Segunda morte associada ao consumo da cerveja Belorizontina é confirmada

A Polícia Civil confirmou mais uma morte por síndrome nefroneural, associada ao consumo da cerveja pilsen Belorizontina, da Cervejaria Backer. A vítima sofreu complicações decorrentes do quadro de insuficiência renal e alterações neurológicas causado pela intoxicação por uma substância encontrada em amostras da bebida, o dietilenoglicol.

A suspeita de um terceiro caso fatal ainda não foi confirmada nem pela Polícia Civil, nem pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais.

“O que estou pedindo é que não bebam Belorizontina, qualquer que sejam os lotes”, afirmou a diretora executiva da cervejaria Backer, Paula lebbos, em entrevista coletiva, na sede da cervejaria, na Região Oeste de Belo Horizonte, na terça-feira (14).

A declaração foi feita após informações sobre a contaminação na cerveja, que a partir de exames laboratoriais realizados pela Polícia Civil de Minas Gerais, foi identificado a presença da substância Dietilenoglicol nas amostras.

Até o dia 14 de janeiro, foram notificados 17 casos suspeitos de intoxicação exógena por Dietilenoglicol, desses, 16 são do sexo masculino e 1 feminino. Uma morte e três casos confirmados, e os 13 restantes continuam sob investigação.

Entenda o caso

Na segunda-feira (13), o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou que a Cervejaria Backer realize recall de todas as cervejas e chopes da empresa e suspenda a venda de qualquer produto produzido a partir de outubro de 2019. A decisão foi tomada após 17 pessoas serem hospitalizadas em Minas Gerais com sinais de intoxicação pelo consumo da cerveja Belorizontina, um dos produtos da marca.

A investigação começou a partir da notificação de um caso de paciente com insuficiência renal aguda e alterações neurológicas de etiologia, que havia sido internado em hospital da rede privada de saúde do município de Belo Horizonte. No dia 31 de dezembro, foi notificado um segundo caso com a mesma sintomatologia, internado em hospital filantrópico do município de Juiz de Fora.

A partir das notificações, exames laboratoriais foram solicitados realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). Os resultados indicaram que os pacientes notificados apresentaram os primeiros sintomas após ingerir a cerveja “Belorizontina” da marca Backer. Os sintomas clínicos dos pacientes levantaram a hipótese de intoxicação exógena por Dietilenoglicol (DEG)

Os 17 casos da síndrome nefroneural notificados estão distribuídos em 12 casos em Belo Horizonte e os demais 5 casos contabilizam registros em Ubá, Viçosa, São Lourenço, Nova Lima e São João Del Rei.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais destacou que continuará a investigação epidemiológica e clínico-laboratoriais dos casos.

Ministério da Agricultura determinou que a Backer retire de circulação todas as cervejas e chopes produzidos desde outubro de 2019 .

Cervejaria Backer

Desde que as suspeitas de contaminação das cervejas Belorizontina vieram a público, a cervejaria Backer afirma que não utiliza dietilenoglicol em sua fábrica. Em nota divulgada segunda-feira (13), a Backer promete prestar a ajuda necessária aos pacientes e suas famílias.

“A empresa prestará o suporte necessário, mesmo antes de qualquer conclusão sobre o episódio. Desde já, se coloca à disposição para o que eles precisarem”, informa a cervejaria, que garantiu colaborar, “sem restrições”, com as investigações. A empresa também informou que está tomando as medidas necessárias à apuração do que aconteceu. “Na semana passada, solicitamos uma perícia independente e aguardamos pelos resultados.

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

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