Inteligência artificial é mais precisa na detecção de câncer de mama do que médicos

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Sistema de Inteligência artificial (IA) mostrou maior precisão na identificação de câncer de mama a partir de mamografias do que os médicos, segundo estudo publicado na revista Nature, liderado pelo Google Health. Os pesquisadores por trás da tecnologia esperam que o sistema possa ser amplamente utilizado para melhorar os atendimento ao câncer.

O diagnóstico precoce do câncer aumenta as chances de sucesso do tratamento. A mamografia digital, ou imagem de raios-X da mama, é o método mais comum para o rastreamento. A triagem é realizada para detectar o câncer na fase inicial de mulheres que não apresentam sinais óbvios da doença. Como o câncer geralmente é oculto ou mascarados nos exames pela sobreposição de tecido mamário, essa tarefa de análise de imagem torna-se desafiadora.

Este problema foi um estímulo para desenvolver sistemas de Inteligência Artificial baseados em computador para melhorar o diagnóstico e a precisão do rastreamento. Os resultados iniciais do sistema descobriram que a IA era capaz de reduzir o número de falsos positivos e falsos negativos na detecção da doença.

“Essas descobertas mostram que nosso modelo de IA detectou câncer de mama em mamografias de rastreamento não identificadas (onde as informações identificáveis ​​foram removidas) com maior precisão, menos falsos positivos e menos falsos negativos do que os especialistas”, escreveu a líder técnica do Google Health, Shravya Shetty.

O gerente de produto da saúde do Google, Dr. Daniel Tse, também escreveu. “Isso prepara o terreno para futuras aplicações em que o modelo poderia potencialmente apoiar radiologistas na realização de exames de câncer de mama”.

Resultados

Os pesquisadores descobriram que a Inteligência Artificial foi capaz de reduzir a porcentagem de mamografias falsas negativas em 5,7% nos Estados Unidos e 1,2% no Reino Unido. Além disso, mostrou redução de falsos negativos em 9,4% nos EUA e 2,7% no Reino Unido

Como foi feito?

Os pesquisadores treinaram o sistema de Inteligência Artificial em mamografias não identificadas de mais de 76.000 mulheres no Reino Unido e 15.000 mulheres nos EUA. 

Durante o estudo, o sistema foi avaliado em um conjunto diferente de dados não identificados, provenientes de 25.000 mulheres no Reino Unido e mais de 3.000 mulheres nos EUA. 

O sistema foi usado para identificar a presença da doença em mamografias de mulheres que tiveram resultado positivo para câncer de mama comprovado por biópsia ou resultados normais de imagem de acompanhamento pelo menos 365 dias depois. Esses resultados são o padrão amplamente aceito para confirmar o status do câncer de mama em pessoas submetidas à triagem da doença. Os autores relatam que o sistema de IA superou as decisões históricas tomadas pelos radiologistas que avaliaram inicialmente as mamografias.


Embora os resultados sejam otimistas, os cientistas acreditam que serão necessários ensaios clínicos para avaliar melhor utilidade dessa ferramenta na prática médica. É importante destacar que o estudo não incluiu todas as diferentes tecnologias de mamografia atualmente em uso, e a maioria das imagens foi obtida usando um sistema de mamografia de um único fabricante. O estudo incluiu exemplos de dois tipos de mamografia: tomossíntese (também conhecida como mamografia 3D) e mamografia digital convencional (2D). Seria útil saber como o sistema funcionava individualmente para cada tecnologia.

Além disso, de acordo com os pesquisadores, será preciso também desenvolver um mecanismo para monitorar o desempenho do sistema de IA à medida que aprende com os casos encontrados, como ocorre nos algoritmos de aprendizado de máquina. Essas métricas de desempenho precisariam estar disponíveis para os usuários dessas ferramentas, caso o desempenho se deteriorasse com o tempo.

A ferramenta foi realizada pela equipe do Google Health em colaboração com a empresa DeepMind, do Centro Imperial de Pesquisa do Câncer do Reino Unido, da Northwestern University e do Royal Surrey County Hospital.


A doença

O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. 

Há vários tipos de câncer de mama. Por isso, a doença pode evoluir de diferentes formas. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem a característica próprias de cada tumor. 

O câncer de mama é o tipo mais comum de câncer em mulheres, com uma taxa de uma em cada oito mulheres nos EUA desenvolvendo a doença em algum momento de sua vida, de acordo com a National Breast Cancer Foundation . A detecção e o tratamento precoces estão associados a melhores taxas de sobrevivência. 

No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer, em 2018 foram registrados 59.700 casos de câncer de mama em mulheres.

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