O que os números dizem sobre o novo coronavírus e a Covid-19 no Brasil

De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado na quarta-feira (29), pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 90.134 mortos pela covid-19 desde o início da pandemia do novo coronavírus. A contagem atingiu o total de 2.552.265 pessoas infectadas pelo vírus.

Entre 26 de junho e 26 de julho, o número de pessoas diagnosticadas com Covid-19 no Brasil dobrou. O número de mortes causadas pela doença também cresceu. Nas últimas duas semanas de julho, em média 1.064 pessoas perderam a vida por dia. Mais do que um mês atrás, quando a média diária era de cerca de 1.000 vítimas fatais. Apesar dos discursos positivos de enfrentamento e celebrações pelas pessoas recuperadas e reabertura das atividades econômicas em várias cidades, o que os números mostram é que o país está longe do controle da doença.

Do ponto de vista de saúde pública, os números são importantes para o entendimento do comportamento da doença no país e a definição de políticas para sua contenção e tratamento dos pacientes. “Independentemente do uso político dos dados, os números são muito claros e mostram que não estamos sendo capazes de controlar o vírus e que as medidas tomadas até agora foram insuficientes”, explica o médico cardiologista do Hospital Israelita Albert Einstein, professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Marcio Sommer Bittencourt.

O Brasil está no caminho inverso de países como a China, berço do novo coronavírus, que após quatro meses do início do surto, começou a apresentar importantes quedas no número de novos casos e mortes. “Quatro meses depois do início do surto, os números no Brasil continuam crescendo e, ao mesmo tempo, vemos a reabertura dos serviços. A perspectiva não é boa. Isso já foi visto em lugares como a Flórida, nos Estados Unidos, que é hoje o epicentro do novo coronavírus naquele país. “Como abrir tudo em um momento de alta da doença?”, indaga o médico.


Não está estável

“Não podemos, de forma alguma acreditar que o número de mortes está estável. 1300 mortes por dia por uma doença evitável não é normal, nem estável. Estamos sim, na manutenção de um número elevado de óbitos”, afirma Bittencourt. Por isso, ele lembra que os dados devem ser analisados sempre comparando períodos, para que não sejam banalizados. “A gente começa a considerar início do controle, normalmente após uma sequência de 14 dias, que é o tempo de dois ciclos do vírus, de queda nos números de novos casos”, diz. O mesmo acontece com as mortes.

JUNHONovas MortesTotal MortesJULHONovas MortesTotal Mortes
DOM26/0699055.961DOM26/0755587.004
SAB25/061.14154.971SAB25/071.21186.449
SEX24/061.18553.830SEX24/071.15685.238
QUI23/061.37452.645QUI23/071.31184.082
QUA22/0665451.271QUA22/071.28482.771
TER21/0664150.617TER21/071.36781.487
SEG20/061.02249.976SEG20/0763280.120
DOM19/061.20648.954DOM19/0771679.488
SAB18/061.23847.748SAB18/0792178.772
SEX17/061.26946.510SEX17/071.16377.851
QUI16/061.28245.241QUI16/071.32276.688
QUA15/0662743.959QUA15/071.23375.366
TER14/0661243.332TER14/071.30074.133
SEG13/06892 42.720 SEG13/07 733 72.833

Contaminados

É a contagem diária de pessoas que foram diagnosticadas com o Sars-CoV-2 desde o início da contagem, ou seja, do primeiro caso confirmado no Brasil, em 25 de fevereiro.  De acordo com o Ministério da Saúde, foram contabilizadas no país até agora 2,5 milhões de pessoas com a doença. No domingo, dia 19 de julho, de acordo com o Ministério da Saúde, foram 54.771 novos casos, mais que o dobro que o valor registrado no mesmo dia do mês anterior, em 19 de junho. Não há uma queda constante.

JUNHOTotal CasosNovos CasosJULHOTotal CasosNovos Casos
DOM26/061.274.97446.860DOM26/072.419.09124.578
SAB25/061.228.11439.483SAB25/072.394.51351.147
SEX24/061.188.63142.725SEX24/072.343.36655.891
QUI23/061.145.90639.436QUI23/072.287.47559.961
QUA22/061.106.47021.432QUA22/072.227.51467.860
TER21/061.085.03817.459TER21/072.159.65441.008
SEG20/061.067.57934.666SEG20/072.118.64620.257
DOM19/061.032.91354.771DOM19/07   2.098.38923.529
SAB18/06978.14222.765SAB18/07   2.074.86028.532
SEX17/06955.37732.188SEX17/07   2.046.32734.177
QUI16/06923.18934.981QUI16/07   2.012.15145.403
QUA15/06888.27120.647QUA15/07   1.966.74839.926
TER14/06867.62417.110TER14/07   1.926.824 41.857
SEG13/06850.51421.704SEG13/07   1.884.96720.286

Taxa de letalidade

É o índice que mostra qual a proporção de mortes entre as pessoas diagnosticadas com Covid-19. No Brasil, esta taxa é de 3,8%. Isso quer dizer que quase 4 pessoas a cada 100 pessoas com a doença morrem no país. Este número, explica o médico do Einstein, evidencia o problema da falta de testagem no Brasil. “Sabemos que a taxa de letalidade da doença no mundo está próxima ou abaixo de 1% e este é um valor que não tem mudado muito, exceto em populações mais jovens. No Brasil é mais alto porque temos ao menos quase quatro vezes menos pessoas testadas para o novo coronavírus. Estamos diagnosticando menos a doença”, afirma.


É difícil prever

O médico do Einstein diz que, com base nos dados, é difícil prever quando a Covid-19 estará sob controle por aqui. “Não estamos vendo uma tendência de queda. As atividades estão sendo retomadas, as pessoas estão circulando mais nas ruas e, do ponto de vista prático, poucas medidas além do distanciamento físico têm sido tomadas para conter o vírus. Agora, com mais casos ativos, fica mais difícil controlar”, diz.


Fonte: Agência Einstein.


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