Quais os cuidados com alergia durante a pandemia de covid-19?

0
510

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 35% da população brasileira tem alergia. E com a pandemia do novo coronavírus, a chegada do inverno e o aumento do índice de poluição, as manifestações alérgicas tornam-se ainda mais recorrentes. Os tipos mais comuns são as respiratórias, da pele, alimentares, picadas de insetos, medicamentos, entre outras.

A alergia ocorre quando o organismo responde de uma maneira exagerada aos estímulos comuns do ambiente – elementos do ar, alimentos, medicamentos e outros.

E nesse contexto atípico de pandemia, os cuidados com as alergias devem ser maiores, principalmente pela semelhança de sintomas da infecção pelo novo coronavírus, que pode confundir e causar ansiedade nas pessoas alérgicas. Esse é o alerta da Associação Brasileira de Alergias e Imunologia (Asbai), que comemora nesta quarta-feira, dia 8 de julho, o Dia Mundial da Alergia.

A médica e coordenadora da Comissão de Assuntos Comunitários da Associação, Fátima Emerson, destaca que a coincidência dos sintomas de alergias, especialmente respiratórias, e da covid-19 requer atenção. A rinite, por exemplo, vem acompanhada de espirros, coriza e coceira no nariz. Já a asma pode manifestar falta de ar e cansaço.

Todos esses são sintomas apontados como indicativos da infecção pelo novo coronavírus. A médica acrescenta que em alguns casos, sintomas de alergias de pele, como urticária, também já foram detectados em pacientes com covid-19. Por isso, a recomendação é buscar a orientação de um médico. “A grande dificuldade é diferenciar se o paciente com asma está numa crise ou com a covid-19. O ponto de equilíbrio é que é o difícil. Por isso, a orientação médica é o ideal. O advento da telemedicina facilitou isso. As vezes, pela descrição podemos orientá-lo”, comenta a médica.

A Asbai destaca que as alergias não são um agravante ou facilitam o contágio pelo novo coronavírus. “As próprias vacinas usadas podem ser mantidas porque não causam aumento do risco e não implicam maior gravidade caso o paciente tenha covid-19”.

Mas há cuidados necessários. Aqueles com alergia a medicamentos devem informar os médicos caso necessitem de tratamento. Pessoas com alergias de pele podem ter impacto no uso constante de álcool em gel ou outros produtos de desinfecção. “É importante que essas pessoas usem sabonetes adequados para conseguir enfrentar todas essas agressões”, sugere Fátima Emerson.

Quem tiver dermatite de contato pode apresentar dificuldade no uso de alguns materiais necessários neste momento, como máscaras e luvas. Por isso, é importante recorrer a alternativas que garantam a proteção sem provocar reações alérgicas.

Em todos os casos em que houver presença de alergia, a recomendação é de que o tratamento seja feito de forma continuada, e não somente durante as crises.


Quais os principais tipos de alergia?

Alimentos

A alergia alimentar é uma resposta exagerada do organismo a determinadas proteínas presentes nos alimentos. Envolve um mecanismo imunológico e tem apresentação clínica muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, sistema gastrointestinal, respiratório e/ou cardiovascular.

As reações podem ser leves, com simples coceira nos lábios, ou até mais graves, incluindo comprometimento de vários órgãos e potencial risco de óbito. Apesar de poder se manifestar em qualquer época da vida, o quadro geralmente se inicia na infância. Dependendo do alimento e mecanismo envolvidos, a alergia pode se resolver até a adolescência ou persistir por toda a vida.


Pele

Essa alergia é uma reação inflamatória que pode manifestar-se em diferentes regiões da pele. As principais manifestações são: dermatite atópica, dermatite de contato, urticária, angioedema e estrófulo (alergia a picadas de mosquitos e pulgas).

Pessoas alérgicas têm a pele mais sensível. Por isso durante mudanças bruscas de temperatura, frio e banhos quentes, o contato da pele com determinados tipos de tecido ou substâncias podem deixá-la mais sensível, áspera, irritadiça, ressecada e avermelhada. É recomendado evitar o uso de muito sabonete nos locais em que os sintomas aparecem e também manter-se hidratado.


Respiratórias

Segundo a Organização Mundial da Saúde, centenas de milhões de pessoas de todas as idades sofrem dessas alergias respiratórias em todos os países do mundo. A rinite alérgica pode ser considerada a doença de maior prevalência entre as doenças respiratórias crônicas e problema global de saúde pública, acometendo cerca de 20 a 25% da população em geral.

Esse tipo de alergia é causada por alérgenos presentes no ar que contaminam o ambiente: poeira, mofo, ácaros, pólen de plantas, entre outros. Geralmente causam espirros, coriza, coceira nos olhos, falta de ar, tosse, dores de cabeça e podem contribuir para doenças como a rinite, asma e a sinusite. Roupas, cobertores e edredons, guardados por muito tempo, também podem conter uma concentração maior de ácaros e mofo e desencadear crises respiratórias.


Medicamentos

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), essa é uma reação adversa a qualquer efeito nocivo, não-intencional e indesejado de uma droga, observado nas doses terapêuticas habituais em seres humanos para fins terapêuticos, profiláticos ou diagnósticos.

Essa alergia acontece quando há envolvimento do sistema imunológico, que interpreta o medicamento como uma substância que causará algum dano ao corpo e o ataca.

Essas reações adversas são comuns e variam de efeitos mais moderados, como náusea e vômitos, à anafilaxia (dificuldades respiratórias). Normalmente, os principais sintomas dessa alergias são coceira na pele ou olhos, erupções cutâneas, inchaço dos lábios, língua ou rosto e urticária.


Atividade física e bem-estar psicológico
Por que somos tão preocupados?
91% dos infectados pelo coronavírus apresentaram algum sintoma, segundo estudo


Insetos

A alergia a picada de insetos, também conhecida como estrófulo, ocorre com mais frequência em crianças até 10 anos. Os sintomas são lesões da pele, onde aparecem pápulas (bolinhas) sobre uma área da pele avermelhada. Algumas vezes, dependendo da sensibilidade da pessoa, toda região do corpo pode ficar inchada e vermelha. O número de lesões é variável e a coceira é sempre muito intensa.

Os insetos que normalmente mais causam alergias são pernilongos, borrachudos, formigas, carrapatos e pulgas. Deve-se evitar coçar o local, pois isso pode gerar manchas, cicatrizes e até mesmo uma infecção por bactérias (trazidas pelas unhas).


Fique atento aos sintomas

As manifestações das alergias são diversas. É importante destacar que caso haja alguma suspeita ou algum tipo de reação, a pessoa deve consultar um médico ou a emergência.

Abaixo, verifique quando se deve suspeitar de uma alergia:

  • Se aparecerem lesões na pele, como placas vermelhas, inchaços que provoquem comichão ou ardor;
  • Vermelhões ou lesões que provocam comichão ou ardor;
  • Inchaço ou tumefacção da pele, especialmente se afetar lábios ou pálpebras;
  • Rinites, conjuntivites ou irritação na boca ou na garganta;
  • Tosse contínua ou persistente, respiração sibilante, sensação de sufoco ou insuficiência respiratória;
  • Queda abrupta da pressão arterial.

Fontes: Associação Brasileira de Alergias e Imunologia (Asbai); Agência Brasil; Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS)

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here