Levantamento aponta morte de 108 enfermeiros por covid-19

Os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus são um dos grupos mais vulneráveis. A área da enfermagem sofreu com a morte de 108 enfermeiros, desde o início da pandemia, segundo o observatório do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Os dados também revelam que, entre 5 de abril e 5 de maio, o número de enfermeiros afastados do trabalho pelo covid-19 aumentou 48 vezes, saltando de 230 casos suspeitos ou confirmados para 11 mil. Nesta terça-feira (12), dia em que se comemora o Dia Internacional da Enfermagem, a categoria soma 14.105 casos reportados. As mulheres são as mais afetadas, totalizam 10 mil afastamentos e respondem por 66 das 108 mortes notificadas.

Segundo o conselho, a letalidade é de 2,18%.

Fonte: http://observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br/

“A situação no Brasil é crítica. O Observatório da Enfermagem, criado pelo COFEN para monitorar a evolução da pandemia entre profissionais de Enfermagem, já registra mais de 13 mil casos e 100 óbitos associados à COVID-19. A maior parte desses profissionais integrava pelo menos um grupo de risco. É inadmissível que estivessem expostos na linha de frente, contrariando as diretrizes sanitárias indicadas pelo Ministério da Saúde”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri, no site da entidade.

“Somos seres humanos, sujeitos aos mesmos fatores de risco de qualquer pessoa, não somos máquinas. A escassez de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) e o subdimensionamento das equipes também contribuem para o agravamento da pandemia entre profissionais de Enfermagem”, completa.


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Equipamentos de proteção

Nesta terça-feira (12), na Comissão Externa da Câmara, que acompanha ações de combate ao coronavírus, a presidente da Associação Brasileira de Enfermagem, Francisca Valda da Silva, denunciou a falta de condições de trabalho e a oferta de serviços inseguros para a população durante a pandemia de coronavírus, por conta da falta de respiradores e insumos médicos, além da falta de equipamentos de proteção individual. “Há hierarquização da oferta de equipamentos de proteção de acordo com a categoria profissional, e isso tem que ser averiguado”, denunciou.

Segundo a Agência Câmara de Notícias, ela afirmou que o relaxamento do distanciamento social e a revisão do conceito de atividade essencial, feitos de forma leviana, podem levar a um agravamento da situação. “Chegando a um pico, não teremos condições de atender com dignidade a população”, alertou.


Campanha de solidariedade

A rápida progressão da covid-19 entre os enfermeiros fez o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, buscar mais recursos para a campanha que distribui óculos de proteção aos profissionais de saúde que atuem em hospitais e a entidades de classe.

A falta de proteção ocular representa um risco para a saúde pública, afirma o oftalmologista. Um estudo da Academia Americana de Oftalmologia (AAO) alerta que os olhos e o nariz estão interligados pelo ducto lacrimal que pode levar o coronavírus a todo sistema respiratório.

Além disso, outro recente estudo italiano, divulgado pelo Instituto Spallanzani, revela que o Sar-Cov-2 é ativo na lágrima de uma pessoa contaminada que apresente conjuntivite. Queiroz Neto ressalta que a conjuntivite não é comum na covid-19, mas o resultado desses estudos explica o motivo de a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar o uso de óculos de proteção durante o atendimento de casos suspeitos ou confirmados do novo coronavírus.

Recentemente, os patrocinadores da campanha (Fundação Abióptica, Essilor Brasil e Allprot) aumentaram de 5 mil para 12 mil o total de óculos proteção doados. Com isso, foram distribuídos 8,35 mil equipamentos de proteção individual (EPIs) aos enfermeiros – inicialmente eram 1,35 mil.

Na última semana o Instituto Penido Burnier entregou mais 7 mil unidades na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Campinas e Região (Sinsaude) à presidente em exercício, Sofia Rodrigues do Nascimento, e ao presidente da Federação Paulista da Saúde, Edison Laércio de Oliveira. Na mesma semana, foram doados 550 óculos de proteção ao Hospital das Clínicas da Unicamp, 300 ao hospital da PUC-Campinas, 300 ao Hospital São Vicente de Jundiaí e 300 ao Hospital São Francisco de Bragança.


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