Hidroxicloroquina não previne covid-19, aponta estudo

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A hidroxicloroquina, um medicamento usado contra lúpus e malária, não mostrou nenhum benefício em relação ao placebo na redução da infecção pelo novo coronavírus entre profissionais de saúde, de acordo com resultados de ensaios clínicos realizados por cientistas da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O estudo foi publicado no jornal JAMA Internal Medicine, nesta quarta-feira (30).

O estudo foi realizado com 125 participantes, que foram divididos em dois grupos: 64 receberam cloroquina e 61 receberam placebo, por oito semanas. Segundo os dados, quatro voluntários que haviam tomado o remédio contraíram a Covid-19, e quatro com placebo testaram positivo para o vírus. Todos os oito eram assintomáticos ou apresentavam sintomas leves que não exigiram hospitalização, de acordo com os dados.

“Entre os profissionais de saúde baseados em hospitais com alto risco de exposição ao SARS-CoV-2, a hidroxicloroquina, 600 mg, diariamente, durante 8 semanas, não reduziu a incidência de infecção por SARS-CoV-2 em comparação com o placebo.”, afirma o estudo.

Ou seja, ao fim foi constatado que, entre os profissionais de saúde em hospitais, a hidroxicloroquina diária não evitou a infecção por SARS-CoV-2. A pesquisa confirma os resultados de um ensaio clínico realizado em junho, na revista científica The New England Journal of Medicine, que mostrou que a hidroxicloroquina foi ineficaz na prevenção de infecções entre pessoas expostas ao vírus.

Na pesquisa, os cientistas afirmam que o uso rotineiro do medicamento não pode ser recomendado entre profissionais de saúde para prevenir a doença. Os autores do estudo disseram que é possível que um ensaio realizado em uma comunidade com maior prevalência da doença possa permitir a detecção de um benefício maior do medicamento.

O ensaio foi encerrado antes de atingir a meta de recrutamento de 200 participantes, porque uma revisão dos resultados obtidos após a pesquisa passar de 100 voluntários já apontou a ineficácia do remédio para prevenir a doença. De acordo com modelos matemáticos, mesmo que a pesquisa prosseguisse até o fim, o resultado não seria alterado.

No entanto, os autores do estudo destacam: “Dado o pequeno tamanho da amostra, não podemos descartar um pequeno efeito potencial profilático não detectado”.

Até o momento, apenas 2 medicamentos, dexametasona e remdesivir, mostraram melhorar os resultados no estado grave da doença, mas nenhum tratamento se mostrou eficaz no estado leve a moderado.


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