Amamentação X coronavírus: qual a orientação?

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Com o avanço desenfreado do novo coronavírus no mundo, as dúvidas sobre a doença não param de surgir. Visto que a maioria das informações disponíveis sobre o Covid-19 ainda não existem evidências científicas, as inseguranças abatem não somente os grupos de risco, mas também grávidas, pais com filhos pequenos e, principalmente, mães que ainda realizam a amamentação.

Com as diferentes orientações indicadas para a prevenção contra o vírus entre os grupos, uma pergunta surge frequentemente: a amamentação deve ser mantida?

O Ministério da Saúde, junto com inúmeras outras instituições como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Departamento Científico de Aleitamento Materno e a Febrasgo, participaram da elaboração da Nota Técnica Nº 7/2020 se posicionando sobre o assunto. O texto traz orientações direcionadas ao Centro de Operações de Emergências para o Coronavírus (COE-Covid-19), a serem adotadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a amamentação em situação de risco iminente de transmissão do respectivo vírus, em situações que a mãe apresente sintomatologia compatível com síndrome gripal.

De acordo com o documento, ainda não há evidência científica publicada que estabeleça uma relação entre a transmissão do coronavírus e a amamentação. Por isso, não existe consenso nas recomendações para mães portadoras ou sob suspeita.

O único estudo clínico disponível sobre transmissão vertical do vírus, realizado com seis pacientes com pneumonia causada pelo COVID-19, pesquisou a presença do vírus em amostras de líquido aminótico, sangue do cordão umbilical, leite materno e swab da orofaringe do recém-nascido demonstrando não haver presença do vírus nessas secreções.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia publicou uma nota destacando que os benefícios da amamentação superam quaisquer riscos potenciais de transmissão do vírus através do leite materno.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) também orienta a manutenção da amamentação por falta de elementos que comprovem que a possibilidade de disseminar o novo coronavírus a partir da amamentação.


Cuidados na amamentação

Segundo o presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Luciano Borges Santiago algumas medidas preventivas devem ser tomadas nesse momento. “As medidas com maior rigor devem ser para as mães identificadas como casos confirmados ou suspeitos – que ainda podem estar no período de incubação. O leite materno deve ser mantido, com os devidos cuidados de higiene respiratória e das mãos, porque os dados até o momento indicam que seus inúmeros benefícios superam os possíveis riscos”.

O pediatra ressalta ainda que as mães que estão com outras viroses ou outras doenças respiratórias, que não a COVID-19, também devem ter os mesmos cuidados. “Já as mães lactantes sadias, devem fazer apenas higiene habitual, mas reforçamos atenção especial para com a higiene das mãos”, reforça.

Outra recomendação é que todas as pessoas sadias que tiverem contato com os bebês, devem intensificar a lavagem das mãos com água e sabão, além do uso de álcool gel. “E, claro, que todos os que podem evitem sair de casa”, conclui.


Orientações

Confira algumas precauções que devem tomadas para que a mãe não transmita o vírus por meio de gotículas respiratórias durante o contato com a criança.

  • Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora);
  • Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) e evitar falar ou tossir durante a amamentação;
  • A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;
  • Em caso de opção pela extração do leite, devem ser observadas as orientações disponíveis na “Cartilha para a mulher trabalhadora que amamenta”, produzido pelo Ministério da Saúde;
  • Seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das bombas de extração de leite após cada uso;
  • Considerar a possibilidade de solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer o leite materno em copinho, xícara ou colher ao bebê. É necessário que a pessoa que vai oferecer ao bebê aprenda a fazer isso com a ajuda de um profissional de saúde.

É importante destacar que as recomendações são todas baseadas em evidências disponíveis até o momento, e estão sujeitas a mudanças mediante novas informações e estudos científicos.


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