Por que a validação emocional é importante para as nossas vidas?

Validação emocional diz respeito a encontrarmos veracidade no sentimento do outro mesmo que não estejamos sentindo o mesmo que ele. Geralmente, nos sentimos “abraçados” quando alguém nos diz: “eu entendo o que tu está sentindo, é muito difícil passar por isso mesmo”. Isso quer dizer que, mesmo que a gente não esteja passando por uma situação parecida, podemos compreender e encontrar verdade naquilo que o outro está sentindo.

Quando validamos a emoção de alguém, permitimos que o outro se sinta aceito. Da mesma forma que é importante não banalizarmos o que sentimos, é fundamental transmitir esse amparo emocional aos que estão à nossa volta, pois, com isso, podemos auxiliá-los a terem comportamentos mais saudáveis para suas vidas.

Mas, tu pode estar te perguntando, qual a importância de falar sobre isso? Por que é importante gastar meu tempo lendo esse texto? Bom, quero trazer algumas reflexões importantes das razões pelas quais é importante falarmos sobre esse tema.

1º: validar o sentimento do outro melhora as nossas relações

Isso é um fato. Ninguém quer estar muito tempo com alguém que constantemente não dá crédito, critica, desvaloriza e parece não se importar com o que sentimos. Quantas vezes você já ouviu: “tirou nota 10 na prova, mas não fez mais nada que a sua obrigação” e “engole o choro”.

Ouvir esses comentários traz uma sensação de que o sujeito não tem o direito de ficar feliz pelo seu desempenho, mesmo que estudar seja uma das suas únicas atividades ou também que ele não tem o direito de chorar mesmo que se sinta triste ou frustrado. Quando não valorizamos o que o outro sente, impedimos que haja uma conexão emocional maior nossa com ele.

2ª: a validação emocional pode melhorar a nossa autoestima

Quando não nos sentimos emocionalmente validados, temos a tendência de nos sentirmos incapazes, insuficientes e, até mesmo, com uma grande sensação de desvalor. A autovalidação tem a ver com a nossa capacidade de aceitarmos o que sentimos sem sermos críticos, rígidos e duros com o que se passa dentro de nós. Fazer isso provoca uma maior aceitação de quem somos, trazendo um olhar mais autocompassivo com a forma que nossas emoções aparecem.

3 ª: a validação provoca compreensão, não concorda com tudo e propõe novas formas de agir.

A validação predispõe o não julgamento do que o outro sente. Não necessariamente estamos falando que devemos concordar com comportamentos inadequados. A questão é que ficamos abertos a entender a emoção que levou ao comportamento. Por exemplo, podemos não concordar que o nosso filho dê um tapa no colega, mas podemos entender e validar as emoções que ele sentiu naquela hora. Podemos compreender e validar a raiva que ele sentiu, explicar os motivos pelos quais aquele comportamento está inadequado e ensiná-lo novas formas de lidar com a raiva. A validação emocional vai ao encontro das emoções que estão desreguladas e propõe uma nova versão para comportamentos desajustados a partir de uma forma respeitosa e compassiva.

A partir dessas razões é importante refletirmos sobre o que temos verbalizados para o outro e até para nós mesmos. Será que temos dito mais: “eu compreendo o que tu sente, não é fácil” ou “você não deveria sentir isso” ? Se a sua resposta for a primeira, fico muito feliz! Dificilmente somos ensinados a validar os sentimentos dos outros e os nosso próprios sentimentos. Se a sua resposta for a segunda, tenho algo para te dizer: nunca é tarde para aprendermos habilidades novas. Acredite, sua vida e suas relações vão melhorar significativamente.

Quero te apresentar ações práticas que podem te auxiliar a ser alguém mais validante:

  • Ouça atentamente o que o outro está lhe dizendo;
  • Observe as possíveis emoções que embasam o que ele está falando;
  • Ative sua empatia. Tente se colocar no lugar da pessoa, principalmente de forma emocional.
  • Quando achar que é conveniente, você pode dizer: “isso é realmente algo muito difícil de sentir”, “eu no teu lugar sentiria o mesmo”, “eu nunca passei por isso, mas imagino o quanto deva ter sido difícil”.

É mais simples do que a gente imagina, mas demanda esforço em escutar, dar importância, investir tempo e mostrar interesse. Por isso, te desafio a desenvolver essa habilidade e a potencializar suas relações para que você tenha conexões emocionais mais saudáveis e duradouras.


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Referências

LEAHY, TIRCH, NAPOLITANO. Regulação Emocional em Psicoterapia. Artmed. Porto Alegre, 2013.

Luísa Anzolin
Psicóloga clínica com foco na terapia cognitivo comportamental. CRP 07/32043

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