Cientista que editou genes de bebês é condenado na China

O cientista He Jiankui, que surpreendeu o mundo em 2018 ao anunciar ter criado os primeiros bebês geneticamente modificados, foi condenado a 3 anos, na China. Segundo a agência de notícias estatal chinesa XinhuaNet, a prisão foi sob a alegação de ter violado as práticas médicas e a ética da profissão.

De acordo com o comunicado divulgado, ele também deverá pagar uma multa de 3 milhões de yuanes (R$ 1,7 milhão) após o Tribunal Popular do Distrito de Nanshan, em Shenzhen, o declarar culpado por prática médica ilegal.

O médico, em um vídeo de quatro minutos divulgado no Youtube, abalou a comunidade científica ao provocar discussões sobre a manipulação do DNA humano. He jiankui afirmou que ele e sua equipe da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul criaram os primeiros bebês editados geneticamente do mundo – as gêmeas Lulu e Nana – nomes fictícios divulgados.

No vídeo, ele conta que a mãe iniciou a gravidez com fertilização in vitro regular, mas com uma diferença: logo após enviar o esperma do pai para os óvulos, também foi enviada a proteína CRISPR-Cas9 e instruções para realizar uma cirurgia genética destinada a proteger as meninas de futuras infecções por HIV. O cientista explicou que a cirurgia reproduziu uma variação genética natural compartilhada por mais de 100 milhões de pessoas de origem principalmente europeia que confere forte resistência à infecção inicial pelo HIV e à progressão da doença.

Médico chines He Jiankui, em vídeo publicado no Youtube.

As alterações genéticas foram realizadas com a ferramenta chamada CRISPR-cas9, que possibilita editar o DNA de maneira relativamente fácil e com elevada precisão.

Embora a técnica de edição do genoma tem sido estudada em células humanas e em ensaios clínicos iniciais, a cirurgia genética em embriões destinados à gravidez não foi relatada anteriormente. No entanto, a prática provoca preocupação sobre a segurança e possíveis alterações não intencional no genoma.


CRISPR: a técnica que está revolucionando a medicina – e o mundo

Nova ferramenta do CRISPR pode tornar a edição do genoma mais precisa e segura


O médico He Jiankui afirmou no vídeo que os dados obtidos indicam que os ‘genomas’ das meninas foram alterados conforme pretendido pela cirurgia.

Além de He, ex-professor da Universidade de Ciência e Tecnologia de Shenzhen, outros dois cientistas foram condenados por terem participado do experimento, Zhang Renli (dois anos de prisão) e Qin Jinzhou (18 meses).

Segundo o relatório da investigação, em junho de 2016 ele iniciou o projeto e organizou uma equipe que incluía alguns membros estrangeiros. Com um falso certificado de revisão ética, ele recrutou oito casais voluntários (os homens tinham resultado positivo para o anticorpo HIV, já as mulheres tinham resultado negativo) e realizaram experimentos de março de 2017 a novembro de 2018.

A agência Xinhua mostra que duas voluntárias estavam grávidas. Uma deu à luz as gêmeas Lulu e Nana, e outra ainda está grávida. Um outro casal abandonou o experimento no meio do caminho e os outros cinco casais não conceberam.

A edição dos genes de embriões destinados à gravidez é proibida em muitos países, inclusive nos Estados Unidos. No Reino Unido, os embriões só podem ser editados para fins de pesquisa com aprovação estrita da regulamentação. Ainda não se sabe se o procedimento é seguro ou, se usado na gravidez, se pode ter consequências indesejadas para os bebês a longo prazo ou para as gerações futuras.


Isadora Osório
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta pelas boas energias da vida e seus aprendizados. Em constante busca por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar

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