Pesquisa investiga relação entre genes e casos graves de covid-19

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Uma pesquisa genômica vai investigar se há relação entre fatores genéticos e o desenvolvimento de formas mais graves da covid-19. O estudo brasileiro — denominado Abordagem Genômica para Investigar Variações Genéticas do Sars-CoV-2 e no Hospedeiro Humano — está sendo realizado no recém-inaugurado Instituto de Pesquisa para o Câncer (Ipec), em Guarapuava, Paraná.

De acordo com o presidente do Ipec, professor David Livingstone Figueiredo, o foco será a investigação dos fatores que tornam alguns indivíduos, mesmo fora do grupo de risco, mais propensos a desenvolver quadros de maior gravidade da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. 

Segundo Figueiredo, já se sabe, por exemplo, que os fatores de risco são idade avançada, obesidade, existência de comorbidades, como doenças cardiovasculares, câncer ou diabetes, e que homens são levemente mais propensos a morrer de covid-19 do que mulheres. “Todos esses fatores, no entanto, não explicam por que certos pacientes jovens ou sem comorbidades desenvolvem quadros graves de covid-19”, ressaltou. “Haveria fatores genéticos inerentes a determinados indivíduos que os tornam mais propensos a desenvolver formas graves da doença? Se existem, quais seriam tais fatores?”, questionou o especialista.

Para realizar a pesquisa, que possui participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), serão coletadas, ao longo de quatro meses, amostras de sangue e tecidos de pacientes com manifestações clínicas leves, moderadas e casos graves de covid-19, obtidas de instituições de saúde dos estados do Paraná e de São Paulo. De acordo com a investigação, serão analisadas entre 150 e 500 amostras, mas o número que pode chegar a 800. “O estudo tem cuidado com o rigor científico na seleção dos pacientes. É preciso ser rigoroso com as amostras a serem analisadas e controlar, por exemplo, e existência das comordidades de cada paciente para que tenhamos um resultado sem distorções, com segurança”, destacou o pesquisador. 

A pesquisa terá duração de dois anos, que serão contados a partir de julho. No entanto, no início do primeiro semestre do ano que vem, os primeiros resultados já deverão ser conhecidos. “Enquanto não se obtém uma vacina contra o coronavírus SARS-Cov-2, dezenas de milhares de epidemiologistas, médicos das mais diversas especialidades, geneticistas, bioquímicos, químicos, bioinformatas, etc., procuram entender a doença, sua epidemiologia, evolução e possíveis tratamentos”, explica o presidente do Ipec, David Livingstone A. Figueiredo.


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Iniciativa pioneira no Brasil e na América Latina

O projeto Abordagem genômica para investigar variações genéticas do Sars-CoV-2 (coronavírus) e no hospedeiro humano é uma iniciativa que inaugura os trabalhos do Instituto de Pesquisa para o Câncer, criado para ser uma plataforma de pesquisa genômica com corpo técnico e clínico especializado, um amplo portfólio de testes genéticos, com equipamentos e metodologias de última geração, fundamentais para o diagnóstico de doenças de base genética, em especial as doenças oncológicas.

O estudo será composto por pacientes que contraíram o novo coronavírus, divididos em três grupos: um grupo de pacientes com quadro clínico grave e mantidos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) com ventilação pulmonar; outro formado por pacientes com quadro clínico moderado, internados na enfermaria, que foram curados sem a necessidade de transferência para a UTI; e o último grupo formado por pacientes com quadro clínico leve ou assintomáticos em isolamento social. As pesquisas também irão monitorar casos de síndrome respiratória aguda grave com evolução clínica atípica.

“Após as coletas de amostras dos pacientes eles serão acompanhados, pois precisaremos de todas as informações clínicas que serão muito importantes na interpretação dos dados de sequenciamento genético”, detalhou Silva Jr. ao Jornal da USP. “Queremos contribuir para tentar entender melhor como funciona a covid-19 nesta força-tarefa mundial.”

O projeto será desenvolvido pela Rede Genômica Ipec/Guarapuava, com pesquisadores de 12 instituições de pesquisa paranaenses: a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Faculdades Pequeno Príncipe (FPE-Curitiba), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz/PR), Laboratório Central do Estado do Paraná (LACEN), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), além de quatro instituições paulistas: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Faculdade de Ciências Farmacêuticas (Unesp-Araraquara), Universidade de Araraquara (Uniara) e a Faculdade de Medicina de Marília (Famema). A iniciativa também agrega parcerias com professores da USP Ribeirão Preto, da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e com a universidade americana de Illinois, entre outros.


Fonte: Agência Brasil e Jornal USP.

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