Gordura trans deve ser banida de alimentos industrializados até 2023

A Agência Nacional de Vigilância na Saúde (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (17), novas regras que visam limitar e até banir o uso de gordura trans em alimentos até 2023.

gordura trans, também conhecida como gordura vegetal hidrogenada, geralmente está presente nos alimentos industrializados. Ela é usada nos alimentos com o objetivo de melhorar a textura e aumentar o prazo de validade, conservando por mais tempo.

Segundo a Anvisa, a medida visa proteger a saúde da população, “uma vez que o consumo elevado dessas gorduras é nocivo à saúde por favorecer o surgimento de problemas cardiovasculares, como o entupimento de artérias que irrigam o coração, e aumentar o risco de morte por essas doenças”. A proposta de Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) foi aprovada por unanimidade, durante a 31ª Reunião da Diretoria Colegiada (Dicol), em Brasília (DF).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que ao menos 5 bilhões de pessoas em todo o mundo convivem com os riscos de desenvolver doenças associadas ao uso das gorduras trans industrial, causando cerca de 500 mil mortes a cada ano.


Perigos da Gordura Trans

• Aumento do colesterol total e do LDL – colesterol ruim.
• Diminuição nos níveis de HDL – colesterol bom.
• Aumento da gordura visceral, que se acumula na região abdominal.
• Aumento no risco de doenças como diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, sobrepeso e obesidade.
• Aumento no risco de entupimento das artérias.


Etapas da implementação das novas regras

As novas regras serão divididas em três fases para a implementação.

A primeira etapa terá como foco a imposição de limites de gorduras trans industriais na produção de óleos refinados, impondo o limite de 2% nesses produtos. O prazo para adequação é de cerca de 8 meses, ou seja, a restrição valerá a partir de 1º de julho 2021.

A outra fase será de restrição de gordura trans industrial para os demais alimentos, também com o limite de 2% de gorduras trans industriais do total de gordura presente nos alimentos em geral, industrializados e comercializados no varejo e atacado. A pretensão é ampliar a proteção à saúde, alcançando os produtos que são vendidos diretamente aos consumidores e oferecidos nos serviços de alimentação. Essa restrição vai começar entre 1º de julho de 2021 e 1º de janeiro de 2023.

No entanto, há uma exceção: a regra não valerá para alimentos destinados exclusivamente para fins industriais, portanto usados como matérias-primas.

Na última fase, a medida prevê a proibição do ingrediente gordura parcialmente hidrogenada, a principal fonte de gorduras trans industriais nos alimentos, a partir de 1º de janeiro de 2023.


Um alerta para a saúde

A indústria de alimentos utiliza a gordura trans há muito tempo, mas foi a partir dos anos 1990 que suspeitas e evidências dos riscos à saúde da população começaram a aparecer. Desde 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre esse ingrediente a e vem publicando recomendações e estratégias globais para reduzir o consumo de gordura trans, sendo a última de 2018.    

Hoje, 49 países já contam com medidas regulatórias. Entre eles estão Estados Unidos, Canadá, Chile, Argentina, África do Sul, Irã e nações da União Europeia.

Segundo a Anvisa, o volume de produção anual de gordura trans no Brasil caiu de 591.244 toneladas em 2013 para 516.525 toneladas em 2017. A estimativa é que, em 2026, a produção seja de 71.865 toneladas. Apesar da redução, o Brasil é o país das Américas com maior volume de produção de gordura trans, com quase 35% e superando os Estados Unidos.     


Quais alimentos são ricos em gordura trans?

Alimentos industriais, como:

  • Frituras;
  • Sorvetes;
  • Batata frita;
  • Hambúrguer congelado;
  • Salgadinhos;
  • Mistura prontas para bolos e bolachas;
  • Biscoitos recheados;
  • Margarina;
  • Comidas congeladas;
  • Pizzas congeladas;
  • Gordura vegetal;
  • Achocolatados e vitaminas prontas.

Além de outros alimentos industrializados.


No site do Ministério da Saúde também é possível acessar uma cartilha, o Guia Alimentar para a População Brasileira, lançado em 2014, com recomendações para uma alimentação saudável.

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

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