Coronavírus e a indústria de novas tecnologias em saúde

Mais uma vez o mundo passa por uma crise na saúde: um surto de uma espécie de coronavírus até então desconhecida. As doenças infecciosas representam uma ameaça global crescente em nosso mundo interconectado. Mais frequentes e graves nos últimos 20 anos do que em qualquer outro momento da história, essas doenças estão florescendo dentro de uma nova realidade de viagens, urbanização e mudanças climáticas globais.

Os coronavírus são uma grande família de vírus que causam doenças que variam do resfriado comum, até mais graves como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio e a Síndrome Respiratória Aguda Grave. Nesse momento estamos vivendo justamente uma epidemia por uma cepa a qual ainda não fora previamente identificada em humanos.

Os coronavírus são zoonóticos, isto é, transmitidos entre animais e pessoas e são endêmicos em várias espécies. Vários coronavírus são conhecidos e estão circulando em animais que ainda não infectaram humanos. Sinais comuns de infecção incluem sintomas respiratórios, febre, tosse, falta de ar e dificuldades respiratórias. Nos casos mais graves, a infecção pode causar pneumonia e a temida síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e até a morte.

A letalidade tem se mostrado baixa, aparentemente não ultrapassando 2-3% e ocorrido em pessoas com sistemas imunológicos fragilizados, como doentes de câncer e com outras doenças crônicas graves, notadamente entre os mais idosos.

Até aqui pouca novidade. Entre os mais céticos, notadamente técnicos e conhecedores de saúde pública, esse surto de coronavírus aparenta ser menos letal em relação aos últimos surtos orientais como a gripe suína. No entanto, é preciso levar em consideração as consequências ainda desconhecidas no médio e longo prazo.

Além do pânico geral, inclusive com casos suspeitos no Brasil, o que esse surto trouxe de realmente novo foi o poder da Inteligência Artificial e seus algorítimos, através de uma startup, a BlueDot. A empresa enviou um e-mail para as organizações de saúde e companhias aéreas no dia 31 de dezembro de 2019, alertando para que evitassem a região de Wuhan, na China, a qual fora confirmada mais tarde como principal foco epidêmico.

Como a empresa avisou sobre o coronavírus?

O princípio parece simples: rastrear notícias através de múltiplas fontes em mais de 60 idiomas, redes de pesquisa em saúde, comunicados oficiais de empresas, desde o agronegócio e até grupos de discussão diversos. Com esse conjunto enorme de informações, que em nossa nova linguagem conhecemos por “big data”, os algorítimos filtram o que é relevante, através de Inteligência Artificial, alertando com uma arma que se espalha mais rapidamente que as doenças: conhecimento e informação.

O Brasil não fica atrás nessa aventura de prever surtos de doenças com tecnologia. Tendo como lema: “…we love diseases, but we have to kill them!”. Algo como, em tradução livre: “…amamos doenças, mas temos de exterminá-las!”, a Epitrack faz bonito. Ainda no site da startup, vê-se: “através da nossa expertise em epidemiologia, extraímos conhecimento, resolvemos problemas e promovemos mudanças positivas”. Usando Inteligência Artificial, Machine Learning e o conceito de epidemiologia computacional, aliados a muito conhecimento trazido da sua constituição, tendo nascido dentro da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz – Pernambuco).

“Ao compartilhar e descrever os sintomas nas plataformas, os usuários fornecem dados que ajudam a Epitrack na construção de mapas interativos, mostrando como as doenças se comportam no território.”.

Assim, usando informações baseadas em crowdsourcing (pessoas alimentando informações – bigdata) e inteligência epidemiológica, desenvolveu a primeira plataforma mundial de vigilância participativa em eventos de massa: o “saúde na copa”, além de outras, notadamente internacionalmente, com destaque para o “Flu Near You” (EUA e Canadá).

Confesso que quando vi o CEO, o pernambucano Onício Leal apresentando sua Startup na StartSe HealthTeach, tive aquele click de que a medicina pode muito mais, através das pessoas e conhecimento, atrelados a tecnologia – vejam o vídeo.

Até aqui falamos do surto e de tecnologia, mas voltemos a falar de saúde.

Atentemos que mãos contaminadas é que ‘passam’ doenças, não necessariamente o ar e partículas suspensas, mas além de lavar e higienizar as mãos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem recomendações práticas para todos nós, descritas abaixo.

  • Limpe as mãos com frequência, higienizando-as com produtos à base de álcool, ou sabão e água;
  • Ao tossir e espirrar, cubra a boca e o nariz com cotovelo flexionado, ou papel descartável – jogue o papel fora imediatamente e lave as mãos;
  • Evite contato próximo com quem tem febre e tosse;
  • Se você tiver febre, tosse e dificuldade em respirar, procure atendimento médico com antecedência e compartilhe o histórico de viagens anteriores com seu médico;
  • Ao visitar mercados públicos em áreas com casos de novos coronavírus, evite o contato direto desprotegido com animais vivos e superfícies em contato com animais;
  • O consumo de produtos de origem animal crua ou mal cozida, deve ser evitado. Carne crua, leite ou órgãos de animais devem ser manuseados com cuidado, para evitar a contaminação cruzada com alimentos não cozidos, conforme boas práticas de segurança alimentar.

Muita saúde, amigos tecnológicos!


Rio prepara plano de contingência do coronavírus para o carnaval

OMS declara coronavírus emergência de saúde pública internacional

Alexandre Parmahttps://infohealth.com.br
Médico radiologista e entusiasta de tecnologia. Fundador da hygia bank

Faça um comentário

Deixe seu comentário

Artigos Relacionados

França detecta nova variante do coronavírus que escapa do teste PCR

A Organização Mundial de Saúde (OMS) colocou esta nova mutação na categoria de "variante sob investigação" (VUI, sigla em inglês), devido à observação de vários pacientes apresentando sintomas típicos da infecção por SARS-CoV-2, mas com resultado do teste RT-PCR negativo.

Redes Sociais

3,814FãsCurtir
603SeguidoresSeguir
56SeguidoresSeguir

Atualizações