Pesquisadores encontram método para regenerar a cartilagem nas articulações

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Stanford descobriram uma maneira de regenerar, em ratos e tecido humano, a almofada de cartilagem encontrada nas articulações. Quando essa cartilagem é danificada por trauma, doença ou com a idade, os ossos podem esfregar diretamente uns nos outros, causando dor e inflamação

A perda dessa camada de tecido, responsável por muitos casos de dor nas articulações e artrite, atinge cerca de 2 milhões de brasileiros, a maioria mulheres entre 30 e 50 anos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição atinge uma em cada 100 pessoas no mundo.

Os cientistas causaram uma leve lesão ao tecido da articulação e, em seguida, usaram sinais químicos para orientar o crescimento de células-tronco esqueléticas conforme as lesões cicatrizam. O trabalho foi publicado em 17 de agosto na revista Nature Medicine.

Em publicação divulgada no site da Universidade, o professor assistente de cirurgia Charles KF Chan, disse que “a cartilagem tem potencial regenerativo praticamente zero na idade adulta, então, uma vez ferida ou desaparecida, o que podemos fazer pelos pacientes tem sido muito limitado”. Ele destacou sobre a importância da descoberta “É extremamente gratificante encontrar uma maneira de ajudar o corpo a regenerar este importante tecido.”

O tratamento tradicional é realizado a partir de uma técnica chamada microfratura, na qual pequenos orifícios são feitos na superfície de uma articulação, que faz com que o corpo crie um novo tecido na articulação. No entanto, esse tecido não se parece muito com a cartilagem, pois não tem a elasticidade natural e tende a se degradar com o tempo. E isso é um problema. Percebendo isso, os pesquisadores resolveram observarar o que as células-tronco faziam após esta microfratura.

Trabalhando em ratos, a equipe documentou que a microfratura ativou as células-tronco esqueléticas, no entanto, deixadas por conta própria essas células-tronco regeneraram fibrocartilagem na articulação, o que não era o objetivo.

De acordo com os pesquisadores, à medida que o osso se desenvolve, as células devem primeiro passar por um estágio de cartilagem antes de se transformar em osso. Então, tiveram a ideia de encorajar as células-tronco esqueléticas da articulação a iniciar um caminho para se tornarem osso, mas interromper o processo no estágio de cartilagem.

Eles usaram uma molécula chamada proteína morfogenética óssea 2 (BMP2) para iniciar a formação óssea após a microfratura, mas pararam o processo no meio do caminho com uma molécula que bloqueou outra molécula sinalizadora importante na formação óssea, chamada fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). 

“O que acabamos foi com uma cartilagem feita do mesmo tipo de células da cartilagem natural, com propriedades mecânicas comparáveis, ao contrário da fibrocartilagem que geralmente obtemos”, disse Chan. “Ele também restaurou a mobilidade de camundongos com osteoartrite e reduziu significativamente sua dor”.

O próximo estágio da pesquisa é conduzir experimentos semelhantes em animais maiores antes de iniciar os testes clínicos em humanos. Devido à dificuldade de trabalhar com articulações muito pequenas de ratos, pode haver algumas melhorias no sistema à medida que se movem para juntas relativamente maiores.


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