL. Além disso, outros exames devem ser realizados para descartar que a Lues tenha atingido outros órgãos. O acompanhamento até a cura pode levar anos ou mesmo décadas“, explica o médico infectologista Renato Cassol.

Quando a sífilis é detectada, o tratamento deve ser indicado por um profissional da saúde e iniciado o mais rápido possível. Os parceiros (as) do indivíduo infectado também precisam fazer o teste e ser tratados, para evitar uma nova infecção.


Sífilis congênita

É a infecção transmitida da mãe para o feto durante a gestação ou no parto. Ela pode se manifestar na criança logo após o nascimento ou após os dois primeiros anos de vida.

A sífilis congênita pode provocar complicações como parto prematuro, aborto espontâneo, cegueira, surdez, má-formação e morte na hora do nascimento. O ideal é que a mãe tenha um bom pré-natal e receba o tratamento adequado para evitar problemas graves.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2016 havia mais de meio milhão — aproximadamente 661 mil — de casos de sífilis congênita no mundo, resultando em mais de 200 mil natimortos e óbitos de recém-nascidos, tornando-se uma das principais causas de perda de bebês no mundo.

O boletim mais recente do Ministério da Saúde aponta que, em 2018, foram registrados 26,3 mil casos de sífilis congênita no país.


Atenção: O teste para a sífilis está disponível de forma gratuita, o ano inteiro, nos Centros de Saúde e nos Centros de Testagem. Todas as pessoas com vida sexual ativa devem realizar o teste.

Se você possui alguma dúvida em relação a sintomas e tratamento ligue para o Disk DST/Aids: 0800-162550.


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Isadora Osório
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta pelas boas energias da vida e seus aprendizados. Em constante busca por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar

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  1. […] Considerada a segunda infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum no mundo, a gonorreia afeta milhões de pessoas todos os anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada dia, há mais de 1 milhão de novos casos de ISTs curáveis entre pessoas de 15 a 49 anos — clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis. […]

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