O papel das emoções na nossa vida

A palavra emoção tem um significado interessante. Conforme o dicionário, significa uma reação orgânica de intensidade e duração variáveis, além de ser um “ato de deslocar, movimentar”. E faz todo o sentido. Quando sentimos algumas emoções, não as sentimos de forma estática, mas sim com níveis de intensidade diferentes conforme o contexto que vivenciamos, o que faz com que, muitas vezes, a gente responda a essa emoção com “movimentos”.

Além disso, ela é uma forma de comunicação, pois não precisamos necessariamente que alguém nos diga verbalmente o que está sentindo, ela pode ser demonstrada através da expressão facial e pelo  comportamento. Dessa forma, dependendo da emoção, ficamos mais agitados, falamos muito, nos isolamos, demonstramos afeto, nos paralisamos, choramos mais, ficamos mais reflexivos, damos risada e tantas outras formas possíveis de demonstrar o que sentimos internamente.

A grande questão é que sem emoções nossa vida provavelmente não teria cor, sentido, textura, brilho e, principalmente, significado. O fato de sentirmos o que sentimos faz de nós indivíduos que têm necessidades, direitos, deveres, limites, prazer e tudo o que compõe a complexidade de ser um ser humano.

É possível que um bebê já manifeste seu desconforto pelo choro e/ou pela irritabilidade e, aos três meses, já demonstre tristeza, alegria, nojo, exibindo essas expressões em contextos apropriados. Dessa forma, fica evidente a importância de entendermos melhor nossas emoções, pois nos acompanham praticamente desde o nosso nascimento e são responsáveis pela maioria dos nossos comportamentos e interações sociais. Por isso, vamos explorar esse tema, falando principalmente a função das nossas emoções e os problemas decorrentes da falta e do excesso delas.

Fundamentalmente temos seis emoções básicas e principais: amor, alegria, medo, tristeza, nojo e raiva. Quando sentimos amor quer dizer que nos sentimos amparados, protegidos, acolhidos, aceitos, gostados e queridos. Ela tem a função principal de nos trazer conexão e vínculo com outras pessoas. Em excesso, o amor pode prejudicar o processo de independência dos indivíduos, pois pode trazer a ideia que o amor só vem do outro, quando, na verdade, precisamos desenvolver também o amor por nós mesmos. Doses mais baixas de amor, podem representar falta de empatia, frieza emocional e distanciamento dos outros.

A alegria diz respeito a nos sentirmos satisfeitos, prestigiados, acolhidos, aceitos, adequados e adaptados. Ela tem como função principal mostrar que acontecimentos positivos ocorrem e também possibilita que tenhamos vínculos afetivos saudáveis. Em excesso, a alegria pode representar um estado significativo de alteração no humor; em falta, pode representar um estado de frustração, decepção, descontentamento e, até mesmo, depressão.

Ao sentirmos medo, temos a sensação de que estamos desprotegidos, frágeis, vulneráveis, ameaçados, inseguros e expostos. O medo tem como função nos preservar de riscos, pois perderíamos a capacidade de avaliar o que poderia ser ou não algo perigoso para nós. Em doses altas, essa emoção pode nos paralisar, impedindo o conhecimento de  novos aprendizados, novos lugares e pessoas. Em falta, pode gerar riscos significativos a nossa vida e a vida de outros.

Quando sentimos nojo, quer dizer que estamos repugnados, enjoados, recusando algo ou alguma pessoa. Essa emoção tem como função principal a proteção do nosso organismo de possíveis contaminações. De forma intensa, o nojo pode fazer com que evitemos a ingestão de alimentos importantes e saudáveis para nossa saúde, além de adquirirmos uma rotina de limpeza e banho excessivos. Em baixos níveis, pode trazer perigos ao nosso organismo com contaminações e doenças.

Ao sentirmos raiva, temos a sensação de estarmos sendo ofendidos, injustiçados, violados, desrespeitados e agredidos. Ela existe como objetivo de nos proteger da violação de limites, difamações etc. Em excesso, pode nos deixar explosivos com o outro e com as coisas, trazendo prejuízos pras nossas relações de um modo geral. Em doses baixas, pode nos tornar passivos nas nossas relações, não deixando clara a nossa opinião e os nossos limites pessoais.

E, por fim, a tristeza nos traz a sensação de desprestígio, desvalor, incapacidade, desprezo e de que estamos perdendo algo. Ela tem como função principal de mostrar para os outros que precisamos de acolhimento e cuidado, além de nos fazer refletir sobre os nossos comportamentos e sobre as nossas escolhas não tão boas. A tristeza em alta intensidade, pode nos levar a depressão e a dificuldade de ver sentido e graça na vida. A ausência dessa emoção, pode representar baixa conexão com as pessoas e a dificuldade de compreensão com o sofrimento do outro.

A importância do entendimento das emoções não se restringe apenas ao campo dos transtornos mentais e dos tratamentos psicológicos, mas também é fundamental para o nosso autoconhecimento frente aos diversos contextos que enfrentamos e qual nossa resposta comportamental ao sentirmos qualquer uma dessas emoções. É importante dizer que não temos capacidade nenhuma de controlar o que sentimos. Sentimos as nossas emoções, como sentimos fome, sede, atração e os instintos do nosso corpo. Contudo, controlamos o que fazemos com o que sentimos e é aí que mora muitos dos nossos problemas, pois não estamos falando de algo simples e fácil.

Por isso, a psicoterapia pode te auxiliar nesse processo de conhecimento sobre como você reage a certas emoções e quais delas estão em níveis adequados ou não de sentir. Além de ser uma forma de autocuidado e potencializador do nosso bem-estar, o acompanhamento psicológico promove saúde e previne o adoecimento mental.

Portanto, cuide-se e busque a melhor versão de você mesmo.


Referências

CAMINHA, R., CAMINHA, M. Emocionário. Dicionário das emoções. Editora Sinopsys, 2018

LEAHY, Robert L., TIRCH, Dennis, NAPOLITANO, Lisa A. Regulação Emocional em Psicoterapia.Editora Artmed, 2013.

Mendes, D. M. L. F., & Cavalcante, L. I. C. (2014). Modelos de self e expressão emocional em bebês: concepções de mães e outras cuidadoras. PSICO-PUCRS, 45(1), 120-129.


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Luísa Anzolin
Psicóloga clínica com foco na terapia cognitivo comportamental. CRP 07/32043

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