Pandemia pode agravar casos de câncer de mama e dificultar o diagnóstico

Levantamento realizado pela Fundação do Câncer aponta que o número de exames de mamografias realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) despencou mais de 80% durante a pandemia da Covid-19, se comparado aos mesmos meses no ano anterior. A situação global tem desestimulado as pessoas a procurar os serviços de saúde, dificultando o diagnóstico e tratamento dos casos de câncer de mama.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), estimativas apontam para um aumento de 11% no número de casos anuais de câncer de mama em mulheres, se comparadas as projeções para 2018-2019 e 2020-2021. São esperados que mais de 65 mil mulheres sejam acometidas pela doença em 2020.

“Esses números acendem um sinal de alerta para um cenário futuro em relação à doença. A mamografia é justamente o exame de maior adesão para o rastreamento do câncer de mama. A detecção precoce aumenta em mais de 90% a resposta positiva ao tratamento e as chances de cura”, salienta o cirurgião oncológico e diretor-executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, no site da instituição.

O câncer de mama é o segundo mais comum entre as mulheres, correspondendo a quase 30% dos novos casos de câncer diagnosticados anualmente em brasileiras, sendo também a maior causa de morte, com taxa de mortalidade de cerca de 15 para 100.000 mulheres. 

Por isso, o autoconhecimento é fundamental para o diagnóstico precoce, pois, ao perceber qualquer alteração, a paciente deve procurar ajuda médica. Durante a pandemia do novo coronavírus, é possível optar por alternativas mais seguras, como a telemedicina ou consultas presenciais em locais que cumpram todas as normas de segurança.

Um estudo publicado em junho de 2020 pelo Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM), mostra que pacientes do SUS são diagnosticados com doença sintomática, em estágios mais avançados e com subtipos mais agressivos em comparação a pacientes da rede privada. Quando os casos chegam em estágios avançados, os riscos são maiores e os custos, mais altos.

A Covid-19 afasta os pacientes oncológicos do sistema público e os da rede privada em relação à chance de sobrevivência. Por isso, campanhas de conscientização são ainda mais necessárias, para impedir que mortes por câncer aumentem durante este período.

Covid-19 e o câncer de mama

A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, é mais preocupante para alguns grupos de risco. Por apresentar uma deficiência imunológica, pacientes oncológicos merecem uma atenção especial: pessoas com leucemia, linfomas, pacientes transplantados e paciente com diagnóstico de tumores sólidos em quimioterapia, imunobiológicos ou imunoterapia e notadamente idosos.

Mesmo durante a situação global de pandemia, o Ministério da Saúde destaca que o paciente com câncer não deve, em hipótese alguma, interromper seu tratamento por conta própria, seja quimioterapia, radioterapia ou uma cirurgia. Toda decisão deve ser pensada junto com a equipe de saúde. Em algumas situações, caso seja necessário e possível, consultas e exames poderão ser adiados e remarcados.

O paciente oncológico deve redobrar a atenção caso tenha sintomas de uma doença respiratória, como tosse ou falta de ar, principalmente se houver contato próximo com uma pessoa suspeita ou confirmada para a covid-19.


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