Covid-19 causa ‘hiperatividade’ em células de coagulação do sangue

0
366

Alterações desencadeadas pela covid-19 nas plaquetas — células de coagulação do sangue — podem contribuir para ataques cardíacos, derrames e outras complicações graves em alguns pacientes com a doença. A afirmação é dos cientistas da Universidade de Utah, divulgada na revista da Sociedade Americana de Hematologia, Blood.

Os pesquisadores descobriram que as proteínas inflamatórias produzidas durante a infecção alteram significativamente a função das plaquetas, tornando-as “hiperativas” e mais propensas a formar coágulos sanguíneos perigosos e potencialmente mortais.

Embora o novo coronavírus seja conhecido principalmente por causar insuficiência respiratória nos piores casos, ele tem vários efeitos prejudiciais em outros órgãos. A trombose ocorre quando se desenvolvem coágulos sanguíneos nas artérias e veias, que podem bloquear o coração — causando um ataque cardíaco —, o cérebro — um derrame — ou os pulmões — embolia pulmonar.

“Descobrimos que a inflamação e alterações sistêmicas, devido à infecção, estão influenciando o funcionamento das plaquetas, levando-as a se agregarem mais rapidamente, o que poderia explicar por que estamos vendo um aumento no número de coágulos sanguíneos em pacientes com Covid-19”, disse o autor sênior do estudo e professor assistente do Departamento de Medicina Interna, Robert A. Campbell.

As evidências sugerem que a infecção causada pelo novo coronavírus está associada a um risco aumentado de coagulação do sangue, o que pode levar a problemas cardiovasculares e falência de órgãos em alguns pacientes, principalmente para os pacientes do grupo de risco, com diabetes, obesidade ou pressão alta.

Os pesquisadores estudaram 41 pacientes com covid-19 hospitalizados no Hospital da Universidade de Utah, em Salt Lake City. Total de 17 desses pacientes estavam na UTI, incluindo nove que usavam ventiladores. Eles compararam o sangue desses pacientes com amostras de indivíduos saudáveis ​​que foram pareados por idade e sexo.

Usando análise genética diferencial, eles descobriram que o vírus SARS-CoV-2 parece desencadear alterações genéticas nas plaquetas. Em estudos de laboratório, estudaram a agregação plaquetária, um componente importante da formação de coágulos sanguíneos, e observaram plaquetas dos infectados eram muito mais ativas. 

Os pesquisadores também observaram que essas alterações modificavam significativamente a maneira como as plaquetas interagiam com o sistema imunológico, provavelmente contribuindo para a inflamação do trato respiratório que, por sua vez, pode resultar em lesões pulmonares mais graves.

No entanto, a equipe não detectou evidências do vírus na grande maioria das plaquetas, sugerindo que ele poderia estar promovendo as alterações genéticas nessas células indiretamente. Segundo o estudo, a inflamação causada pela covid-19 poderia afetar os megacariócitos, as células que produzem plaquetas. Como resultado, alterações genéticas críticas são transmitidas dos megacariócitos para as plaquetas, que, por sua vez, as tornam hiperativas.

Em estudos com tubos de ensaio, os pesquisadores descobriram que o pré-tratamento de plaquetas de pacientes infectados com aspirina por SARS-CoV-2 impediu essa hiperatividade. Esse resultado sugere que a aspirina pode melhorar os resultados, no entanto, os resultados são iniciais e precisariam de mais comprovações.

Enquanto isso, os pesquisadores estão começando a procurar outros tratamentos possíveis. “Existem processos genéticos que podemos atingir que impediriam que as plaquetas fossem alteradas”, disse um dos autores, Robert A. Campbell. “Se pudermos descobrir como o COVID-19 está interagindo com megacariócitos ou plaquetas, poderemos bloquear essa interação e reduzir o risco de alguém de desenvolver um coágulo sanguíneo”, destacou.

O estudo, intitulado Expressão e função de genes plaquetários em pacientes com COVID-19″ foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde, pela Iniciativa de Saúde 3i da Universidade de Utah e pela American Heart Foundation.


LEIA MAIS:
Vacina de Oxford pode ser distribuída este ano, diz Astrazeneca
EUA compram estoque mundial de remdesivir para tratamento da covid-19
Pfizer pode produzir 1 bilhão de doses de vacina contra covid-19, após testes positivos

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here