Como a genética pode ajudar na redução do risco de lesões musculares

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Todos nós conhecemos alguém que sempre reclama daquela dor no joelho, no calcanhar ou até aquela pessoa jovem que tem a flexibilidade prejudicada. Muitas pessoas até usam o medo de lesões e desgaste nas articulações como desculpa para não seguir algum tipo de exercício físico. Muitas dessas questões podem ter explicação a partir da nossa genética.

Além das nossas escolhas do dia-a-dia, a nossa genética pode nos ajudar a entender várias questões sobre as nossas possíveis limitações físicas e poder criar estratégias para melhorar a nossa performance esportiva.

Independente da nossa genética, o ser humano não nasceu para ficar parado. Isso quer dizer que, de alguma forma, temos que incluir a atividade física na nossa rotina. Porém, algumas pessoas, poderão encontrar algumas dificuldades em sua jornada desportiva seja na dificuldade de ganhar massa muscular ou dificuldades na resistência ou até elevada propensão a lesões.

Todos nós somos únicos, carregamos traços que determinam várias das nossas características como indivíduo. Anteriormente, falei um pouco sobre os nossos polimorfismos em um único nucleotídeo, que são as mudanças no nosso DNA que podem ser identificadas em um teste genético e ajudam muito o profissional de saúde a pensar nas melhores rotas de saúde para cada pessoa.

Dentro dos vários genes estudados, existem algumas alterações que podem promover um maior risco de lesões no ser humano. Essa informação faz toda a diferença quando pensamos em escolher um exercício seguro e uma rotina que nos ajuda a minimizar o risco de lesões.

Alguns estudos mostram que o colágeno tipo V é um componente secundário de tecidos que contêm colágeno tipo I, como a pele, os tendões, os ligamentos, os ossos e até os vasos sanguíneos. A amplitude do movimento é um parâmetro relacionado como um dos principais fatores associados ao desempenho muscular e a flexibilidade e pode ser definida como a capacidade de mover uma articulação em toda a sua amplitude de movimento. Problemas na flexibilidade são frequentemente relatados em academias e studios de pilates.

Existem alguns polimorfismos (SNPs) do COL5A1 que são associados a um melhor desempenho em corridas, lesões do tendão de Aquiles e à amplitude de movimento. Algumas pessoas com alterações nesse gene podem apresentar fibras de colágeno menores e mais compactas e, por isso, a uma amplitude de movimento articular reduzida e um risco elevado de lesões específicas nos tendões. As causas desse “risco elevado” podem ser resultado de uma maior rigidez muscular e da redução da amplitude de movimento. Indivíduos com SNPs nesse gene têm menos estruturas extensíveis nos tendões, podendo ter uma amplitude de movimento menor em comparação a indivíduos com mutações que não são consideradas como risco.

A principal intervenção nessas pessoas é: Alongar! Como uma pessoa que sempre reclamou da falta de flexibilidade, tive as minhas primeiras respostas com o teste genético. No meu caso e, assim como a maioria das pessoas que apresentam alterações no gene COL5A1, precisei aderir a uma rotina de alongamento e o auxílio de um educador físico foi essencial nesse processo. Além da prática diária de musculação, fiz algumas práticas de yoga e pilates e sempre alongar antes e após o exercício. Algumas pessoas ainda atribuem a falta de flexibilidade a falta de alguns alimentos e suplementos, mas nesse caso, o alongamento é a estratégia mais adequada e que apresenta maiores resultados para você que visa uma melhor flexibilidade e aptidão no exercício.

Viu só como a genética pode nos ajudar em nosso estilo de vida? E independente de ter alterações no gene COL5A1, procure orientação de um educador físico para uma rotina de exercícios saudáveis, potencializar os seus resultados e ter sempre a sua melhor versão esportiva. Até a próxima!


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Referências

Y.-W. Chen, M. J. Hubal, E. P. Hoffman, P. D. Thompson, and P. M. Clarkson, Journal of Applied Physiology 95, 2485 (2003).

G. L. Warren, T. Hulderman, D. Mishra, X. Gao, L. Millecchia, L. O’Farrell, W. A. Kuziel, and P. P. Simeonova, The FASEB Journal 19, 413 (2005).

L. Yahiaoui, D. Gvozdic, G. Danialou, M. Mack, and B. J. Petrof, The Journal of Physiology 586, 3991 (2008).

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