Estudo identifica nova linhagem do vírus zika em circulação no Brasil

Uma nova linhagem do vírus da Zika foi descoberta circulando recentemente no Brasil, segundo pesquisadores do Centro de Integração de dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia). O estudo foi publicado no periódico International Journal of Infectious Diseases e pode servir como alerta para a vigilância da doença.

De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, em 2020, foram notificados 3.692 casos prováveis do vírus da zika — número muito inferior aos 47.105 casos de chikungunya e aos 823.738 de dengue. No entanto, segundo os cientistas, com a nova linhagem genética descoberta, a situação pode mudar.

A introdução da nova cepa do vírus no país foi identificada por uma ferramenta de monitoramento genético desenvolvida por cientistas vinculados ao Cidacs. O método analisa sequências disponíveis em banco de dados públicos, permitindo identificar e comparar as linhagens do Zika presentes com os que já foram descobertos. 

O pesquisador da Plataforma de Bioinformática do Cidacs, Artur Queiroz, um dos líderes do estudo, explica como funciona o processo. “Pegamos esses dados e analisamos, selecionamos as sequências do brasil e mostramos a frequência desses tipos virais ano a ano. O principal achado é que vemos uma variação de subtipos e linhagens durante os anos, sendo que em 2019 há o aparecimento, mesmo que pequeno, de uma linhagem que até então não era descrita circulando no país”.


Linhagens do Zika Vírus

Segundo os cientistas, são conhecidas duas linhagens do vírus Zika: a asiática e a africana. A ferramenta analisou 248 sequências brasileiras submetidas a base de dados desde 2015. Até 2018, os dados genéticos encontrados eram majoritariamente cambojanos (mais de 90%), proporção que mudou radicalmente em 2019, quando o subtipo oriundo da micronésia passou a ser responsável por 89,2% das sequências submetidas ao banco genético.

Mas o que surpreendeu os pesquisadores foi a identificação da emergência do tipo africano, até então inexistente no Brasil. “A linhagem africana foi isolada em duas regiões diferentes do Brasil: no Sul, vindo do Rio Grande do Sul, e no Sudeste, do Rio de Janeiro”, informa o estudo.

Os pesquisadores sugerem que essa linhagem já está circulando no país há algum tempo e pode ter potencial epidêmico, uma vez que a maior parte da população não tem anticorpos para essa nova linhagem do vírus.

Atualmente, com as atenções voltadas para a Covid-19, este estudo serve de alerta para não esquecermos outras doenças, em especial Zika. A circulação do vírus no país, bem como a realização de estudos genéticos devem continuar sendo realizados a fim de evitar um novo surto da doença com o novo genótipo circulante”, reforça uma das autoras do estudo, Larissa Catharina Costa


Estudo: A recursive sub-typing screening surveillance system detects the appearance of the ZIKV African lineage in Brazil: Is there a risk of a new epidemic?


Fonte: Centro de Integração de dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia)


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