Radiação nos pulmões de pacientes com covid-19 acelera recuperação, diz estudo

Uma dose de radiação aplicada nos pulmões de pacientes com pneumonia causada pela covid-19 pode acelerar a recuperação de pacientes, mostra estudo realizado por médicos da Emory University de Atlanta, nos Estados Unidos, com um grupo pequeno de pacientes. A revisão por pares da pesquisa, procedimento usual na ciência para a publicação de artigos, ainda deverá ocorrer.

Os pesquisadores fizeram testes com 20 pessoas infectadas pelo novo coronavírus, todas com perfis semelhantes. Dez desses pacientes receberam uma baixa dose de radiação nos pulmões e tiveram os dados comparados com as outras dez que seguiram com o tratamento convencional, sem radiação. Com a radioterapia, o tempo médio para uma melhora significativa foi de três dias. No outro grupo a recuperação durou 12 dias.

Outros efeitos em potencial incluem menor média de tempo para a alta hospitalar (12 dias com radiação, 20 dias sem) e um risco mais baixo de precisar de ventilação mecânica (10% com radiação, 40% sem).

No entanto, os pesquisadores alertara que essas diferenças são muito pequenas para descartar a hipótese de que houve “sorte” nos resultados. Ou seja, ainda é cedo para confirmar que esse tratamento é realmente eficaz contra as complicações da covid-19.

O grupo que recebeu radiação era “um pouco mais velho, um pouco mais doente e tinham os pulmões um pouco mais danificados. Mas mesmo assim nós vimos um sinal forte de eficácia”, disse à Reuters o médico Mohammad Khan, um dos autores. Khan notou que, no grupo que recebeu a radiação, o uso de medicamentos foi interrompido antes e depois do tratamento para que os resultados refletissem somente a radiação. “Radioterapia pode reduzir a inflamação dos pulmões de pacientes de Covid-19 e reduzir as citocinas que causam essas inflamações”, afirmou.

Os resultados dos primeiros cinco pacientes foram aceitos para publicação na revista “Cancer”. O resultado com todos os 10 foram publicados na medRxiv — ainda não houve a revisão por pares. Os pesquisadores lançaram um ensaio randomizado e controlado do tratamento e esperam incluir outros centros médicos.


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