Estudo diz que a covid-19 pode ser mais perigosa em quem tem o tipo sanguíneo A

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Uma análise genética de pacientes com covid-19 sugere que o tipo sanguíneo pode ter ligação com a gravidade da infecção pelo novo coronavírus. Os pesquisadores que compararam os genes de pacientes na Europa descobriram que aqueles que tinham sangue tipo A eram mais propensos a desenvolver a forma mais grave da doença, enquanto aqueles com tipo O eram menos prováveis.

O estudo, envolvendo cientistas na Itália, Espanha, Dinamarca, Alemanha e outros países, comparou cerca de 1.900 pacientes com covid-19 grave a milhares de outras pessoas saudáveis ​​ou que apresentavam apenas sintomas leves ou inexistentes. Os dados genéticos mostraram que o grupo sanguíneo A foi associado a um risco maior de adquirir a forma grave de covid-19. O risco é 45% maior para pessoas com sangue tipo A do que pessoas com outros tipos sanguíneos, e parece ser 35% menor para pessoas com sangue tipo O.

Apesar da descoberta, os pesquisadores não podem afirmar se o tipo sanguíneo é uma causa direta da diferença de suscetibilidade ao vírus. Segundo o relatório divulgado no periódico científico “New England Journal of Medicine”, pode ser que as alterações genéticas que afetam o risco do paciente também estejam ligadas ao tipo sanguíneo.

As descobertas… oferecem pistas específicas sobre quais processos de doenças podem acontecer na Covid-19 grave”, disse o doutor do Hospital Universidade de Oslo, na Noruega, e um dos líderes da pesquisa, Tom Karlsen, à Reuters. Ele salientou que pesquisas adicionais são necessárias antes de as informações se tornarem úteis.

Além disso, os pesquisadores encontraram duas variações genéticas do vírus, que podem estar associadas à resposta imune do paciente. Uma série de variantes em genes que estão envolvidos nas reações imunológicas são mais comuns em pessoas com casos graves de covid-19. Estes genes também estão envolvidos com uma proteína de superfície celular chamada ACE2, que o coronavírus usa para ter acesso às células do corpo e infectá-las.

“A esperança é que esta e outras descobertas apontem o caminho para uma compreensão mais abrangente da biologia da covid-19”, escreveu o diretor dos institutos nacionais de Saúde dos Estados Unidos e especialista em genética, Francis Collins, em seu blog na quinta-feira (18). “Elas também sugerem que um exame genético e o tipo sanguíneo de uma pessoa podem fornecer ferramentas úteis para identificar aqueles que podem correr mais risco de uma doença grave”.

Existem quatro tipos principais de sangue – A, B, AB e O – e são determinado por proteínas na superfície dos seus glóbulos vermelhos. Pessoas com tipo O são mais capazes de reconhecer certas proteínas como estranhas, e isso pode se estender a proteínas na superfície do vírus.


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