Depressão não é frescura!

A depressão está relacionada à baixa energia, ausência de vontade, ausência de motivação, ausência de prazer, tristeza elevada, perturbação do sono, sentimentos de culpa, pensamentos autocríticos, irritabilidade. Enfim, a pessoa deprimida passa por uma luta diária consigo, na tentativa de se sentir melhor. Às vezes ganha a batalha após horas de grandes esforços, outros dias atira a toalha antes do primeiro “round”.

Convido você a entender um pouco mais a respeito desta doença.

A depressão é uma doença relacionada à diferenças nos níveis dos neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina, dopamina e outras substâncias envolvidas na química cerebral, que podem deixar você mais propenso a depressão. Ela não possui uma causa específica, existem diversas teorias sobre as possíveis causas, o que pode envolver diferentes caminhos bioquímicos que podem levar a depressão. Além disso, inúmeros fatores podem contribuir para um episódio depressivo, desde vivências no desenvolvimento à experiências posteriores de vida, além da influência da carga genética familiar.

De acordo com o manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, alguns dos sintomas são:

  • Humor deprimido;
  • Interesse e prazer diminuídos;
  • Perda ou ganho significativo de peso;
  • Insônia ou hipersonia;
  • Agitação ou retardo psicomotor;
  • Fadiga ou perda de energia;
  • Sentimentos de inutilidade ou culpa;
  • Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar;
  • Pensamentos relacionados a morte.

É importante dizer que você não precisa ter todos os sintomas para estar deprimido. Basta os sintomas causarem sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes de sua vida.

Muitas pessoas acabam demorando para buscar ajuda quando deprimidas, por pensarem que faz sentido estarem deprimidas diante da causa de sua depressão, o que pode influenciar no aumento de sofrimento clínico e prejuízo no funcionamento social, profissional e em outras áreas.

Pensamentos recorrentes de uma pessoa deprimida podem ter:

“Perdi a esperança.”
“Não consigo fazer nada”.
“Estou tão triste que não aguento mais”.
“Só quero que essa tristeza saia de mim”.
“Devo ser uma preguiçosa, como estão me dizendo”.

A soma dos comportamentos e pensamentos estão muito ligados às emoções. Dentre elas, uma das emoções que pode estar mais ativada é a emoção tristeza. Como falado nas publicações anteriores: “Como você lida com emoções desagradáveis” e “O papel das emoções na nossa vida”, a emoção tristeza “traz a sensação de desprestígio, desvalor, incapacidade, desprezo e de que estamos perdendo algo. Ela tem como função principal de mostrar para os outros que precisamos de acolhimento e cuidado, além de nos fazer refletir sobre os nossos comportamentos e sobre as nossas escolhas não tão boas. A tristeza em alta intensidade, pode nos levar a depressão e a dificuldade de ver sentido e graça na vida.”

Sabendo de todas essas informações, se torna mais entendível que, se você sofre por depressão, é possível que esteja precisando reavaliar o quanto suas necessidades de cuidado, amor, aceitação e segurança estão sendo supridas e de que forma você poderia trabalhar nelas para se sentir bem.

Pensando nisso, o tratamento mais indicado para trabalhar com a depressão é a psicoterapia, algumas vezes combinada à medicação psiquiátrica. Enquanto a psicologia trabalha os pensamentos, emoções e comportamentos, a psiquiatria contribui no reequilíbrio da comunicação neuronal. É importante também você conseguir enxergar e validar suas necessidades e limitações momentâneas praticando o autocuidado e a autocompaixão. Afinal, não é culpa sua estar assim neste momento.

Quando estamos deprimidos, tendemos a enxergar tudo sob a perspectiva da depressão, como quando você está com um óculos escuro e enxerga tudo escuro. Com a depressão isso também acontece, você não está conseguindo fazer o que deseja por estar deprimido e não por preguiça.

Então, tenha para si que:

  • Você não é depressivo, você está com depressão;
  • Autocuidado é a chave principal;
  • Depressão não é preguiça, mas sim uma doença que requer atenção;
  • Este momento é apenas uma fase de sua vida;
  • Buscar ajuda profissional não é frescura ou fraqueza, mas sim um ato de coragem e compaixão;
  • A morte não é a solução, as pessoas que ficam para trás se importam com você e sofrerão por sua escolha.

Atitudes que você deve fazer em casa, que ajudam em relação a depressão:

– Evitar tomar grandes decisões neste momento (costumamos tomar decisões erradas quando estamos deprimidos porque não estamos com a visão clara);
– Tentar fazer as coisas, mesmo sem vontade (quando iniciamos algo, a vontade, o prazer e a motivação vão surgindo enquanto nos movemos);
– Evitar passar o dia na cama ( quanto mais ficamos por lá, menos vontade teremos e mais difícil será sair de lá);
– Se arrumar como se fosse sair (mover-se, se sentir bem vestida podem ajudar você a se motivar a fazer outras coisas, além de fazer você se sentir melhor consigo);
– Tomar sol diariamente por 20 minutinhos ( a vitamina D ajuda a combater a depressão);
– Evitar os açúcares (os açúcares proporcionam um falso prazer imediato, além de poder causar dependência);
– Fazer o máximo possível de atividades que eram prazerosas (isso vai ajudar seu cérebro a relembrar e a ativar o prazer, a vontade e a motivação);
– Conversar com pessoas que te façam bem, que sejam divertidas e atenciosas (ajuda você a sair um pouco de dentro de você, além de proporcionar prazer e motivação).

Alguns sinais de que você está vencendo a depressão:

  • Você tem se movimentado mais;
  • Você está dando outra chance para antigos gostos e está curtindo;
  • O desânimo tem parecido menos paralisante, embora ainda se sinta desanimado;
  • Outras pessoas estão reparando em sua melhora;
  • Você está com mais facilidade em encontrar prazer nas coisas que faz;
  • Você já está curtindo se arrumar um pouco;
  • Seu sono está lentamente se regulando.

As sugestões listadas aqui não excluem a psicoterapia, se você estiver com sintomas depressivos procure ajuda psicológica.


Referências

American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos mentais DSM-5, 5° EDIÇÃO, Artmed, 2014.

ANZOLIN, L. O papel das emoções na nossa vida. Acesso 23 de junho de 2020.

AVILA, F. Como você lida com emoções desagradáveis? Acesso 23 de junho de 2020:

LEAHY, Robert L.Vença a Depressão Antes Que Ela Vença Você. Artmed, 2015.

Fransuellen Avila
Psicóloga clínica com foco na terapia cognitivo comportamental. CRP: 07/32383

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