Arenavírus: entenda o caso confirmado de febre hemorrágica em São Paulo

Um homem de 53 anos, morador de Sorocaba, em São Paulo, morreu após 12 dias de internação em diferentes hospitais, com sintomas e características de febre amarela. Os exames, no entanto, não confirmaram a doença. Análises genéticas avançadas encontraram a chamada febre hemorrágica brasileira, causada pelo arenavírus, que não aparecia no Brasil há mais de 20 anos.

A doença é considerada extremamente rara e de alta letalidade, e o tratamento é de acordo com o quadro clínico e sintomas do paciente.

Segundo a assessoria do Ministério da Saúde, o homem não apresentava histórico de viagem internacional e a origem da contaminação ainda não foi confirmada. Ele deu entrada, no dia 30 de dezembro, em um hospital no município de Eldorado, localizado a cerca de 250 quilômetros da capital paulista. No período, foi submetido a exames que descartaram outras doenças transmissíveis, como febre amarela, hepatites virais, leptospirose, dengue e zika.

O que é o arenavírus?

Os exames realizados pela equipe do Laboratório de Técnicas Especiais – LATE do Hospital Israelita Albert Einstein identificaram um novo vírus do gênero Mammarenavirus, pertencente à família Arenaviridae, ainda sem espécie definida.

Os arenavirus são vírus conhecidos por infectar roedores e, ocasionalmente, seres humanos e outros animais. Seus sintomas variam, mas se manifestam de forma muito parecidas com os da febre amarela. Podem ser transmitidos via contato com mucosas de pessoas infectadas. A principal precaução é não entrar em contato com urina e fezes de ratos e roedores.

Diagnóstico

Os sintomas do paciente eram muito similares aos da febre amarela: estado febril, hemorragia e confusão mental, além de hepatite – uma das complicações da febre amarela – doença causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti.

No entanto, após as amostras serem enviadas ao laboratório, foi possível identificar o novo vírus. A técnica de diagnóstico funciona a partir da extração de todo o material genético da amostra de sangue. Este material é encaminhado para sequenciadores, que fazem a identificação e a leitura das suas bases nitrogenadas: as letras A (adenina), C (citosina), T (timina) e G (guanina). A partir disso, um arquivo com essas bases é gerado.

Este resultado vai então para a etapa de bioinformática, ou seja, com esse arquivo – que é único para cada organismo – busca-se uma combinação nos bancos de dados com material genético depositado por outros pesquisadores de todo o mundo.

Nesta fase foi identificado o vírus. O teste foi criado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e é capaz de detectar vírus responsáveis por diversas doenças.

Fonte: Ministério da Saúde.

Qual a situação atual?

Em entrevista à imprensa, o Ministério da Saúde tentou tranquilizar a população sobre a transmissão da febre hemorrágica no país. O diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis da pasta, Júlio Croda, afirmou que a maior preocupação tem sido com os profissionais de saúde que tiveram contato direto com a vítima. Os funcionários dos hospitais por onde o paciente passou estão sendo monitorados, e avaliados. O diretor também esclarece sobre novas possíveis vítimas.

“O número de pessoas que entraram em contato com esse paciente, a gente pode falar de maneira geral, entre 100 e 150 pessoas que tiveram contato. E são essas pessoas que estamos monitorando a partir de agora, principalmente os profissionais de saúde” – afirmou.

Até o momento, de acordo com último Boletim Epidemiológico e as investigações, está registrado um único caso restrito a uma região do país.

Sintomas

Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, os principais sintomas são febre, mal-estar, dores musculares, manchas vermelhas no corpo, dor de garganta, no estômago e atrás dos olhos, dor de cabeça, tonturas, sensibilidade à luz, constipação e sangramento de mucosas, como boca e nariz.

Além disso, caso haja evolução da doença pode haver comprometimento neurológico (sonolência, confusão mental, alteração de comportamento e convulsão).


IMPORTANTE: Em caso suspeita, é preciso procurar atendimento médico e relatar ao profissional de saúde a história de contato com roedores silvestres, pessoas doentes, ou ainda história de viagens, presença em fazendas, parques ou atividades de ecoturismo.

Isadora Osório Silveira
Jornalista pela ESPM-Poa. Entusiasta por desafios, evolução e networking. Atualmente, em especialização na área da saúde e bem-estar.

Faça um comentário

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados

Redes Sociais

3,518FãsCurtir
603SeguidoresSeguir
56SeguidoresSeguir

Atualizações