Doação de sangue não pode parar com a pandemia: ajude com segurança

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Diante de uma queda histórica em doação de sangue durante o período da pandemia do novo coronavírus, os profissionais e serviços de saúde do país mostram preocupação com a necessidade manter os estoques e a rede abastecida. Pessoas com anemias crônicas, acidentes que causam hemorragias, complicações decorrentes da dengue, febre amarela, tratamento de câncer e outras doenças graves, continuam ocorrendo. Ou seja, o consumo de sangue é diário e contínuo.

Diante disso, o Ministério da Saúde orienta à população que as doações de sangue devem continuar e que é um procedimento seguro, não havendo riscos para quem doa. Segundo a pasta, para receber os doadores, os cerca de 32 hemocentros no país, além de aproximadamente 500 serviços de hemoterapia — onde também são feitas coletas e uso do sangue —, estão preparados. Todos esses serviços estão disponibilizando condições de lavagem de mãos, uso de antissépticos e acolhimento que minimizem a exposição a aglomerado de pessoas. Cuidados com a higienização das áreas, instrumentos e superfícies também têm sido intensificados pelos hemocentros.

A Fundação Pró-Sangue também faz um apelo por doadores. O diretor-técnico científico Alfredo Mendroni Junior afirmou que a queda no número de doadores nesse período foi de 50%, a maior já vivenciada pela fundação. “Os estoques  costumam ser menores durante as festas de final de ano e em janeiro, mês de férias. Mas mesmo nesses períodos, a queda em geral era de no máximo 20%. Já tivemos quedas em outros momentos, mas nunca foi tão duradoura”.

A Fundação costuma coletar 10 mil bolsas de sangue por mês, que atende a rede pública da região metropolitana de São Paulo. “Uma redução de 50% de doadores significa uma queda de bolsas de sangue suficientes para causar um impacto muito significativo no atendimento do dia a dia dos nossos pacientes”, falou ele.

De acordo com o diretor técnico, as pessoas aptas a doar não precisam temer contaminação por coronavírus. “Qual é o grande motivo que enxergamos para as pessoas terem deixado de doar? Provavelmente o medo de sair de casa, o medo de se contaminar, especialmente porque a maior parte dos postos de doação estão inseridos dentro do ambiente hospitalar. Mas o que quero dizer para essas pessoas é que criamos todos os mecanismos de segurança para evitar qualquer tipo de contágio por esse doador. O fluxo de entrada é completamente independente do fluxo dos pacientes. Os doadores hoje marcam horário, agendam seu horário no melhor dia e hora e isto faz com que não haja aglomeração. E ofertamos todos os mecanismos de segurança para que o doador possa doar e se sentir seguro”, explicou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também mostrou preocupação e incentiva a doação de sangue, mesmo durante a pandemia. Nas redes sociais, a OMS e seu diretor-executivo, Tedros Adhanom Ghebreyesus, publicaram uma série de apelos pela doação constante e pela conscientização da necessidade de sangue de qualidade como componente essencial dos sistemas de saúde. “Nossa mensagem é: continue doando sangue e salvando vidas. Doar [sangue] durante a [pandemia] de covid-19 é seguro, dado o distanciamento social e o respeito à medidas de higiene”, afirmou.


Requisitos para doação de sangue

Na triagem de doadores, são seguidas normas nacionais e internacionais para oferecer segurança e proteção receptor e ao doador do sangue. No Brasil, pessoas entre 16 e 69 anos podem doar sangue. Para os menores de 18 anos é necessário o consentimento dos responsáveis e, entre 60 e 69 anos, a pessoa só poderá doar se já o tiver feito antes dos 60 anos Além disso, é preciso pesar, no mínimo, 50 quilos e estar em bom estado de saúde. No dia, é imprescindível estar com o documento.

Em relação à covid-19, são considerados inaptos para a doação de sangue por um período de 30 dias aqueles que apresentarem sintomas respiratórios e febre ou se tiverem tido contato, há menos de 30 dias, com casos suspeitos ou confirmados.

Abaixo estão listados os requisitos básicos e alguns dos principais impedimentos temporários e definitivos para doação de sangue. 

Requisitos básicos

  • Estar em boas condições de saúde;
  • Ter entre 16 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos);
  • Pesar no mínimo 50kg;
  • Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas);
  • Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa até 4 horas antes da doação);
  • Apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial;

Principais impedimentos temporários

  • Resfriado: aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas;
  • Gravidez;
  • 90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana;
  • Amamentação (se o parto ocorreu há menos de 12 meses);
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
  • Tatuagem / maquiagem definitiva nos últimos 12 meses;
  • Vacina contra gripe: por 48 horas;
  • Herpes labial ou genital: apto após desaparecimento total das lesões;
  • Herpes Zoster: apto após 6 meses da cura (vírus Varicella Zoster).

Principais impedimentos definitivos

  • Hepatite após os 11 anos de idade;
  • Evidência clínica ou laboratorial das doenças: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
  • Malária;
  • Homens – 60 dias (máximo de 04 doações nos últimos 12 meses);
  • Mulheres – 90 dias (máximo de 03 doações nos últimos 12 meses);

Foto: Erasmo Salomão/MS


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