Higiene menstrual: como o assunto afeta a saúde das mulheres

Se falar sobre menstruação continua um tabu entre as mulheres e a sociedade, a higiene menstrual é um tema ainda mais deixado de lado. No entanto, a falta de educação sobre o assunto, os estigmas persistentes e até mesmo o acesso limitado a produtos higiênicos e infraestrutura de saneamento prejudica a saúde de mulheres e meninas em todo o mundo.

A higiene íntima feminina deve ser sempre monitorada, mas durante o período menstrual os cuidados precisam ser redobrados. Isso porque a presença do sangue facilita a proliferação de bactérias e fungos, além de que no período há maior vascularização no local e abertura do colo uterino, ou seja, uma facilitação para infecções mais profundas e disseminadas.

Por isso, cuidados durante o período menstrual são importantes para a saúde íntima da mulher. Confira algumas dicas orientadas pelas médicas ginecologista Halana Faria e Isabela Correia.

Lembre-se que esta matéria tem caráter informativo, não substituindo uma consulta
com o profissional de saúde.


Faça a troca do absorvente

Evite utilizar o mesmo absorvente (externo ou interno) por muito tempo, pois pode ocasionar diversos problemas para a saúde íntima. A recomendação é utilizar o absorvente externo por no máximo 6 horas e o absorvente interno por 4 horas, principalmente para evitar problemas como a síndrome do choque tóxico, que é a “proliferação de bactérias que produzem toxinas, que ao cair na corrente sanguínea evolui de forma grave”, alerta a médica ginecologista Isabela Correia.

No caso do coletor menstrual, a indicação é realizar a troca a cada 12 horas. Para a higienização, lavar o coletor com água e sabão neutro. Ao final de cada ciclo, higienizá-lo em água fervente. “Sempre higienizar bem as mãos antes de manipular o absorvente, principalmente se for o interno ou o coletor menstrual”, salienta Isabela.

Fazer a troca do absorvente de maneira correta deixa a mulher mais segura contra as infecções vaginais e o surgimento de odores desagradáveis na região. A menstruação por si só não tem um cheiro ruim, mas a interação do sangue com as bactérias do corpo pode resultar neste efeito indesejado. 


Higienize a região corretamente

A vagina possui proteção natural, promovida por uma população de bactérias do grupo Lactobacillus casei, que formam a chamada flora vaginal. Entretanto, sozinhos esses lactobacilos não conseguem proteger totalmente, e por isso faz-se necessária uma boa higiene adicional. No banho, é preciso higienizar principalmente a região da vulva (região externa). Opte por um sabonete neutro, para respeitar o pH da vagina.

Na hora da limpeza, faça movimentos circulares com as próprias mãos e dedos e certifique-se de limpar todas as partes. Lembre-se: o interior da vagina jamais deve ser higienizado. Essa parte do corpo da mulher é autolimpante. 

O excesso de limpeza na região íntima também pode causar problemas. “A gente não deve ficar lavando muitas vezes, evitar o excesso de higiene porque isso altera a lubrificação, o PH, pode gerar inclusive mais cheiro, muda a microbiota, os micro-organismos saudáveis da vagina”, explica a médica ginecologista Halana Faria.


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Dê preferência por calcinhas de algodão 

A calcinha escolhida também desempenha um papel importe na saúde íntima feminina, especialmente durante a menstruação. Recomenda-se as peças íntimas de algodão para melhorar a circulação de ar na região e diminuir a transpiração. Além disso, evitar deixar a calcinha secando dentro do box do banheiro, pois o ambiente úmido favorece a disseminação de bactérias e fungos responsáveis por diversas infecções.


Evitar o uso de lenços umedecidos íntimos

A ginecologista Helena Faria alerta sobre o uso de lenços umedecidos. “O que eu recomendo é que mulheres tenham na bolsa uma calcinha a mais nas situações em que sentem que a vagina fica úmida, que a calcinha fica úmida durante o dia. Ao invés de usar os absorventes de uso diário que só causam um abafamento da região, aumentando a umidade, o calor e a proliferação de micro-organismos”, destaca a ginecologista Halana.

Por isso utilizar os lenços umedecidos devem ser uma alternativa somente de emergência, quando a mulher se encontra em ambientes públicos ou o papel higiênico à disposição é muito áspero, podendo irritar a pele. O uso contínuo não é recomendado porque pode prejudicar os lactobacilos da flora vaginal, provocar irritações ou reações de hipersensibilidade.

A forma de usar também é importante: o lenço deve ser aplicado apenas na região de pele, ou seja, na vulva e na virilha, mas nunca na mucosa vaginal


Não use ducha vaginal para higienizar a área interna do órgão

Muitas mulheres têm a falsa impressão de que a ducha comprada em farmácias é a ferramenta ideal para higienizar a vulva, principalmente depois de urinar ou evacuar. Porém, os fortes jatos d’água proporcionados pelo objeto não são recomendados. “A ducha lava a flora vaginal, levando as bactérias boas embora, desequilibrando o meio vaginal, facilitando infecções oportunistas”, alerta a ginecologista Isabela Correia.

O pequeno acessório hidráulico deve ser utilizado somente com indicação médica e em circunstâncias bem específicas. 


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O Dia Mundial da Higiene Menstrual

Todos os anos, no dia 28 de maio, organizações não-governamentais, agências governamentais, empresas do setor privado, mídia e a sociedade se reúnem para celebrar o Dia da Higiene Menstrual (MH Day). A data tem como objetivo de quebrar o silêncio e a conscientizar sobre o papel fundamental que a boa higiene menstrual desempenha na saúde íntima feminina.

O movimento também cria oportunidades de advocacia para a integração do tema nas políticas, programas e projetos globais, nacionais e locais.

O tema do Dia Mundial da Higiene Menstrual 2020 é “#NoMoreLimits – Capacitando mulheres e meninas através de uma boa higiene menstrual”. A ideia do tema é destacar como os desafios enfrentados pelas mulheres durante a menstruação pioraram devido à pandemia do novo coronavírus.

O tabu e a falta de acesso a saneamento e a produtos de higiene afetam milhares de adolescentes em todo o mundo, fazendo com que corram riscos de saúde, parem de ir à escola e tenham suas possibilidades de desenvolvimento limitadas.


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