Cloroquina e hidroxicloroquina: estudo mostra nenhuma evidência de benefício

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Uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet — referência na área — aponta que os medicamentos hidroxicloroquina e cloroquina não apresentam benefícios no tratamento da Covid-19. Os resultados¹ divulgados nesta sexta-feira (22) mostram que também não há melhora na recuperação dos infectados, mas existe um risco maior de morte e piora cardíaca durante a hospitalização pelo Sars CoV-2.

No estudo, foram analisados os dados de 96.032 pacientes hospitalizados entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril de 2020, que apresentavam diagnóstico positivo do novo coronavírus em 671 hospitais. Os pesquisadores compararam os resultados de 1.868 pacientes tratados apenas com cloroquina; 3.016 que receberam só hidroxicloroquina; 3.783 que tomaram a combinação de cloroquina e macrólidos (um grupo de antibióticos), e mais 6.221 pacientes com hidroxicloroquina e macrólidos. 
Os pacientes desses quatro grupos foram comparados com 81.144 pacientes do grupo controle, que não fez o uso de medicamentos

Eles descobriram que, dos que usaram só cloroquina ou hidroxicloroquina, houve cerca de 1 morte a cada 6 pacientes. Foram 307 pessoas que tomaram cloroquina (16,4%) e 543 que tomaram hidroxicloroquina (18%). Em comparação, os pacientes do grupo controle (que não utilizaram os medicamentos) houve cerca de 1 óbito a cada 11 pacientes.

Dos que tomaram cloroquina ou hidroxicloroquina com macrólidos, cerca de 1 a cada 5 pacientes morreram. Houve 839 mortes (22,2%) no caso de uso de cloroquina com antibiótico e 1.479 (23,8%) na combinação de hidroxicloroquina com antibiótico.

Após considerar várias variáveis ​​- incluindo a idade do paciente e a saúde geral – os pesquisadores estimaram que o excesso de risco associado ao uso de regimes contendo cloroquina ou hidroxicloroquina variou de 34% a 45%.

No entanto, eles alertaram que não é possível excluir a possibilidade de que outros fatores não medidos sejam responsáveis ​​pelo aparente vínculo entre o tratamento com esses medicamentos e a diminuição da sobrevida dos pacientes.

A equipe também descobriu que sérias arritmias cardíacas, que fazem com que a câmara inferior do coração batesse rápida e irregularmente, eram mais comuns nos grupos que receberam um dos remédios de tratamento.

O maior aumento foi observado no grupo tratado com hidroxicloroquina em combinação com um macrólido, onde 8% dos pacientes desenvolveram arritmia cardíaca em comparação com 0,3% dos pacientes no grupo controle.

Ainda assim, os autores enfatizam que são necessários ensaios clínicos randomizados antes que se possa chegar a uma conclusão sobre o benefício ou perigo desses medicamentos no tratamento da covid-19.

“Este é o primeiro estudo em larga escala a encontrar evidências estatisticamente robustas de que o tratamento com cloroquina ou hidroxicloroquina não beneficia pacientes com COVID-19”, afirmou em comunicado a imprensa o co-autor e diretor médico do Brigham and Women’s Hospital (BWH), em Boston, Dr. Mandeep R. Mehra.

“Nossas descobertas sugerem que [esses medicamentos] podem estar associados a um risco aumentado de problemas cardíacos graves e aumento do risco de morte”, enfatizou.


A cloroquina é um medicamento antimalárico e seu análogo, a hidroxicloroquina, é usado para tratar doenças autoimunes, incluindo lúpus e artrite. Ambos os medicamentos mostram segurança nos tratamentos para essas condições. 


[1] Pesquisa “Chloroquine or hydroxychloroquine for COVID-19: why might they be hazardous?”


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