As mães e a pandemia

Com dois filhos de cinco e nove anos, a professora do Ensino Fundamental, Christiane Campos, de 39 anos, é uma das mães que, por conta da pandemia do novo coronavírus, tiveram seus trabalhos alocados para dentro das casas. Mães como Christiane foram alvo de um estudo espanhol que analisou como o confinamento afetava o dia a dia de pais que trabalham em casa.

A pesquisa, realizada por estudiosas do Departamento de Sociologia e Antropologia Social da Universidade de Valência, notou que pais e mães que trabalham em casa e cuidam da educação dos filhos durante a pandemia estão mais estressados, especialmente as mulheres. Participaram do estudo, 10 mil mulheres, e, cerca de 86%, afirmaram estarem tristes, apáticas e desmotivadas. Além disso, sete de cada dez afirmaram estar muito mais cansadas.

“Ser mãe já traz diversas cobranças e agora elas estão ainda mais sobrecarregadas. Números como o dessa pesquisa me deixa intrigada sobre como está sendo feita a divisão de tarefas com os homens”, afirma Sissa Valle, psicóloga do Hospital Municipal Dr. Gilson de Cássia Marques de Carvalho – Vila Santa Catarina, em São Paulo.

Uma das sensações de Christiane com o trabalho home office foi o aumento de horas trabalhadas. “A dinâmica foi toda alterada e estou trabalhando muito mais. Antes, me preocupada com os problemas de casa quando chegava da escola. Agora, tudo fica misturado”. No estudo, as mães explicaram que a soma das tarefas domésticas, aumento da carga de trabalho e educação dos filhos é o principal motivo para o cansaço extremo. “Você acaba se acostumando, mas tem momento em que você desiste e qualquer coisa irrita”, relatou a professora.

Como evitar esse alto estresse?

A pesquisa também concluiu que por causa da mudança na dinâmica da casa, muitas mulheres estão se sentindo sem tempo e espaço para o seu próprio cuidado, resultando em tristeza maior. “Muitas mulheres não estão se permitindo ter um período de ócio e sempre estão se sobrecarregando com novas tarefas”, complementou a psicóloga.

Para relaxar, diversas mães na pesquisa relataram que sempre buscam ter um tempo para ficarem sozinhas em silêncio e fazerem o que quiserem. Uma das dicas da psicóloga do Hospital Vila Santa Cataria é não tratar o dia a dia como se tudo estivesse normal. “É importante a mulher saber que estamos no período diferente e que ela precisa fazer tudo 100%. É fundamental dar tempo para o ócio e respeitar o seu limite”.

No cotidiano de Christiane, o momento de relaxamento vem com a prática de exercícios funcionais e corrida. “Quando estou correndo consigo relaxar e, o mais importante de tudo, é que tenho um tempo só meu”, confessa.


Por Nicola Ferreira, da Agência Einstein.


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