Uso de corticoides reduz tempo de ventilação mecânica em pacientes graves com Covid-19

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O tratamento de pacientes adultos em estado grave de Covid-19 — infecção causada pelo novo coronavírus — com anti-inflamatório corticoide dexametasona reduziu o período de ventilação mecânica, de acordo com uma análise de sete ensaios internacionais divulgada nesta quarta-feira (02), na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA). A descoberta é do novo estudo da Coalizão Covid-19 Brasil, intitulado Coalizão III.

Segundo o estudo, portadores do novo coronavírus com síndrome respiratória aguda grave passaram, em média, 6,6 dias fora dos respiradores, quando tratados com corticoides. Já os pacientes com o mesmo quadro clínico, mas que não utilizaram o medicamento, ficaram quatro dias, em média, sem precisar da ventilação.

Os testes tiveram início no dia 17 de abril, com inclusão do último paciente em 23 de junho, e acompanhamento final em 21 de julho. Foram incluídos 299 pacientes com síndrome respiratória aguda grave submetidos a ventilação mecânica (respiração artificial) em 41 UTIs brasileiras. Os pacientes analisados tinham idade média de 61 anos e cerca de 60% deles eram do sexo masculino.

Por meio de randomização (sorteio), os pacientes receberam dexametasona mais suporte clínico (151 pacientes) ou apenas suporte clínico padrão (grupo controle, 148 pacientes). O medicamento foi usado na dose de 20 mg durante 5 dias e 10 mg durante 5 dias. A avaliação do efeito do tratamento com dexametasona considerou como resultado principal o número de dias que o paciente permaneceu fora do respirador artificial em até 28 dias.

Esteróides como dexametasona, hidrocortisona e metilprednisolona são usados ​​por profissionais da saúde a fim de controlar o sistema imunológico do corpo, aliviando a inflamação, inchaço e dor. No caso de infecção por Covid-19, muitos pacientes morrem não por causa do vírus, mas pela reação exagerada do corpo à doença.

Em junho, pesquisadores da Universidade de Oxford anunciaram que a dexametasona, um esteroide acessível e amplamente utilizado, também reduziu as taxas de mortalidade em pacientes graves com covid-19. Além disso, o remdesivir era a única outra droga que se mostrou eficaz neste tipo de tratamento. O medicamento foi autorizado pelos reguladores dos Estados Unidos para uso em pacientes graves.

A Coalizão Covid-19 Brasil é formada por oito organizações de saúde (Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute – BCRI, e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva – BRICNet).


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OMS recomenda o uso de corticoides

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou orientações para médicos e profissionais de saúde sobre o uso de corticoides em pacientes com Covid-19. Após a informação do estudo, entidade recomenda a medicação para o tratamento de casos graves e críticos.

“Sugerimos o não uso de corticosteroide no tratamento de pacientes com Covid-19 não grave, pois o tratamento não trouxe benefícios, podendo até ser prejudicial. O tratamento deve ser realizado sob supervisão de um médico”, relataram em nota.

Os corticoides estão na lista modelo de medicamentos essenciais da OMS, prontamente disponíveis em todo o mundo a um baixo custo. 


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