Existe solução para os crescentes custos com saúde?

A saúde é sempre uma preocupação, tanto das pessoas quanto dos governos e empresas. Uns porque estão sofrendo com alguma doença, outros porque querem reduzir os custos com tratamentos e todo o impacto de uma população cada vez mais doente.

A notícia de uma maior longevidade é animadora, inclusive com projeções recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), que afirma que o ano de 2019 foi um marco no processo de envelhecimento da população global, pois pela primeira vez na história, o número de idosos de 65 anos e mais de idade será superior ao número de crianças pequenas de 0 a 4 anos.

Por outro lado, viver mais anos com limitações de locomoção, ou outras privações, não parece uma boa notícia, pois o fenômeno da transição demográfica dá-se pela transformação do comportamento humano e não por uma melhor saúde das pessoas. Vivemos mais porque aumentou nosso conhecimento sobre higiene e saneamento básico, reduzindo mortes por motivos infecciosos; aumentou a produção em escala e a industrialização dos alimentos, facilitando o acesso a comida; avançamos tecnologicamente para apoiar a medicina do diagnóstico, dos tratamentos e medicamentos, reduzindo de mortes precoces ou permitindo uma maior sobrevida, ao mesmo tempo que a conta só aumenta.

O reajuste do preço dos medicamentos, a crescente sinistralidade dos planos de saúde, o adoecimento das pessoas, o aumento da fila nas emergências, a falta de leitos hospitalares, são alguns dos problemas da saúde conhecidos por todos, noticiados diariamente nos principais noticiários.

Os custos com saúde são a segunda maior conta da maioria das empresas, ficando atrás apenas da folha de pagamento. A Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS) regula o aumento apenas de planos individuais, tendo um índice de 7,35% em 2019, sendo que a inflação do país fechou em 4,31%. O Instituto de Estudos da Saúde Suplementar (IESS) acompanha a Variação do Custo Médico Hospitalar – VCMH, que em dezembro de 2018 estava em 17,3%.

Outro cenário que acompanha as notícias de longevidade são os crescentes índices doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade. Conforme estimativas do Ministério da Saúde, no Brasil, as DCNT são responsáveis por 74% do total de mortes, com destaque para doenças cardiovasculares, as neoplasias, as doenças respiratórias e o diabetes. Um pequeno conjunto de fatores de risco modificais responde pela grande maioria das mortes por estas enfermidades, como o tabagismo, o consumo alimentar inadequado, a inatividade física e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas (WHO, 2014). Além disso, a obesidade e a hipertensão, fazem parte deste cenário trágico.

O Brasil possui dados recentes publicados no Vigitel, um sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) do Ministério da Saúde, com estimativas sobre tabagismo, excesso de peso e obesidade, consumo alimentar, prática de atividade física, o hábito de consumo de bebidas alcoólicas e a prevenção de câncer.

Conforme este estudo, o tabagismo tem reduzido consideravelmente no Brasil, que em 2006, 15,7%, dos brasileiros afirmavam ter o hábito de fumar, contra 9,3% em 2018. Inclusive, o país  é exemplo para a Organização Mundial da Saúde (OMS), na implementaram ações governamentais de sucesso para a redução do consumo de tabaco. Entretanto, algumas capitais ainda têm dificuldade de vencer este desafio, como Porto Alegre (17,3%), Campo Grande e São Paulo (15,6%), em que a frequência de fumantes encontrada ainda é expressiva.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou em 2018 o primeiro relatório, “Saving lives, spending less: a strategic response to NCDs” (“Salvando vidas, gastando menos: uma resposta estratégica às DCNTs”, tradução livre) para mostrar possíveis iniciativas e os retornos sobre o investimento das políticas rentáveis e viáveis. O foco do documento são os países, mas pode ser adaptado as empresas que querem investir na melhoria da saúde de seus empregados, reduzindo os atestados, afastamentos e custos com planos de saúde.

O relatório da OMS mostra que, para cada US$ 1 investido na ampliação de ações para tratar as DCNTs, haverá um retorno à sociedade de pelo menos US$ 7 em redução de mortes prematuras, aumento de empregos, produtividade e longevidade até 2030.

Inspirada nesta problemática, proponho uma série de artigos que ajudarão a reflexão e a trazer sugestões de ações que as empresas podem realizar para apoiar a melhora da saúde das pessoas e a controlar os custos com saúde corporativa. Não são fórmulas mágicas, exemplos de boas práticas no Brasil e no Mundo.

Espero que gostem!


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Diana Indiara Ferreirahttps://infohealth.com.br
Mestre em gestão e negócios pela Unisinos e em Administration des Enterprises pela Université de Poitiers (França). Especialista em Gestão de Saúde, com Pós-MBA em negociação e em Inteligência Competitiva.

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