DNA do Brasil: projeto mapeará genoma de 15 mil pessoas para prever e tratar doenças

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Liderado por uma pesquisadora brasileira, o projeto DNA do Brasil pretende identificar as principais características genéticas dos brasileiros para que seja possível, a partir dos dados coletados, prevenir e tratar doenças, além de mapear ancestrais da população.

A pesquisa, lançada no dia 10, será o primeiro projeto de sequenciamento de DNA em larga escala no Brasil. A intenção é que em cinco anos já tenham resultados significativos.

Hoje, os geneticistas não possuem nenhum tipo de bases de dados no Brasil que possam auxiliar a compreender mais sobre a saúde dos brasileiros. A pretensão do projeto é abrir os dados para a comunidade científica nacional e, no futuro, para a internacional. Os objetivos principais da pesquisa são atuar na descoberta de mutações genéticas específicas do brasileiro, de modo a identificar em que grau ele se diferencia de pessoas de outras localidades. Além disso, identificar a ancestralidade genética da população.

As descobertas poderão ser impulsos para inovações tanto na área de pesquisa genética quanto nos diagnósticos e tratamentos de doenças. Estudar os genes permite, por exemplo, saber quais são as variantes genéticas que influenciam em determinadas características, distúrbios e enfermidades.

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“Nosso projeto quer fazer um panorama geral da população brasileira como um todo, com um número grande de brasileiros para que a gente possa fazer pesquisas mais aprofundadas tanto sobre a saúde, a genética da nossa saúde, quanto também sobre a nossa origem, de como a gente se formou a partir desses grupos populacionais originais” disse a professora e líder do projeto, Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Agencia Brasil.


Um gene é constituído por segmentos de DNA. Uma alteração na sequência de DNA produz uma variante genética, que determina diversas características. Por isso, o mapeamento de DNA revela uma série de detalhes sobre o organismo, inclusive a possibilidade de desenvolver doenças.


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Foi a partir de testes deste tipo que levou a atriz Angelina Jolie a fazer uma mastectomia e a retirar os dois seios, já que descobriu o alto risco de sofrer um câncer de mama no futuro. Após a retirada dos seios, a atriz escreveu um artigo no The New York Times revelando que decidiu fazer outra cirurgia — para retirar os ovários e as trompas de Falópio — porque tem um gene que traz 50% de risco de desenvolver câncer de ovário.


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O projeto DNA do Brasil pretende mapear o genoma de 15 mil pessoas, com idades entre 35 e 74 anos, que já integram a amostra do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (Elsa), a maior pesquisa epidemiológica do país, financiada pelo Ministério da Saúde e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O Elsa abrange moradores dos estados da Bahia, de Minas Gerais, do Espírito Santo, Rio de Janeiro, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

Essas 15 mil pessoas têm sido acompanhadas clinicamente desde 2008 e agora as informações genéticas serão agregadas a esse banco de dados, conforme elas forem assinando o termo de consentimento para participação desse novo projeto. O sigilo delas está garantido, segundo a pesquisadora.

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