Teste em humanos da vacina de Oxford contra coronavírus tem resultados positivos

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Uma vacina experimental contra o coronavírus desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford mostrou-se segura e produziu uma resposta imune nas fases 1 e 2 dos testes clínicos em voluntários saudáveis, segundo os dados publicados nesta segunda (20) na revista médica Lancet. O resultado mantém a expectativa de que possa ser usada até o final do ano.

A vacina não provocou efeitos colaterais sérios e obteve resposta imune a anticorpos e das células T — outras células de defesa do corpo humano — em 14 dias após a imunização. Em 28 dias, a vacina induziu a uma resposta de anticorpos com capacidade para neutralizar o vírus.

Chamada AZD1222, a vacina foi descrita pelo cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde como a principal candidata em uma corrida global para deter a pandemia. Mais de 150 possíveis vacinas estão em vários estágios de desenvolvimento, com a farmacêutica norte-americana Pfizer e as chinesas Sinovac Biotech e CanSino Biologics também relatando respostas positivas.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, cujo governo ajudou a financiar o projeto, considerou os resultados como “notícias muito positivas”. No entanto, os pesquisadores alertaram que o projeto ainda estava em um estágio inicial. “Ainda há muito trabalho a ser feito antes que possamos confirmar se nossa vacina ajudará a gerenciar a pandemia de COVID-19”, disse a desenvolvedora da vacina, Sarah Gilbert. “Ainda não sabemos o quão forte é a resposta imune que precisamos provocar para proteger efetivamente contra a infecção por SARS-CoV-2”, disse acrescentando que os pesquisadores precisam aprender mais sobre o COVID-19 e continuar os testes em estágio final que já começaram.

As fases 1 e 2 dos testes, que foram conduzidas pela Universidade de Oxford e a empresa biofarmacêutica AstraZeneca, tiveram 1.077 voluntários. A empresa assinou acordos com governos de todo o mundo para fornecer a vacina, caso ela se mostre eficaz e obtenha aprovação regulatória. 

Ao todo, 50 mil pessoas participam dos testes em todo o mundo, 10% delas no Brasil: 2 mil em São Paulo, 2 mil na Bahia e outras 1 mil no Rio de Janeiro. O Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) da Unifesp coordena a aplicação da vacina em São Paulo, que começou em junho com voluntários da área da saúde.

No fim de junho, o Ministério da Saúde brasileiro anunciou que assinou uma carta-compromisso com a empresa e com a Universidade de Oxford para que a vacina seja produzida no Brasil com a transferência da tecnologia para a Fiocruz, no Rio de Janeiro.

O outro teste em fase final que ocorre no Brasil é o do laboratório chinês Sinovac, em parceria de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan, que pode vir a produzi-la em larga escala.


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