Brasileiros desenvolvem tecnologia para reconstrução craniana

Pesquisadores de oito instituições federais, estaduais e municipais desenvolveram uma tecnologia de reconstrução craniana, que poderá atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A técnica tradicional de reconstrução custa aproximadamente R$200 mil por paciente, tornando o procedimento inviável. No entanto, com esta nova tecnologia torna-se possível expandir a metodologia para atender a demanda da população no Sistema Único de Saúde (SUS), custando cerca de R$10 mil.

A necessidade de utilizar as próteses cranianas acontece a partir de problemas como tumores, Acidente Vascular Encefálico (AVE), encefalites, hemorragias cerebrais, traumatismos cranianos, entre outros casos. De acordo com o DataSUS, dependendo do procedimento, cerca de 2 mil a 3 mil processos de craniectomia descompressiva — método cirúrgico indicado para a redução imediata da pressão intracraniana — são realizados por ano no Brasil.

Segundo o pesquisador da FioCruz e coordenador da equipe, Renato Rozental, para que seja possível ampliar o acesso da população a este tipo de cirurgia, é preciso que haja uma redução significativa dos custos e materiais usados. O pesquisador explica que a cirurgia de reconstrução do crânio leva à melhora das funções neuropsicológicas do paciente, principalmente se realizada nos primeiros seis meses após o traumatismo. A demora pode gerar o agravamento das funções cognitivas e comportamental até sequelas, pela falta de proteção cerebral. 


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O molde é personalizado para cada paciente, e é realizado em impressora 3D a partir da ferida óssea com imagens de tomografia.

“A imagem tomográfica dá toda a dimensão do crânio. É calculada então a peça que está faltando e a impressora 3D faz o negativo ou molde correspondente. Por isso, se for necessário, dá para fazer um novo molde em um processo muito ágil, e pode ser esterilizado rapidamente. Isso permite que o paciente saia do centro cirúrgico já com uma nova prótese”, explicou Rozental para a Agência Brasil.

Somente este ano, foram feitos 32 moldes, sendo 23 para Pernambuco e nove para o Rio de Janeiro.

Na primeira fase, os pesquisadores atenderam pacientes civis e militares. Os militares foram vítimas de lesão por ferimento por projétil de arma de fogo. Já os civis, apresentavam tumores cerebrais, acidentes vasculares encefálicos, conhecidos como derrame, ou traumatismo cranioencefálico, que levaram ao aumento da pressão craniana.

O pesquisador também ressaltou que a prótese não foi colocada em animais, nem em laboratório, mas em pacientes que apresentavam defeitos ósseos extensos por terem sido submetidos a craniectomia descompressiva.

Com o patrocínio do Ministério da Saúde, o objetivo é montar uma unidade piloto de impressão 3D para poder abastecer os hospitais da rede do SUS e os hospitais militares de todo o país.

O projeto envolve a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz); a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a Universidade Federal Fluminense (UFF); o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); o Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); o Instituto de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro); o Hospital da Restauração, em Pernambuco; e o Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro.

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

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