Saúde vascular na gravidez: cuidados para o bem-estar

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Young faceless pregnant woman holds her big belly with hand isolated over yellow background. Pregnant model being photographed in photo studio. Future mother expects baby and posing with bare abdomen.

A gravidez certamente é um momento de muitas alterações no corpo da mulher, em todos os aspectos, inclusive na circulação sanguínea e, sobretudo, no sistema venoso. A presença de elevados níveis de hormônios, por exemplo, gera uma gradual dilatação dos vasos sanguíneos da gestante, um quadro que causa um dos principais problemas apresentados durante os nove meses: inchaço, surgimento ou piora de varizes e, nos casos mais graves, até o desenvolvimento da trombose venosa profunda (TVP). Por isso, a saúde vascular se torna um cuidado essencial para as gestantes.

O corpo precisa aumentar o volume de sangue circulante para suprir a criança que está se desenvolvendo, o que causa uma sobrecarga de volume nos vasos. Além disso, o útero aumenta muito seu tamanho e, com o avançar da gestação, passa a comprimir os vasos abdominais, dificultando o retorno venoso do sangue das pernas e pelve para o coração. Todos esses fatores colaboram para uma tendência ao desenvolvimento de problemas vasculares, como os citados acima.

Apesar de não ser comum, a incidência da trombose venosa profunda (TVP) aumenta na gravidez, principalmente em mulheres que têm predisposição genética, estão acima do peso ou já tiveram o problema anteriormente. O quadro surge quando se forma um coágulo de sangue que obstrui uma veia ou artéria, impedindo que o sangue passe através desse local.

De acordo com estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), há uma prevalência média da TVP de 38% na população geral brasileira, sendo encontrada em 30% dos homens e 45% das mulheres, levando em consideração todas as faixas etárias. Quanto mais idoso maior a prevalência sendo que 70% das pessoas acima dos 70 anos podem ter varizes. Os maiores fatores de risco são predisposição familiar, sexo feminino (proporção de até 2,3 para 1 homem), idade (quanto mais idoso maior a prevalência), obesidade. 

Nas mulheres, além das questões genéticas, idade e obesidade, o risco se intensifica de acordo com o aumento de gestações anteriores. “Naturalmente, a gestação promove uma elevação significativa dos níveis hormonais, entre eles progesterona, estrogênio, gonadotrofina coriônica humana (hCG) e o hormônio lactogênio placentário (hPL). Cada um deles tem uma função para a progressão da gestação e sua manutenção. Mas, para o sistema venoso, isso acarreta uma dilatação das veias do organismo, tornando-as mais complacentes e volumosas, que aumentam com o decorrer da gestação e causam inchaço, cansaço, dor, vasinhos e veias aparentes e sensação de queimação nas pernas”, explica o cirurgião vascular Matheus Bertanha, professor da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) e membro da SBACV.  

O especialista explica, ainda, que a partir do sexto mês de gestação, com o crescimento do bebê e da extensão abdominal, o retorno venoso da gestante é prejudicado, dessa forma, o útero pode comprimir a veia cava e causar uma intensificação dos sintomas de inchaço e dor. Fatores como o histórico de TVP e antecedente pessoal para a ocorrência de abortos repetidos devem ser avaliados durante o acompanhamento gestacional. Alguns outros precedentes também podem influenciar negativamente na qualidade de vida da gestante, como por exemplo, histórico de uso de tabaco, obesidade, sedentarismo e até mesmo alguns transtornos psicológicos.

Os sintomas podem ser caracterizados por dor, sensação de peso e cansaço nas pernas, queimação, inchaço, cãibra, coceira e formigamento.

Durante a gravidez é muito importante realizar o acompanhamento com um angiologista ou cirurgião vascular, para esclarecimento de dúvidas e até mesmo para diminuir o sofrimento causado pelo aparecimento de vasinhos ou varizes. Assim, o médico será capaz de identificar um tratamento viável, como o uso de meias elásticas para controlar a vasodilatação dos membros das pernas e dos pés, uma vez que alguns medicamentos e procedimentos cirúrgicos podem ser altamente arriscados, tanto para a mãe quanto para a criança. “É importante que a gestante entenda que os tratamentos mais definitivos para os vasinhos e varizes devem esperar a gestação terminar, para também o organismo voltar ao seu estado hormonal não gravídico”, aconselha.

O médico explica que em casos de prevenção e tratamento de quadros tromboembólicos, como a TVP, pode ser necessário o uso de medicamentos específicos, comprovadamente seguros para o feto. Porém, é imprescindível um acompanhamento rigoroso do cirurgião  vascular e do ginecologista-obstetra.

A prática de atividades físicas pode ser muito benéfica para a saúde da mulher grávida. Os exercícios de intensidade leve e moderada, com baixo impacto, são muito eficientes para o equilíbrio da circulação periférica e devem ser realizados ao menos três vezes na semana, mas feito com cautela. “Gestantes devem ficar atentas para sinais de alerta como falta de ar persistente, tonturas, dor no peito, contrações regulares e dolorosas, sangramento ou corrimento vaginal, que devem indicar a suspensão imediata das atividades físicas e uma consulta ao ginecologista”, diz o especialista.

Outras medidas podem contribuir para evitar ou minimizar, como o uso regular de meias elásticas, a alimentação saudável, evitar ganhar muito peso durante a gestação, caminhadas diárias, elevar as pernas algumas vezes por dia, e massagens adequadas.

Já a angiologista e cirurgiã vascular Bruna Naves Vaz de Oliveira aconselha as gestantes a não se preocuparem excessivamente. “Uma grande parte [dos vasinhos e varizes] desaparece após o parto e durante os primeiros meses. O momento ideal para tratá-las é a partir do terceiro mês de amamentação”.


Importante: caso haja alguma suspeita ou dúvida sobre o quadro,
procure um médico ou um especialista.


Fonte: Agência Brasil e Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV)


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