Aumento do consumo de álcool no isolamento social preocupa

Estar em casa durante o período de isolamento social não é uma tarefa fácil. A falta de perspectiva sobre a situação, a saudade do contato com amigos e familiares, a rotina diferente do trabalho, além de outras atividades, acabam causando ansiedade e sentimentos que levam para o aumento do consumo de álcool.

E não é somente a quantidade, mas também a frequência do consumo acabam preocupando especialistas. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Renata Brasil Araújo, o exagero de bebidas alcoólicas pode causar diversos problemas, como diminuir a ativação do freio do cérebro, chamado de lobo pé-frontal. As pessoas ficam anestesiadas, mas um efeito colateral é o aumento da impulsividade. “Como essa parte do freio do cérebro não está funcionando muito bem, a pessoa fica mais impulsiva, mais intolerante. Se houver intervenção de alguém da família no sentido de parar de beber, isso por si só já gera um descontentamento e uma reação”, advertiu em entrevista para a Agência Brasil.

Renata Brasil Araújo destacou que algumas pessoas podem manter esse hábito pós-quarentena e, a longo prazo, isso pode vir a se transformar em uma dependência, que tem um componente biopsicossocial. “Aquelas pessoas que já têm uma vulnerabilidade biológica e uma predisposição genética para o alcoolismo, junto com uma capacidade emocional mais frágil estão mais suscetíveis a seguirem bebendo após a quarentena e se transformarem em dependentes do álcool, sim”, analisou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou preocupação sobre o assunto, destacando como o álcool é nocivo à saúde em geral, além de ser conhecido por aumentar o risco de violência. “Não há dúvida de que o consumo excessivo de álcool é prejudicial. Durante a pandemia do COVID-19, devemos evitar danos às pessoas confinadas em suas casas com acesso ao álcool em quantidades prejudiciais à saúde e à de outras pessoas da casa, que também podem estar sujeitas a violência.” diz Maristela Monteiro, Assessora Sênior em Álcool da OPAS, no site.


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Como controlar o consumo?

Segundo o National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), referência na área, os limites de consumo de baixo risco são:

  • Para mulheres e pessoas acima de 65 anos, não mais que 3 doses* em um único dia, sem ultrapassar 7 doses na semana;
  • Para homens, não mais que 4 doses em um único dia, sem ultrapassar 14 doses na semana.

* 1 dose padrão equivale a 14 g de álcool puro, o que corresponde a 350 mL de cerveja (5% de álcool), 150 mL de vinho (12% de álcool) ou 45 mL de destilado (vodca, uísque, cachaça, gin, tequila, com 40% de álcool).

Ainda assim, é importante destacar que a recomendação ideal é que nenhuma quantidade de álcool seja ingerida, como para menores de 18 anos, grávidas, pessoas com condições de saúde que podem ser prejudicadas pelo álcool ou que não consigam controlar seu consumo, ao usar determinados medicamentos e ao dirigir.

Se perceber que está ultrapassando os limites e não está conseguindo lidar com a situação, é a hora de reforçar seus laços afetivos e redes de apoio. Envolver-se com atividades saudáveis, praticar exercícios físicos, tentar dormir bem e manter uma alimentação balanceada pode ajudar.

Caso seu consumo de bebidas alcoólicas esteja influenciando negativamente sua saúde, busque ajuda profissional. Uma rede de apoio é a Associação Alcoólicos Anônimos, que tem realizado reuniões virtuais diariamente entre aqueles que querem parar de beber.


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