Planejamento para uma vida saudável II – Acúmulo

Já vimos nos documentos anteriores que ter uma vida financeira estruturada é fundamental para obtermos saúde. Repare, não é uma vida regrada e sim uma vida estruturada financeiramente. Sei que não é algo simples, afinal, todos buscamos ter saúde e dinheiro ao longo da vida e, principalmente, ao final da jornada chamada de melhor idade. Mas esta só se tornará de fato a melhor idade se cuidarmos das variáveis ao longo do process, que no caso abordado por este artigo ficam delimitados em saúde e finanças. Desta vez, irei abordar o acúmulo de capital.

Já sabemos que as finanças afetam positiva e negativamente a nossa saúde emocional e, por consequência, a saúde física. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 23 milhões de de pessoas sofram com transtornos ou doenças psicológicas, sendo que 5 milhões de pessoas dessa parcela são afetadas mentalmente de forma agravada ou moderada no nosso país desencadeado por problemas financeiros. Verificamos anteriormente a importância da proteção através de ferramentas de seguro e de investimentos com liquidez diária para formação da reserva de emergência. Com essa estrutura você começa a criar a sua armadura financeira para sua vida.

Vamos relembrar abaixo, mais uma vez, a estrutura a qual iremos seguir até o final desta “trilogia” de artigos que traçam o caminho para uma vida financeiramente saudável:


Chegamos no degrau onde falaremos sobre acúmulo. Você deve estar pensando: Como vou tirar um percentual para proteção e outro para acúmulo? Calma, você vai conseguir! Imagine que cada degrau é uma caixa (ou um pote!) e imagine que ao receber sua renda você separe pequenas parcelas para cada uma dessas etapas. Falamos em retirar 5% para proteção e quanto iremos tirar para esta nova etapa?

Antes de encontrarmos a resposta para esta pergunta, vamos entender como iremos fazer. Bom, quando falamos em acumular pensamos em patrimônio, certo? Partindo deste princípio, faz sentido pensarmos em longo prazo e lá na frente fará parte da sua aposentadoria. No mundo dos investimentos existem diversas formas de atuarmos no longo prazo, mas uma premissa é importante quando se trata de longo prazo que é definir o nível de risco. Quanto maior o prazo maior o risco de mercado, afinal, quanto maior o prazo maior a chance de impactos nas mudanças políticas e econômicas, por exemplo.

As mudanças devido ao impacto econômico desta pandemia que estamos vivendo, como as recentes políticas monetárias que vem derrubando cada vez mais a taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é um bom exemplo de risco. Para efeito de conhecimento, a taxa SELIC representa a taxa básica de juros da economia e como parte da decisão da Política Monetária, serve como mecanismo para definir liquidez, controle da inflação entre outras premissas. A título de curiosidade, no mês de junho de 2019 esta taxa era de 6,50% e no mês de junho de 2020 o COPOM (Comitê de Política Monetária), responsável pela votação da meta da taxa SELIC, reduziu para 2,25%. Ou seja, os investimentos de renda fixa passaram a ser bem menos atrativos.

O bom é que pensando em acúmulo de patrimônio tem um fator que ajuda e muito nesta estrutura, os juros compostos. Quanto mais longo o prazo mais o dinheiro renderá. Albert Einstein, físico teórico alemão (1879 – 1955) considerado gênio, tem uma frase famosa que diz: os juros compostos são a força mais poderosa do universo e a maior invenção da humanidade, porque permitem uma confiável e sistemática acumulação de riqueza.

Então, quem somos nós em discordar dele, não é mesmo?!

E após este pequeno discurso sobre economia, o que iremos buscar é de fato uma sistemática e confiável acumulação de riqueza. Primeiro ponto é definir a estratégia, já que estamos falando em longo prazo, a rentabilidade não será uma prioridade e sim a constância e as garantias. Para tanto, certamente algumas dessas ferramentas irá compor sua carteira.

  • LCI e LCA – São letras de crédito, emitidas por bancos, com o objetivo de financiar o setor imobiliário e o setor de agronegócios. É seguro, com baixo risco e com uma grande vantagem, é isento de imposto de renda.
  • Fundos de Investimento – é uma alternativa para investir em ações (a exemplo dos fundos de multimercado), diversificando os riscos já que em um fundo nada mais é do que uma grande carteira com diversos tipos de ativos. Uma vantagem é ser administrada de forma profissional, mas muito cuidado com os custos que envolvem as taxas administrativas e taxas de performance, pois dependendo pode impactar muito no desempenho do seu investimento.
  • Debêntures – São títulos de dívidas, ou seja, você emprestará dinheiro para uma empresa e em troca recebe um rendimento no momento do rendimento. Geralmente é um percentual de juros atrelado ao IPCA o que é uma vantagem visto que é o indexador da inflação.
  • Tesouro Direto – Existem inúmeros títulos que devem ser avaliados. Mas aqui serve a máxima, quanto mais longo o prazo de vencimento maior a rentabilidade, pois o risco aumenta. Mas se tratando de tesouro direto a garantia é o próprio governo, então podemos dizer que existe um risco muito baixo. Existem títulos públicos pré-fixado e pós-fixado. Pré-fixado já determina a rentabilidade fixa e pós-fixado geralmente corrige um percentual + algum indexador (SELIC ou IPCA).

Quero ressaltar que o intuito deste artigo não é indicar carteira de investimento, fundo de investimento ou qualquer que seja uma forma de investir. Apenas destacar alguns meios disponíveis no mercado para a estratégia de acúmulo e que vá ao encontro deste conceito.  Portanto, certifique-se de que ao começar não irá necessitar deste recurso no curto prazo ressaltando ainda mais a importância de começar pelo artigo anterior relacionado a etapa de proteção.

Falamos de economia, ferramentas para chegar ao objetivo, mas ainda não respondemos a pergunta feita anteriormente de qual percentual devo destinar para esta etapa de acúmulo.
Vamos a resposta analisando o gráfico abaixo:


Conforme comentado no artigo anterior, este gráfico irá acompanhar nossos documentos para identificarmos, dentro do seu orçamento, como ficarão as divisões para cada etapa. Então já temos 5% da receita para a etapa da Proteção, dividido em 3% para ferramentas que protejam contra imprevistos e 2% para formar uma reserva de emergência. Agora, incluímos mais 5% para investimentos de longo prazo para acumularmos riqueza para o futuro.

Espero que, por mais questionamentos que você ainda possua, tenha feito sentido. Mesmo achando que pode ser difícil atingir essas quantidades, o mais importante é começar. Divida dentro dessas etapas e seja persistente, você vai ver que com o tempo vai ficando mais fácil e quando criar o hábito e ver a tranquilidade conquistada você vai se perguntar como viveu até hoje sem atuar desta forma.

Conhecimento + atitude = hábito de sucesso.

Continue acompanhando e vamos em frente e, por favor, deixe seus comentários abaixo ou entre em contato! Muito obrigado por mais esta leitura. Cuide de sua saúde e de suas finanças!


LEIA MAIS:
Saúde e Finanças
Planejamento para uma vida saudável
Planejamento para uma vida saudável I — Proteção

Ricardo Bacelo Mattehttp://www.infohealth.com.br
Graduado em Administração de Empresas com pós-graduação em Gestão de Serviços e especialização em Gestão Financeira. Atuante no mercado financeiro há 10 anos.

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