Paciente está há 17 meses sem vírus HIV após tratamento brasileiro

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Um brasileiro, com 36 anos, pode ser o primeiro adulto com HIV a alcançar remissão a longo prazo do HIV após o tratamento com apenas um coquetel especialmente projetado de medicamentos antivirais, sem a necessidade de um transplante de medula óssea. Os pesquisadores anunciaram o estudo na 23ª Conferência Internacional da Aids.

A pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), coordenado pelo infectologista Ricardo Sobhie Diaz, foi feita com pessoas que estavam com o vírus indetectável — ou seja pessoas que têm a carga viral baixa e não transmitem a doença, por mais que vivam com o vírus. O intuito era “acelerar” o que o tratamento já estaria fazendo por estas pessoas (diminuir a quantidade de células infectadas).

Foram recrutadas pessoas que iniciaram o tratamento com infecção pelo HIV relativamente recente e pacientes em tratamento com carga viral indetectável há mais de 2 anos. O estudo iniciou-se em 2013.

Os cientistas brasileiros afirmaram que o homem não mostra mais sinais da infecção persistente pelo HIV em exames de sangue que detectam o vírus, após tomar as substâncias dolutegravir, maraviroc e nicotinamida, além do coquetel regular. Mas os resultados preliminares exigem confirmação.

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O infectologista Ricardo Sobhie Diaz, que coordena o estudo, explicou que o paciente pode ser considerado livre do vírus. “O significado para mim é que tínhamos um paciente em tratamento, e agora ele está controlando o vírus sem tratamento. Não conseguimos mais detectar o vírus em seu organismo, e ele está perdendo a resposta específica ao vírus – se você não possui anticorpos, então não possui antígenos.”

O homem de 34 anos foi diagnosticado em 2012 com o vírus HIV. O tratamento adicional com dolutegravir, maraviroc e nicotinamida foi recebido em 2016; depois do período de 48 semanas (13 meses), o paciente retornou à terapia anti-retroviral padrão.

Ele parou de tomar todos os medicamentos anti-retrovirais em março de 2019. Seu sangue foi testado a cada três semanas desde então e não mostrou sinais da infecção, segundo os pesquisadores.

“Este caso é extremamente interessante, e realmente espero que possa impulsionar pesquisas adicionais para uma cura do HIV”, disse o médico do Instituto de Saúde da Itália que também coliderou o teste, Andrea Savarino, em uma entrevista à NAM Aidsmap. Savarino alertou, porém, que quatro outros pacientes soropositivos foram tratados com o mesmo coquetel, mas não viram os mesmos efeitos positivos. “Este resultado muito provavelmente não pode ser reproduzido. Este é um primeiro experimento (preliminar), e eu não faria previsões para além disso.”

Na coletiva apresentada, os cientistas observaram que as descobertas são empolgantes, mas preliminares, e que análises adicionais sobre o cultivo viral e o perfil sequencial de anticorpos e detecção de HIV estão em andamento. 

De acordo com a CNN, o infectologista relatou que a próxima fase do estudo deve contar com 60 pessoas e vai incluir mulheres como voluntárias — a primeira fase contou apenas com homens. A pesquisa está paralisada por causa da pandemia do novo coronavírus no país.



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