Quais as soluções para saúde corporativa em meio à pandemia?

Imagino que para todos o ano de 2020 está sendo no mínimo intenso, mas provavelmente cheio de desafios complexos, repleto de dúvidas e incertezas, assombrado por uma crise econômica mundial, ameaçando a sobrevivência da saúde corporativa de muitas empresas.

Tivemos que lidar com o desconhecido, com o pânico das notícias sobre milhares de mortos, assombrados pela possibilidade de contaminação indiscriminada e a superlotação do sistema de saúde, garantindo o tal “achatamento da curva”. Recomendo a leitura da Revista Panorama, da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), edição nº 15, de maio deste ano, que traz alguns vieses sobre esta questão.

Um desconhecido que exigiu muito além de cuidados com saúde, mas nos desafiou a reinventar negócios, a repensar as dinâmicas de trabalho, considerando o homeoffice, o distanciamento social, os procedimentos de higiene mais rígidos com máscaras e álcool gel, as medições de temperatura corporal e testagem dos trabalhadores para o temido coronavírus.

Acredito que todos estão sofrendo em algum aspecto, mas as lideranças precisam de um cuidado especial, pois estão no meio do furacão, pressionadas por números que não se realizam, responsáveis por definir as novas configurações de negócio, a (retomada da) operação, as demissões, as reduções de carga horária e salarial, a pressão do mercado, dos empregados, e do “board”, das próprias famílias, mas principalmente, por garantir a saúde de todos.

Pensando na temática da Saúde Corporativa, o momento é de realizar protocolos de diagnóstico de possíveis contaminados pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2), afastá-los e garantir assistência, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde e demais órgãos de referência. A tele consulta foi autorizada pelos conselhos de classe, mas precisamos de muito mais. Talvez este seja o momento para conquistarmos o espaço de valorização da saúde como um todo, não só no tratamento e prevenção de doenças. Demonstrando a responsabilidade e protagonismo de cada um pela própria saúde e bem estar, mas também a responsabilidade dos governos e das empresas pela vida das pessoas, garantindo uma assistência à saúde de qualidade e o equilíbrio da equação econômica de gestão e equilíbrio do sistema como um todo.

O básico, que é divulgar entre os trabalhadores como se proteger do coronavírus, como os mencionados no Guia de prevenção da COVID-19 nas empresas, e multiplicar o contatos dos serviços oficiais de saúde, como Disque Saúde 136 e o aplicativo do Sistema Único de Saúde (SUS), todos estão fazendo. Mas algumas empresas estão oferecendo serviços de saúde no formato online, um desafio para ouvintes e produtores de conteúdo. São SIPATs (Semanas Internas de prevenção de Acidentes de Trabalho) em formatos de EAD (Educação à distância) com Webinars com temáticas diversas, como saúde financeira, gestão das emoções, higiene com alimentos e hábitos de vida saudáveis. Tenho visto a oferta de ginástica laboral online, com profissionais de educação física ao vivo, usando tecnologias de celular e outras plataformas, orientando e corrigindo a pausa ativa, tanto de quem está em tele trabalho quanto de quem está na linha de produção. Tele atendimento para socorro psicológico e emocional, como o serviço SOS Psicossocial oferecido pelo Serviço Social da Indústria. Grupos de discussão e orientação online com nutricionistas e até psicólogos, para gestão da ansiedade, estresse e outros desafios diários. São muitas novidades e novos formatos.

Talvez este seja um bom momento para voltarmos a discutir e pensar em possibilidades que envolvam a saúde suplementar, as negociações baseadas em valor, os investimentos em atenção primária em saúde no âmbito privado, o planejamento da educação para promoção e prevenção da saúde, estratégias de gestão de riscos psicossociais e redes de proteção, além da atuação dos médicos de família e comunidade se conectarem aos médicos do trabalho, áreas de benefício e SESMT, para planejar a saúde daquela população.

A oportunidade talvez esteja porque os doentes crônicos estão ganhando evidência por serem grupos de risco e faz com que muitas pessoas comecem a se cuidar pois não querem estar entre eles. Onde as atividades físicas estão tolhidas de serem realizadas em ambientes externos, inundando redes sociais de “lives” com as mais diversas aulas, desafiando a disciplina e estímulo individual para sair do sedentarismo ou pelo menos para produzir um pouco de bem estar.

A alimentação passa pelos pedidos de fastfoods em aplicativos, exacerbando o consumo de doces e outros alimentos que tragam conforto frente a tanta instabilidade, como o consumo desenfreado de álcool e até outras drogas. Mas também há um movimento de resgata das relações familiares, da produção das refeições e rotinas de casa, passando pela priorização de alimentos orgânicos ou pelo menos in natura, para aumentar a imunidade

A saúde mental sendo colocada à prova com a ansiedade reverberando sentimentos como medo, nervosismo e tristeza, impactado a produtividade, a qualidade do sono, os relacionamentos, a estabilidade emocional para lidar com tantas incertezas e preocupações. É a ausência de contatos pessoais presenciais ou até os reais virtuais, são as dificuldades de comunicação com a distância física, ou a presença pressionada pela falta de contato físico como abraços e outras representações de cuidado, são as questões financeiras, as relações familiares intensificadas, as escolas dos filhos em recesso, e muitas incertezas. Os valores das relações colocadas à prova, mas um grande movimento de solidariedade com o próximo. O uso das tecnologias exacerbado, as Fake News, ou notícias verdadeiras muito negativas inundando os noticiários e outros meios de comunicação, além de recursos como reuniões virtuais que deveriam aproximar tem levado a alguns caminhos esgotamento e maior isolamento.

Diversas instituições e especialistas estão tentando decifrar o que vem depois da pandemia, como a reportagem da Revista Forbes, que traz as diversas revoluções e ciclos de mudança da sociedade moderna, sugerindo um renascimento da era digital, corroborando com o futurista Tiago Matos falou em entrevista à rádio gaúcha.

Em contrapartida, proponho uma reflexão sobre o que estamos aprendendo com tudo isso? Que valores e novos hábitos ficarão na pós-pandemia? Quando tudo isso vai acabar? Aliás, será que haverá esse momento de dizermos que o mundo voltou ao normal? Mas, e que normal será esse?


LEIA MAIS COLUNAS:
Desafios na saúde: qual estratégia sua empresa pode usar para enfrentá-los?
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Existe solução para os crescentes custos com saúde?

Diana Indiara Ferreirahttp://www.infohealth.com.br
Mais de 15 anos de experiência no segmento de saúde suplementar, com estratégias de gestão de custos assistenciais, saúde corporativa, promoção e prevenção da saúde.

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