Introdução à gestação e diabetes

A Diabetes Mellitus Gestacional, ou Diabetes Gestacional, é diagnosticada quando os níveis de glicemia de jejum indicam uma condição de hiperglicemia (≥ 92 mg/dL e < 126mg/dL, de acordo American Diabetes Association), identificada pela primeira vez durante a gestação, previamente no 1º Trimestre. No 2ª Trimestre, entre 24º a 28º semana, solicita-se o teste de tolerância oral à glicose (TOTG), conhecido como curva glicêmica, no qual é avaliado as glicemias em três tempos distintos (jejum, 60 e 120 minutos), após a ingestão de uma solução contendo 75g de glicose. Baseado, nos resultados (Tabela I), mesmo somente com uma medida alterada, o diagnóstico já é confirmado.

A Diabetes Gestacional é uma condição associada às alterações metabólicas, podendo ou não persistir até 3 anos após o nascimento do bebê, portanto a gestante deve ser reavaliada (clínica e exames bioquímicos) 6 semanas após o parto.

O crescimento da obesidade nas mulheres, é concomitante ao aumento na incidência de diabetes gestacional. Entretanto, alguns fatores pré-concepcionais podem contribuir para o desenvolvimento da doença na gestação

Fatores de risco para o desenvolvimento da Diabetes Gestacional (DMG):


Como ocorre a diabetes gestacional?

Um fator importante a ser considerado é que toda gestante (mesmo com exames prévios normais), tem um quadro de Resistência à insulina (RI), a partir do 2º trimestre. Isso ocorre devido as alterações fisiológicas, a partir deste período, mediada por hormônios placentários que degradam a insulina, com o objetivo de fornecer um aporte energético (glicose) adequado ao crescimento e desenvolvimento do feto.

Quando a gestante apresenta um ou mais fatores de risco descritos, a chance de desenvolver DMG aumento muito mais, tendo que ser realizado um melhor monitoramento desde o início da gestação.


E quais são as repercussões para o bebê?

A DMG aumenta muito as complicações obstétricas e materna, como parto prematuro, pré-eclampsia, e risco de desenvolver diabetes tipo 2 num intervalo de 5-16 nos após o parto. Para o bebê, as repercussões são mais severas:

  • O estado materno hiperinsulinêmico compromete o desenvolvimento da maturação dos pulmões e o risco da síndrome de desconforto respiratório neonatal, devido a ineficiência na produção do hormônio surfactante;
  • Macrossômia (nascem com o peso > 4000g);
  • Hipoglicemia neonatal (ocorre após o clampeamento do cordão umbilical) necessitando monitoramento contínuo com dosagem da glicemia capilar;
  • Risco aumentado de desenvolver obesidade e diabetes mellitus na infância.

E quais os tratamentos?

O primeiro passo para controlar a glicemia é seguir uma orientação nutricional, com profissional nutricionista e de preferência especialista na área materno-infantil, e que irá ajustar a ingestão calórica e o ganho de peso conforme o estado nutricional da gestante.

Evitar a ingestão de alimentos ultraprocessados, açucarados (bebidas, biscoitos e guloseimas), ricos em gordura saturada e trans, frituras, embutidos e alimentos a base de farináceos refinados. Em contrapartida, é fundamental aumentar a ingestão de alimentos:

  • Ricos em fibras como aveia, farelo de aveia, linhaça, semente de girassol, castanhas em geral, arroz (integral, cateto), leguminosas (feijões preto, Azuki e branco), folhas verdes escuras (couve, espinafre, brócolis, folhas de beterraba, agrião, chicória);
  • Peixes frescos (atum, cavala, sardinha, pescada branca);
  • Frutas: consumir em média 3-4 porções; e
  • Probióticos (melhora a saúde intestinal, e o quaro de resistência à insulina).

Associado a mudança de hábito alimentar, deve-se incluir atividade física regular (liberada após avaliação médica), que deve ser monitorada e orientada junto ao educador físico.

A monitorização da glicemia capilar é fundamental, pois partir desta medida, são realizados os ajustes nutricionais e de atividade física, sempre individualizados. Caso não haja um bom controle glicêmico, mesmo após as orientações de hábito alimentares e exercícios, deve-se utilizar das medicações hipoglicemiantes (insulina injetável ou fármacos orais).


LEIA MAIS:
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Daniella Camilo de Paivahttp://dradaniellacamilopaiva.com.br/
Doutora em Saúde da Criança e do Adolescente (Faculdade de Ciências Médicas/ UNICAMP). Especialista em Nutrição Infantil UNIFESP-EPM. Atuação com tentantes, gestantes, infância, adolescência, saúde da mulher e Genômica Nutricional.

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