91% dos infectados pelo coronavírus apresentaram algum sintoma, segundo estudo

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O estudo “Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil: Estudo de Base Populacional” — que mapeia a epidemiologia do vírus no país — financiado pelo Ministério da Saúde e realizado pela Universidade Federal de Pelotas, concluiu as três fases previstas. Os dados mostraram que dos infectados, 91% apresentaram algum tipo de sintoma. Entre eles, estão alteração do paladar e olfato (62,9%); dor de cabeça (62,2%), febre (56,2%) e tosse (53,1%), palpitação (23,1%) e vômito (23,1%).

A primeira fase foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio, totalizando 25.025 entrevistas e testes. A segunda realizou-se entre os dias 4 e 7 de junho, tendo sido conduzidas 31.165 entrevistas e testes. A terceira fase ocorreu entre os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 entrevistas e testes.

A pesquisa apontou que a taxa de letalidade da infecção — número de mortes pelo total de casos — é de 1,15%. Ou seja, de 100 pessoas infectadas, uma vem a óbito. E revelou que a diferença entre o número de pessoas infectadas é seis vezes maior do o número de casos notificados. “Trata-se de algo esperado, quando a maior parcela dos casos é leve ou assintomática, o que deve ser ainda confrontado com outros estudos disponíveis visto que outras estimativas apontaram um número maior para essa chamada subnotificação”, explicou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco.

Segundo o coordenador da pesquisa e reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, a maior novidade do estudo é que 91% dos entrevistados apresentaram sintomas, diferentemente de outras pesquisas. Das 2 mil pessoas testadas positivo, mais de 62,9% tiveram alteração de olfato e paladar, 62,2% tiveram dor de cabeça, 56,2% relataram febre, 53,1% tiveram tosse e 52,3% informaram dores no corpo.

“Estamos dizendo que os sintomas da covid-19 aparecem e isso é bom para as autoridades locais desenvolverem protocolos para identificar os sintomas. Mas não quer dizer que cada uma delas necessitará de atendimento hospitalar”, ponderou Hallal.

Foram detectadas diferenças nas regiões do país. No Norte houve uma oscilação entre a 2ª e a 3ª fase, enquanto nas demais foi identificado crescimento neste período. Além disso, não existe diferença entre homens e mulheres em relação ao contágio. Em relação a idade, os dados mostraram que crianças pegam o vírus como pessoas mais velhas, embora estas tenham mais risco de evolução para quadro grave do que aquelas.

Em relação à transmissão dentro das famílias, o estudo trouxe resultados diferentes de outras pesquisas acadêmicas. Foram encontrados 39% de positivos, enquanto na literatura acadêmica sobre o tema a média é de 20%.

Os autores verificaram também o distanciamento social. As pessoas que saíram diariamente aumentaram de 20,2% para 26,2% entre a primeira e terceira fases da análise. Da mesma forma, o contingente que relatou ficar sempre em casa diminuiu de 23,1% para 18,9% entre a primeira e a última fase.

Foram entrevistadas pessoas em 133 cidades em todo o país, selecionadas por serem as mais populosas das regiões intermediárias. Foi maior estudo epidemiológico do mundo, verificando 90 mil pessoas com teste para o novo coronavírus, escolhidas por sorteio. Foi utilizado teste rápido (que verifica anticorpos). Os organizadores apresentaram um bom desempenho.

O secretário da Saúde também afirmou que esses números têm de ser avaliados pois confrontam os de outros estudos. “Ainda precisaremos de outros elementos para compreender completamente a dinâmica da doença no território. Os dados trazidos pela UFPel serão confrontados com outros estudos. Mas certamente é contribuição do Brasil para comunidade científica internacional”.

Somando as três fases da pesquisa, trata-se do estudo epidemiológico com maior número de indivíduos testados do mundo para o coronavírus, com uma amostra total de 89.397 pessoas entrevistadas e testadas.

Na primeira fase, foi possível completar 200 ou mais das 250 entrevistas e testes previstas em 90 das 133 cidades. Na segunda fase, 200 ou mais entrevistas e testes foram obtidos em 120 das 133 cidades. Na terceira fase, foi possível realizar 200 ou mais entrevistas e testes em todas as 133 cidades participantes da pesquisa.


Recursos

Ainda durante a entrevista coletiva, os representantes do Ministério da Saúde anunciaram a liberação de R$ 13,8 bilhões para estados e municípios com o objetivo de apoiar as ações de prevenção e combate à pandemia do novo coronavírus, sendo R$ 11,3 bilhões a prefeituras e R$ 2,5 bilhões a administrações estaduais.

Os critérios utilizados para municípios foram faixas populacionais, valores de produção de média e alta complexidades e valores transferidos em relação ao piso da atenção básica em 2019. No total, foram disponibilizados R$ 25 bilhões aos outros entes federados.


Ministério reúne voluntários para estudo clínico contra novo coronavírus 

Equipes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) completam na próxima segunda-feira (6) uma rota de quatro municípios paulistas, com o objetivo de reunir participantes para aderir a um estudo clínico que irá investigar a eficácia da nitazoxanida no tratamento de covid-19. A ação #500VoluntáriosJÁ realizou sua segunda etapa na quinta feira (02), com passagem do ministro titular da pasta, Marcos Pontes, por Barueri.

Ao comentar o potencial do medicamento, um vermífugo prescrito para giardíase, entre outras infecções parasitárias, o ministro disse que, em análises in vitro, houve uma redução de 94% da carga viral do novo coronavírus.


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