Desafios na saúde: qual estratégia sua empresa pode usar para enfrentá-los?

Em meio a declarada de pandemia do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e a preocupação de todos sobre precauções, impactos, prevenções e possíveis tratamentos, trago olhar para a gestão da saúde corporativa. O que sua empresa está fazendo neste sentido?

  • Cancelando viagens internacionais? Evitando aglomerações?
  • Orientando os empregados sobre o que são fake news e orientações corretas de higiene e como conduzir em situações de suspeita? O governo criou um site dedicado exclusivamente sobre esta temática, e várias empresas têm disponibilizado orientações seguras e materiais gráficos para divulgação entre os trabalhadores, como no site do Serviço Social da Indústria.
  • Promovendo a vacinação contra gripe? O próprio Ministério da Saúde informa que “mesmo diante da não eficácia da vacina de Influenza contra o coronavírus, é uma forma de auxiliar os profissionais de saúde a descartarem as influenzas na triagem e acelerarem o diagnóstico para a Covid 19”.

São iniciativas importantes e como influenciadores e responsáveis pela saúde de um grupo de pessoas, é imprescindível atuar da forma mais correta, e principalmente, evitar pânico.

A responsabilidade das empresas, frente a situação de saúde dos empregados, perpassa pela educação em saúde, pois ultrapassa as paredes da empresa e impacta famílias e comunidade local.

Assim, retomando as “dicas” de como fazer gestão dos custos de saúde corporativa, a primeira, mais simples e primordial sugestão é estimule hábitos saudáveis na sua empresa! Investir em programas de educação em saúde, no empoderamento do indivíduo quanto ao autocuidado com a própria saúde, a consciência sobre a correta atitude preventiva e até em como agir em possível adoecimento, faz parte da promoção da saúde no ambiente de trabalho, base para prevenir os adoecimentos e reduzir o impacto de diversas patologias, atuando em todos os empregados, tanto os saudáveis quanto aqueles com alguma situação de saúde, o impacto será exponencial!

Esta atitude parece simples, perpassa pelo estímulo da atividade física, da alimentação saudável e pelo estímulo ao cuidado com a saúde mental, mas tem grande resultado na prevenção do adoecimento, como foi mencionado no meu primeiro artigo, um pequeno conjunto de fatores modificais pode evitar a grande maioria das mortes por Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT).

E quando se fala em atividade física, não precisa ser o estímulo ao esporte, mas a redução do sedentarismo, a prática de atividades de lazer ao ar livre com familiares e animais de estimação, como andar de bicicleta, dançar, circular por praças e parques, ou adotar mais movimentos no dia-a-dia, como caminhadas, subir escadas ao invés de usar elevadores, ficar em pé com maior frequência. A OMS (2018) alerta que “mais de 1,4 bilhão de adultos correm risco de desenvolver doenças por inatividade física em todo o mundo”, inclusive propõe um plano de ação mundial para promover a atividade física e a saúde entre 2018 e 2030. Recomendo assistir ao documento Vida em Movimento, que “discute o estilo de vida pós-moderno adotado por inúmeras sociedades em todas as grandes metrópoles mundiais, em busca de soluções regionais que possam ajudar a compreender melhor a realidade brasileira”.

A alimentação saudável, deve fugir de qualquer radicalismo, e é preciso entender de um ponto de vista de saúde coletiva. Estimular e oferecer mais alimentos “sem embalagens”, com menos açúcar e refinados, iniciando pelo que é consumido dentro empresa, no refeitório, por exemplo, nos lanches de coffee break, o que é oferecido aos profissionais do turno da noite, a orientação sobre o acondicionamento e composição das marmitas que os empregados levam, as saladas em potes, as frutas como “fast food natural”. A OMS (2019) sugere que a cada dólar investido em promoção de dietas saudáveis gera um retorno de até US$ 12.82.

O estresse, a ansiedade, a depressão, o suicídio, as doenças psicossomáticas, o burnout e tantas outras efermidades relacionadas a Saúde Mental são no mínimo pontos de atenção, pois estão entre as principais causas de afastamentos do trabalho, além de serem preocupações recorrentes e atuais da maioria de nós. Algo que era desconhecido ou ignorado até pouco empo atrás, mas tem sido assunto recorrente em redes de amigos e no ambiente laboral. A compulsão alimentar, relacionada a obesidade pode ter vínculo com questões de saúde mental. Da mesma forma que o consumo de álcool e outras drogas. O vício em jogos e redes sociais, o endividamento, e tantos outros sintomas demonstram que estamos (como sociedade) adoecendo.

A atividade física tem sido um recurso estudado e comprovado como apoio na prevenção e até tratamento de doenças relacionadas a saúde mental. Além da qualidade do sono, das meditações, dança/arte e musicoterapia, também estão no rol de possibilidades simples que podem apoiar nesta temática. Mas é importante entender que algumas situações precisam de estratégias específicas, e orientação de profissional capacitado, como médicos e psicólogos.

Dentro das empresas é possível capacitar as lideranças a saberem identificar fatores de risco e de proteção para situações como estas, apoiando-os na administração,  acompanhamento e suporte a pessoas em situações fragilizadas. Também é possível oferecer atendimento com assistente sociais ou psicólogos, estruturar programas de gerenciamento do estresse e saúde emocional no ambiente de trabalho; são opções para enfrentar este desafio.

Acima de tudo, o importante é conhecer os trabalhadores da sua empresa, o que pode ser feito analisando os dados de consumo do plano de saúde, utilizar alguma ferramenta de mapeamento e diagnóstico do perfil de saúde de populações, ou talvez o mais fácil seja utilizar o resultado dos exames/consultas periódicas de Saúde Ocupacional, acompanhando os motivos de afastamento (absenteísmo) por saúde (CID, médicos que emitiram os atestados, maiores queixas, etc) também são recursos importante.

Uma temática que vamos aprofundar mais nos próximos artigos.


Veja mais:
Existe solução para os crescentes custos com saúde?
O futuro já impacta na mudança dos serviços de saúde

Diana Indiara Ferreirahttps://infohealth.com.br
Mestre em gestão e negócios pela Unisinos e em Administration des Enterprises pela Université de Poitiers (França). Especialista em Gestão de Saúde, com Pós-MBA em negociação e em Inteligência Competitiva.

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