Sua autoestima não depende só do que você vê no espelho

A busca por uma melhor autoestima tem sido, cada vez mais, um dos motivos para iniciar um tratamento psicológico. “Não me acho bonito”, “Não me sinto atraente”, “As pessoas não olham pra mim”, “Não sei por que ela namora comigo, pode ser pena”. Pensamentos como esse são comuns de um psicólogo ouvir e mostram uma ideia, de certa forma, equivocada sobre o que de fato é a autoestima.

Sendo assim, a maneira como nos vemos no espelho, ou melhor, a nossa autoimagem é apenas um dos componentes da nossa autoestima e é acompanhada por mais outros conceitos fundamentais que formam o nosso olhar sobre nós mesmos.

A autoestima é um conceito muito amplo e pode ser resumida em quatro pilares importantes: autoconceito (o conceito que temos sobre quem somos), autoeficácia (o quanto nos achamos habilidosos com algo), autorreforço (o quanto nos reforçamos/ gratificamos pelas nossas atitudes) e autoimagem (qual atribuição damos para nossa aparência).

O autoconceito refere-se às atribuições que damos a quem somos, nosso caráter, personalidade e comportamento. É uma opinião que temos sobre o nosso “todo” enquanto ser humano. “Me considero alguém ruim”, “me considero uma ótima pessoa”, “acho que sou alguém azarado”, etc. A opinião que temos sobre nós pode nos fazer trilhar diferentes caminhos, pois, sob a perspectiva da Teoria Cognitiva Comportamental, chamamos esse tipo de pensamento de “crenças” que regem nossa vida.

Disse anteriormente que essas crenças podem nos levar pra diversos caminhos, pois a medida que temos um autoconceito negativo sobre quem somos, faz todo o sentido que busquemos caminhos coerentes com a pessoa “não merecedora” e “não digna” que acreditamos ser. Assim como o contrário disso também é possível, podemos trilhar caminhos sob a perspectiva de crenças mais positivas e otimistas sobre nós.

Outro conceito importante é a autoeficácia que diz respeito ao quanto nos achamos habilidosos, bons e capazes para realizar nossas tarefas. Esse pilar é de extrema importância, pois perpassa várias áreas da nossa vida, como: o quanto me acho um bom pai ou mãe, profissional, esposo (a), filho (a), colega de trabalho, chefe etc. Já dá pra imaginar que crenças relacionadas a incapacidade, pode nos trazer uma sensação de que o que fazemos nunca é “bom o suficiente”. Esse tipo de sensação pode fazer com que a gente evite novas situações que coloquem nossa capacidade “em jogo” e, até mesmo, impeça que a gente treine, pratique e desenvolva melhor essa habilidade.

O autorreforço fala do quanto nos gratificamos pelas nossas atitudes. É muito comum termos pensamentos de que “não fazemos mais nada que nossa obrigação”, que nossas tarefas diárias são “o mínimo que deveríamos ter feito”, quando, na realidade, é de suma importância termos orgulho da realização das nossas tarefas, das nossas boas atitudes e nos reforçarmos por isso.

Não estou falando sobre toda a vez que fazemos algo bom que precisamos nos “presentear” por isso. O que quero dizer é que o nosso autorreforço tem a ver com avaliarmos de forma justa e coerente o que fazemos e, com isso, termos satisfação com as nossas realizações. E isso tem a ver com abandonarmos os pensamentos de que “isso é o mínimo ou isso era minha obrigação”. Um bom pensamento pode ser: “que bom ver que estou sendo resolutivo nas minhas tarefas diárias e obrigações, isso pode me proporcionar consequências positivas”.

E, por fim, o pilar da autoimagem que tem a ver sobre o que achamos da nossa aparência. Esse é um ponto sensível para muitas pessoas, principalmente para as mulheres, pois, por muito tempo e até hoje, fomos colocadas em padrões e formatos de beleza praticamente inalcançáveis. Quem estivesse fora desse formato necessariamente não era uma mulher bela ou desejável. E é devastador pensar que a beleza é definida por um padrão socialmente construído, visto que esse é um conceito tão pessoal e subjetivo.

Podemos ver isso em relação aos “ícones de beleza”, a opinião nunca é unânime sobre a beleza de alguém: nem todo mundo acha o Brad Pitty bonito e tá tudo bem. A ideia é que se Brad se sente bem com sua aparência, é isso que importa. A avaliação dos outros sobre nós perde força quando o nosso conceito sobre nossa imagem é saudável e realista.

Uma maneira lúdica de pensarmos a autoestima na perspectiva desses conceitos é na comparação com uma roda. Para que uma roda desempenhe sua função, é necessário que sua anatomia esteja o melhor possível. Por exemplo, é fundamental que os pneus de um carro estejam em um bom estado para que o carro ande. O contrário disso pode trazer ao motorista um possível acidente, um “perrengue” na estrada e, até mesmo, o carro pode nem sair da garagem.

E com a nossa autoestima funciona da mesma forma, pois quando não nos sentimos bem com quem somos, não gostamos da nossa aparência, não nos sentimos capazes e avaliamos nossas atitudes como “não fiz mais que a minha obrigação” podemos viver parados, passando perrengues e, até mesmo, sofrendo por não ser quem gostaríamos.

Dessa forma, é importante refletirmos sobre algumas ações práticas que podem melhorar e tornar nossa autoestima um pouco mais saudável:

  • Tenha atitudes que vão ao encontro dos seus valores de vida. Faça aquilo que te gere orgulho de você mesmo.
  • Invente sua própria moda. E avalie seus próprios conceitos sobre o que é belo.
  • Se exponha a novos desafios. Neles você pode aprender novas habilidades e até potencializar aquilo que você já sabe.
  • Tenha uma avaliação coerente e justa sobre quem você é. Situações isoladas não definem toda a sua história. Tenha mais compaixão de você.
  • Se gratifique sempre que avaliar necessário. Se você não se orgulhar das suas atitudes, como espera que outros se orgulhem?

Uma boa autoestima faz com que busquemos caminhos importantes e saudáveis pra nossa vida. Esses pilares têm como base o autoconhecimento e o cuidado com a nossa saúde mental. Caso você identifique que essa é uma área complexa e difícil na sua vida, não espere! Busque auxílio profissional e invista em você.


Fonte de pesquisa: RISO, Walter. Apaixone-se por si mesmo. Editora Planeta, São Paulo, 2011.


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